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APÓS POLÊMICA ENVOLVENDO O G7

Apoio do Partido Republicano a Trump começa a erodir

Para republicanos moderados, Donald Trump foi longe demais e o esforço para defender suas atitudes se tornou muito pesado

Apoio do Partido Republicano a Trump começa a erodir
Plano de sediar a cúpula do G7 em seu resort parece ter sido a gota d’água (Foto: Flickr/White House)

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O apoio do Partido Republicano ao presidente Donald Trump parece ter chegado ao limite. A gota d’água foi a mais recente polêmica do presidente referente ao seu plano de usar seu resort na Flórida, o Trump National Doral, para sediar a cúpula do G7, prevista para os dias 10 e 12 de junho do próximo ano.

Apresentada na semana passada, a proposta foi considerada corrupta. Isso porque ela resulta na promoção do resort de Trump, o que gera conflito de interesses com os negócios imobiliários do presidente. Além disso, a preparação da cúpula desviaria verbas do contribuinte para uma propriedade privada.

A líder dos democratas no Congresso, Nancy Pelosi, destacou um artigo da Constituição americana que proíbe funcionários do governo de receber salários, taxas ou lucros de governos estrangeiros, salvo quando houver aprovação do Congresso.

“A Constituição é clara: o presidente não pode aceitar presentes ou pagamentos de governos estrangeiros. Ninguém está acima da lei”, escreveu Pelosi, no Twitter.

Segundo o Guardian, no último sábado, 19, em uma série de postagens no Twitter, Trump anunciou que abandonaria o plano, apontando como motivo do recuo o que chamou de “hostilidade enlouquecida e irracional dos democratas e da mídia”.

A proposta, no entanto, não foi considerada estapafúrdia apenas por democratas e pela mídia. Para republicanos moderados, Trump foi longe demais e o esforço para defender suas atitudes se tornou muito pesado.

A controvérsia atual se soma a outros escândalos enfrentados pelo presidente, em especial o caso envolvendo a tentativa de Trump de recrutar o governo da Ucrânia para interceder em seu favor e contra Joe Biden na eleição de 2020 – caso que resultou na abertura de um processo de impeachment a ser julgado pela Câmara dos Representantes, onde os democratas têm maioria, e, em seguida, pelo Senado, de maioria republicana.

Ela também se junta à decisão de Trump de retirar as tropas americanas do nordeste da Síria, abandonando as forças curdas que lutaram ao lado dos EUA e foram cruciais para a derrocada do Estado Islâmico (Isis). A decisão gerou inúmeras críticas, também por parte de republicanos. Uma das críticas mais ácidas partiu de William McRaven, ex-comandante de Operações Especiais dos Estados Unidos, que liderou a missão que resultou na morte de Osama Bin Laden, em 2011. McRaven teceu duras críticas à decisão de Trump em um editorial, publicado no New York Times, intitulado “Nossa República está sob ataque do presidente”.

Para que Trump seja alvo de impeachment, a proposta precisa – após passar pela Câmara – do apoio de pelo menos 20 senadores republicanos. E a perda de apoio de integrantes do partido antes fiéis ao presidente gera alerta na Casa Branca.

O senador republicano Mitch McConnell, por exemplo, que é líder do Senado, também criticou a decisão de Trump sobre a Síria, em um edital publicado no jornal Washington Post. Recentemente, o senador Mitt Romney, também republicano, diagnosticou o que chamou de “ponto de inflexão na história americana”. Até mesmo o senador republicano Lindsey Graham, um dos mais ferrenhos apoiador de Trump, já declarou ser passível de persuasão em relação ao impeachment.

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1 Opinião

  1. Leonora Hermes Luz disse:

    Lendo a evolução dessa tentativa de impeachment do pai de todos os Bozos, dá até uma esperancinha.
    Sim, o neoliberalismo vai avançar mais ainda num futuro próximo, os evangélicos do First the Firsts são climatocépticos e a batalha tá meio perdida pra quem ama o planeta e uma sociedade menos desigual.
    Mas que uma matéria dessas dá uma esperancinha, lá isso ela dá.

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