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RESPONSÁVEL POR DENÚNCIAS

Ativista que denunciou João de Deus comete suicídio

Sabrina Bittencourt, que auxiliou várias mulheres a denunciarem o médium de Abadiânia, cometeu suicídio no último sábado, 2, em sua casa em Barcelona

Ativista que denunciou João de Deus comete suicídio
Sabrina publicou um texto em seu perfil no Facebook, mas apagou em seguida (Foto: Facebook)

A ativista Sabrina Bittencourt, que auxiliou várias mulheres a denunciarem os abusos cometidos pelo médium João de Deus, de Abadiânia, cometeu suicídio no último sábado, 2.

Através de uma nota, o grupo Vítimas Unidas, ONG a qual Bittencourt integrava, informou que a ativista tirou a própria vida, por volta de 21 horas. “A ativista cometeu suicídio e deixou uma carta de despedida relatando os porquês de tirar sua própria vida”, informou Maria do Carmo Santos, presidente da ONG, e Vana Lopes, fundadora da organização.

A informação sobre o local de morte de Sabrina ainda não foi confirmado, pois seu filho, Gabriel Baum, relatou à revista Época que a mãe tirou a própria vida em uma casa no Líbano, divergente com a nota emitida pela ONG, que afirmou que a ativista faleceu em sua casa em Barcelona, na Espanha.

“Eu agradeço e entendo a boa vontade da Maria do Carmo, mas ela se baseou numa informação incompleta, porque falou com a minha mãe na quinta-feira e ela (Sabrina) estava em Barcelona. (…) Ela (Maria do Carmo) não fez por mal.”

Através das redes socias

Às 20 horas, Sabrina publicou um texto em seu perfil no Facebook, mas apagou em seguida. No mesmo, ela relatava que iria se reunir com a vereadora Marielle Franco, que foi assassinada em março de 2018. “Marielle, me uno a ti. Eu fiz o que pude, até onde pude. Meu amor será eterno por todos vocês. Perdão por não aguentar, meus filhos”, declarou Sabrina.

Segundo Baum, Sabrina já o “preparava” há mais de um ano, para sua futura morte. Ela relatava que, após Marielle, ela seria a próxima. Sabrina também sofria de um câncer no sistema linfático.

“Ela não queria ser morta pelas quadrilhas nem pelo câncer. Minha mãe lutou até o final, ela não desistiu. Ela só se libertou do inferno que estava vivendo”, relatou Gabriel.

Sabrina era ativista social há mais de 20 anos e lutou arduamente contra a violência sexual, criando a força-tarefa Somos Muitas, além do movimento Coame, sigla para Combate ao Abuso no Meio Espiritual, responsável por denunciar crimes sexuais cometidos por religiosos. Ela reuniu relatos das vítimas do médium João de Deus e as incentivou a denunciarem o mesmo, que está preso desde dezembro de 2018, e é réu pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual. Gabriel afirmou que a mãe gravou mais de 300 vídeos e “deixou tudo com provas, organizado”.

A ONG que Sabrina participava emitiu uma nota pedindo para que as pessoas não tentassem entrar em contato com a família da ativista. “A luta de Sabrina jamais será esquecida e continuaremos, com a mesma garra, defendendo as minorias, principalmente as mulheres que são vítimas diárias do machismo”, finaliza a nota.

Fontes:
El País-Ativista brasileira contra abuso de mulheres morre na Espanha, diz ONG
DW-Morre ativista que ajudou a reunir vítimas de João de Deus

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