Início » Economia » Internacional » Baixa natalidade vira um problema no Japão
INTERNACIONAL

Baixa natalidade vira um problema no Japão

O vice-primeiro-ministro culpa as mulheres japonesas pela taxa de natalidade ser a mais baixa nos últimos séculos

Baixa natalidade vira um problema no Japão
A população do Japão caiu em um recorde de 448.000 pessoas no ano de 2018 (Foto: Pixabay)

Após polêmicas, o vice-primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, voltou atrás em seus comentários em que culpava as mulheres pela baixa taxa de natalidade do país e, consequentemente, envelhecimento da população.

Aso também trabalha como ministro das Finanças e relatou, em uma reunião do distrito eleitoral em Fukuoka, localizado no sudoeste do Japão, que idosos estavam sendo injustamente escolhidos para explicar a crise demográfica do país.

“Há muitas pessoas estranhas que dizem que os idosos são culpados, mas isso é incorreto”, disse à mídia japonesa. “Em vez disso, aqueles que não estão dando à luz a crianças são o problema. O envelhecimento da população, combinado com a diminuição do número de crianças, é a grave questão à médio e longo prazo”.

Aso foi culpado pela população por não ter sensibilidade em relação aos casais que querem ter filhos, porém, são incapazes de fazê-lo. Ele alegou que a mídia modificou o contexto, e que ele havia tentado enfatizar a ameaça sobre a diminuição da taxa de natalidade. O vice reiterou, alegando que “gostaria de retirar meus comentários e ser cuidadoso com minhas palavras nos próximos dias”.

Dados revelaram que a população do Japão caiu em um recorde de 448.000 pessoas no ano de 2018. O número de nascimentos diminuiu para 921.000, o menor já registrado há mais de um século. A tendência gerou alertas sobre os crescentes custos de saúde e bem-estar para as pessoas idosas, visto que, juntamente com a redução da força de trabalho, a pressão aumentaria sobre a terceira maior economia do mundo nas próximas décadas.

Especialistas culparam a baixa taxa de natalidade devido a diversos fatores, incluindo o alto custo financeiro em criar os filhos e a longa jornada de trabalho.

Em junho de 2018, Toshihiro Nikai, secretário-geral do Partido Liberal Democrata, descreveu casais que decidem não ter filhos como “egoístas” e citaram o “baby boom” pós-guerra como prova de que as dificuldades não precisam ser um obstáculo para ter famílias maiores.

Dois meses antes, Kanji Kato, um parlamentar do PLD, disse que as mulheres deveriam ter “pelo menos três filhos” e advertiu que os que permanecessem solteiros seriam um fardo para o Estado.
Segundo Kato, mulheres solteiras que não se casarem “não poderão ter filhos e acabarão em um lar pago com os impostos dos filhos de outras pessoas”.

Em 2007, o então ministro da Saúde, Hakuo Yanagisawa, descreveu as mulheres como “máquinas de parto ” e disse que era seu dever público aumentar a taxa de natalidade.

Essa não é a primeira vez que o vice relata esses problemas sociais. Em 2013, ele comentou que as pessoas mais velhas deveriam “se apressar” e morrer “para aliviar a pressão do Estado”.

 

Leia também: A escolha entre a maternidade e a carreira profissional no Japão

Fontes:
The Guardian-Japan's deputy PM blames women for nation's falling population

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *