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'FOI UM EQUÍVOCO'

Bolsonaro pede desculpas por postagem sobre Argentina

Após ser desmentido, presidente reconhece que se equivocou ao afirmar no Twitter que empresas estariam deixando a Argentina e vindo para o Brasil

Bolsonaro pede desculpas por postagem sobre Argentina
Bolsonaro baseou sua afirmação em mensagem recebida de um amigo, via WhatsApp (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) pediu desculpas por ter publicado no Twitter uma postagem com informações falsas sobre a Argentina.

A postagem foi publicada pelo presidente na manhã da última quarta-feira, 6, e apagada horas depois, após ser confirmado que as informações estavam erradas. Na postagem, Bolsonaro afirmava que as empresas MWM, Honda e L’Oréal estavam fechando suas fábricas na Argentina e transferindo-as para o Brasil.


Embora não citasse diretamente a eleição de Alberto Fernández, a mensagem insinuava que a vitória da chapa peronista-kirchnerista no país seria o motivo. Isso porque desde que Fernández venceu as eleições presidenciais argentinas, se tornou alvo de ataques por parte do governo brasileiro.

Horas após a postagem, as empresas citadas pelo presidente divulgaram notas negando a informação. Segundo noticiou o Globo, a Honda destacou que, em agosto deste ano, informou que deixaria de produzir automóveis na Argentina em 2020, mas que prosseguirá com a produção de motocicletas. A empresa informou que não tem previsão de fechar sua fábrica na Argentina nem de transferir para o Brasil.

“A Honda não está fechando sua fábrica na Argentina, mas sim manterá suas operações no país como estava previsto. A partir de 2020, concentrará sua produção na linha de motocicletas. A divisão de automóveis também continuará no país com os modelos provenientes do exterior”, informou a montadora, em nota replicada pela Folha de S.Paulo.

A L’Oréal, por sua vez, ressaltou que a informação dada pelo presidente provinha de matérias publicadas em 2001, ano em que a empresa fechou sua fábrica na Argentina.

Já a MWM confirmou que fechou sua fábrica em Córdoba. Porém, a empresa destacou que o fechamento ocorreu em setembro e não está relacionado ao resultado do pleito presidencial argentino. A empresa destacou ainda que vai manter a assistência técnica e a distribuição de peças de reposição no país.

Diante da informação refutada, Bolsonaro apagou o tuíte com a mensagem e pediu desculpas por meio de seu porta-voz, Otávio Rêgo Barros. A postagem, no entanto, já havia se tornado manchete em grandes veículos de comunicação da Argentina, como o Clarín e o La Nacíon.

“Foi um equívoco. O presidente reconhece que foi um equívoco e pede desculpas. Em razão do reconhecimento e da identificação de que foi um equívoco, ele determinou que fosse sacado da sua mídia social esse post. Ele identificou o equívoco e determinou a retirada”, disse o porta-voz.

Segundo apurou o colunista Lauro Jardim, do jornal Globo, o presidente baseou suas informações em uma mensagem recebida de um amigo via WhatsApp. A mensagem do amigo trazia reportagens antigas e Bolsonaro postou a informação em sua conta no Twitter, sem antes checar a data das publicações.

Apesar de o erro ter sido reconhecido pelo presidente, outro membro do governo, o assessor especial Arthur Weintraub – irmão do ministro da Educação, Abraham Weintraub –, que replicou a informação falsa sobre fechamentos de fábricas, manteve em sua conta a postagem.

Alberto Fernández vem sendo atacado pelo governo brasileiro desde que começou a crescer entre os eleitores, durante o pleito presidencial, até ter sua vitória confirmada nas urnas.

Em maio, em uma de suas transmissões ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro, que declarou preferência pela reeleição de Mauricio Macri, pediu aos argentinos que tivessem “paciência” com Macri e disse que, em caso de vitória da chapa de Fernández, a Argentina iria “se transformar na Venezuela”. Em junho, ele tornou a se posicionar em relação ao pleito no país vizinho, pedindo aos argentinos que votassem “com responsabilidade”.

Em 23 de outubro, ele ameaçou isolar a Argentina no Mercosul, se Fernández viesse a ser eleito e fechasse a economia de seu país, ameaça que tornou a fazer cinco dias depois, em entrevista dada durante sua viagem à Ásia e ao Oriente Médio, na qual comentou o resultado do pleito e disse que os argentinos fizeram uma “má escolha”.

Bolsonaro disse ainda que iria não parabenizar o presidente eleito nem comparecer à sua posse, marcada para 10 de dezembro. O Brasil será representado na cerimônia pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra. Será a 1ª vez, em 30 anos, que um presidente brasileiro não vai comparecer à posse de um presidente eleito por voto popular na Argentina.

Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse em uma postagem no Twitter, que “forças do mal” estariam comemorando a vitória de Fernández.

Já na última quarta-feira, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara – que é presidida por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) – aprovou uma moção de repúdio contra Fernández, por conta do apoio expressado pelo argentino ao ex-presidente Lula, o qual considera um preso político. A moção foi apresentada pelo deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP),
um dos herdeiros da família imperial do Brasil.

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2 Opiniões

  1. Rafael de Barros Faria disse:

    Esse cara continua governando para os bolsominions.

  2. Dinarte da Costa Passos disse:

    Coisa de louco não? Esse cara é bipolar mesmo, não podia ter sido escolhido como Presidente da República. Eu acho que o povo votou nele foi para esnobar da democracia.

    Nem cachaceiro é capaz de ir e voltar tanto assim parece coro de pik. Não é capaz de ter o mínimo de postura que seja digna do cargo que exerce.

    FORA BOZO E SUA CORJA DE INSANOS.

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