Início » Internacional » Bombardeio deixa mais de 40 mortos em centro de migrantes na Líbia
ATAQUE EM TRÍPOLI

Bombardeio deixa mais de 40 mortos em centro de migrantes na Líbia

Vítimas fatais tentavam chegar à Europa para fugir de zonas de conflitos, mas estavam detidas na Líbia, assim como outros 3,3 mil migrantes

Bombardeio deixa mais de 40 mortos em centro de migrantes na Líbia
Luta pelo controle de Trípoli se intensificou a partir de abril deste ano (Foto: UNHCR/Twitter)

Pelo menos 44 pessoas morreram e outras 130 ficaram feridas depois que um centro de detenção de imigrantes em Trípoli, capital da Líbia, foi bombardeado na noite da última terça-feira, 2.

Nesta quarta-feira, 3, o principal enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Líbia, Ghassan Salame, condenou o bombardeio, afirmando que o ataque pode “constituir um crime de guerra”. Os mortos tentavam chegar à Europa para fugir de zonas de conflitos, mas estavam detidos na Líbia, assim como outros 3,3 mil migrantes.

O governo liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj, apoiado pela ONU e pela comunidade internacional, culpa a frente liderada pelo marechal Khalifa Haftar pelo bombardeio.

No entanto, o coronel Khalid al-Mahjoub, porta-voz do grupo de Haftar, nega que eles tenham atacado o centro de detenção. “Desta vez, não o fizemos”, afirmou o porta-voz, admitindo que o grupo atacou um depósito de munição nas proximidades do centro de detenções nas últimas semanas.

A Líbia é, há anos, um país dividido entre duas forças governamentais. No último mês de abril, porém, a situação piorou, com a retirada de tropas dos Estados Unidos do território líbio. Desde então, houve uma escalada de conflitos entre as forças de al-Sarraj e Haftar.

Desde abril, o grupo liderado por Haftar tenta assumir o controle de Trípoli. O conflito já deixou mais de 800 mortos, segundo números expostos pelo Guardian. A ONG Exodus, apesar de culpar Haftar pelo ataque, também atribui culpa a al-Sarraj e, até mesmo, à União Europeia, que teria sido alertada do riscos aos migrantes, mas ignorou os chamados. O bloco econômico, porém, se defendeu das acusações.

“Temos procurado evacuar os refugiados e migrantes dos centros de detenção perto da linha de frente. Sempre que possível, permitimos que eles encontrem segurança fora da Líbia – esses esforços devem continuar e ser intensificados com urgência”, afirmou a União Europeia.

De acordo com a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), o número de mortos ainda pode aumentar. Isso porque estima-se que mais de 600 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, estavam detidos no centro de imigrantes. Pelo menos 126 pessoas estavam nas celas que foram atingidas pelo bombardeio.

“O que é necessário agora não é uma condenação vazia, mas a evacuação urgente e imediata de todos os refugiados e migrantes mantidos em centros de detenção fora da Líbia. Hoje, a inação e a complacência custaram desnecessariamente as vidas de refugiados e migrantes mais vulneráveis. A realidade é que para cada pessoa evacuada ou reassentada neste ano, mais do que o dobro foram forçados a retornar à Líbia pela Guarda Costeira da Líbia com o apoio da União Europeia”, afirmou o Príncipe Alfani, coordenador médico da MSF, através de um comunicado.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), por sua vez, usou as redes sociais para transmitir três “mensagens-chaves” sobre a situação dos migrantes na Líbia atualmente. Sem citar nomes, o Acnur destacou que os refugiados não devem ser detidos, civis não podem ser alvos e a Líbia não é um “lugar seguro” para retorno, como uma possível alusão ao trabalho desempenhado pela Guarda Costeira, que é apoiada pela União Europeia.

“A OIM [Organização Internacional para Migrações] e o Acnur pedem que o sistema das Nações Unidas, mais amplo, condene este ataque e acabe com o uso da detenção na Líbia. Além disso, pedimos urgentemente à comunidade internacional que forneça corredores humanitários para que os migrantes e refugiados sejam evacuados da Líbia. Para o bem de todos na Líbia, esperamos que os Estados com influência redobrem seus esforços para cooperar na urgência de pôr fim a esse terrível conflito”, escreveram a OIM e a Acnur através de um comunicado conjunto.

Fontes:
The Washington Post-U.N. calls Tripoli airstrike that killed 44 migrants possible war crime
The New York Times-Airstrike Kills Dozens of Migrants at Detention Center in Tripoli
The Guardian-Libya detention centre attack is possible war crime, says UN envoy

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *