Início » Economia » China intimida e assedia empresários dos EUA
DETENÇÕES E INTERROGATÓRIOS

China intimida e assedia empresários dos EUA

Governo chinês promove política de intimidação, detendo e interrogando empresários e representantes dos EUA em serviço em território chinês

China intimida e assedia empresários dos EUA
Segundo relatos de testemunhas, objetivo é enviar um recado para Trump (Foto: PxHere)

O governo da China está assediando empresários americanos em território chinês, impedindo que eles deixem o país e os submetendo a extensos interrogatórios.

A denúncia foi feita em uma reportagem do jornal New York Times, que teve acesso a depoimentos e relatórios elaborados por empresas para alertar suas respectivas equipes sobre o que fazer, caso sejam alvo de intimidação por parte do governo chinês.

Um dos depoimentos aponta que um executivo do conglomerado americano Koch Industries foi impedido de deixar as imediações do hotel onde estava hospedado, em uma cidade no sul do país, e passou dias sendo submetido a interrogatórios, nos quais o tema central era a guerra comercial e a deterioração das relações entre Washington e Pequim. O empresário, que não teve a identidade divulgada, somente foi autorizado a deixar o país e retornar para os EUA após o Departamento de Estado americano intervir na questão.

Segundo a reportagem do “NYT”, fontes que têm conhecimento do assunto afirmam que casos de intimidação de empresários, como ocorreu com o executivo da Koch, não são isolados. Eles são cada vez mais frequentes e, por vezes, a intimidação ao alvo também é estendida a membros de sua família em território chinês. Segundo as fontes, a intenção do governo chinês é clara: enviar um recado a Donald Trump.

O assédio ao empresário da Koch Industries é um exemplo dessa intenção. Os donos do conglomerado, os irmãos Charles e David Koch, são apoiadores do partido Republicano, de Trump, e são grandes financiadores de parlamentares da legenda, incluindo Mike Pompeo, atual secretário de Estado dos EUA e ex-deputado republicano pelo estado do Kansas.

No entanto, os irmãos Koch têm visão mais liberal e menos populista que Trump e já criticaram ações do presidente americano. Em uma ocasião, por exemplo, eles criticaram a política de imigração de Trump, que, através de uma postagem no Twitter, respondeu a crítica chamando os empresários de “total piada no círculo real de republicanos”.

A intimidação não é restrita a empresários e vem afetando também representantes do governo americano que atuam na China. Um diplomata americano que atua em Pequim, por exemplo, foi alvo de assédio do governo chinês. O caso ocorreu no mês passado, quando o diplomata trabalhava na organização de um fórum em Pequim sobre inteligência artificial.

Na noite do dia 25 de junho, o diplomata, que também não teve a identidade revelada, recebeu uma ligação no quarto de hotel onde estava hospedado. Do outro lado da linha, o recepcionista do hotel informou que havia agentes de segurança no lobby que desejavam falar com ele. Alarmado, o diplomata enviou um email a convidados americanos que compareceriam ao fórum e, em seguida, desceu para o lobby do hotel.

Lá, ele se deparou com dois policiais à paisana que pediram que ele os acompanhasse para responder algumas perguntas. Eles perguntaram sobre seu status diplomático e se ele tinha imunidade diplomática. Eles ordenaram que ele mostrasse o passaporte, o que o diplomata se negou a fazer.

O diplomata, então, telefonou para a embaixada americana em Pequim. Após a chegada de alguns diplomatas de alto escalão, os policiais chineses deixaram o local.

A aura de intimidação não apenas deixa ansiosos empresários e representantes americanos que moram ou precisam viajar para a China, mas também ameaça investimentos e postos de trabalho. A Koch Industries, por exemplo, emprega mais de 23 mil pessoas na China e tem grandes investimentos no país. No ano passado, a empresa anunciou que investiria mais de US$ 1 bilhão em uma indústria química em Xangai.

A política de intimidação chinesa teve início após a prisão de Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei e filha do dono da gigante de tecnologia chinesa – que é pivô da disputa pelo domínio da tecnologia 5G entre EUA e China. Meng Wanzhou foi presa em dezembro do ano passado, em Vancouver, no Canadá, a pedido do governo americano.

Ela passou 11 dias detida, antes de ser liberada e atualmente é alvo de um pedido de extradição do governo americano, que acusa a empresária de violar as sanções americanas ao Irã. O episódio gerou revolta no governo chinês, que em reposta passou a deter arbitrariamente cidadãos canadenses em território chinês. Desde então, a escalada da tensão comercial entre Washington e Pequim desencadeou retóricas e ações cada vez mais duras de ambas as partes.

Leia também: China suspende importação de carne do Canadá

Fontes:
The New York Times-A Koch Executive’s Harassment in China Adds to Fears Among Visitors

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *