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APÓS TROCA DE FARPAS

Clima entre Maia e o governo começa a acalmar

Presidente da Câmara almoça com Paulo Guedes e apoia a retomada do debate da reforma da Previdência. Bolsonaro diz que crise com Maia é ‘página virada’

Clima entre Maia e o governo começa a acalmar
Esforço pela reaproximação tem como objetivo enviar um sinal positivo ao mercado (Foto: Twitter/Rodrigo Maia)

O clima entre o governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), parece ter acalmado após uma semana marcada por troca de farpas entre ambos os lados.

Na tarde desta quinta-feira, 28, Maia almoçou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e alguns líderes de partidos da Câmara, num empenho para superar a crise e retomar o debate da reforma da Previdência.

“O convidei para retomarmos o diálogo sobre reforma. Vamos focar no que pode melhorar o país”, disse o presidente da Câmara.

Ao deixar o almoço, Guedes disse a jornalistas que participará “mais tranquilo” da audiência na Câmara marcada para a próxima semana e destacou o apoio recebido por parte de Maia.

“Eu vou mais tranquilo, certamente. Acredito que a reforma vai deslanchar, tenho recebido muito apoio do presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia, desde o dia que eu aterrissei em Brasília”, disse o ministro, ao lado de Maia,segundo informações do jornal Globo.

Em tom igualmente pacificador, Maia negou a existência de troca de farpas com o governo e destacou a importância da participação de Guedes na audiência para garantir a articulação da reforma na Câmara.

“Não tem farpa. Disse que estava na hora de parar, não vamos olhar para trás, não tem a disputa de quem começou, de quem errou. Tenho certeza que o importante é que a gente continue trabalhando. Na próxima semana, com a presença do ministro na CCJ, retomamos com força”, disse Maia.

Pela manhã, o presidente da Câmara também se acertou com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, em um café da manhã mediado pela líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP).

No encontro, Maia se comprometeu a acelerar a discussão do pacote anticrime de Moro na Câmara. “Os dois inauguraram um clima de paz”, disse Hasselmann, segundo noticiou a coluna da jornalista Monica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

Outro que amenizou o tom foi o presidente da República, Jair Bolsonaro, que, segundo noticiou a agência Reuters, afirmou a jornalistas nesta quinta-feira que a crise com Maia é “página virada”, ao deixar uma cerimônia em que recebeu a Ordem do Mérito Judiciário Militar.

“Para mim isso foi uma chuva de verão e agora o céu está lindo. O Brasil está acima de nós. Da minha parte não tem problema nenhum. Vamos em frente. Página virada”, disse o presidente.

A crise entre Maia e o governo teve início na semana passada, após o presidente da Câmara ser alvo de críticas no Twitter por parte de um dos filhos de Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Irritado, Maia abandonou a articulação da reforma da Previdência na Câmara, disse que não haveria problema se Bolsonaro não falasse com ele até o final do mandato, afirmou que o governo é “um deserto de ideias” e disse que o presidente deveria “sair do Twitter e ir para a vida real”.

O presidente respondeu em tom de ironia, comparando o impasse a uma briga com uma namorada. A comparação pareceu irritar ainda mais Maia, que no dia seguinte disse que Bolsonaro teria de “conseguir várias namoradas no Congresso” para aprovar a reforma da Previdência.

Os dois voltaram a trocar farpas na última quarta-feira, 27, após Bolsonaro afirmar que Maia está “um pouco abalado com questões pessoais”, o que pode ser interpretado como uma insinuação à prisão de Moreira Franco, que é padrasto da esposa de Maia e foi preso no último dia 21, sendo solto quatro dias depois.

Ainda na quarta-feira, Maia respondeu a declaração e Bolsonaro. “Abalados estão os brasileiros, que estão esperando desde 1º de janeiro que o governo comece a funcionar. São 12 milhões de desempregados, 15 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, capacidade de investimento do Estado brasileiro diminuindo, 60 mil homicídios e o presidente brincando de presidir o Brasil”, disse Maia.

Agora, o esforço pela reaproximação tem como objetivo enviar um sinal positivo ao mercado e garantir a confiança de que a reforma da Previdência será aprovada. Isso porque a crise no governo refletiu na economia, com o dólar chegando a R$ 3,96 na última quarta-feira – a maior cotação desde o primeiro turno das eleições – e a Bolsa despencando 3,6%, tendo avançado um ponto percentual nesta quinta-feira.

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1 Opinião

  1. Ester H. Schulz disse:

    Superada a crise, resta agora ao presidente colocar o fihote de castigo, sem internet por pelo menos uma semana. Só por garantia.

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