Início » Economia » Nacional » Cocaína está presente em 90% das cédulas de real
Pesquisa da UFF

Cocaína está presente em 90% das cédulas de real

Pesquisadores que analisaram notas de real no estado do Rio afirmam que é praticamente impossível não pegar em dinheiro com a droga

Cocaína está presente em 90% das cédulas de real
Descoberta é mais uma prova da disseminação da cocaína no estado do Rio de Janeiro (Foto: Pixabay)

Que dinheiro é sujo todo mundo sabe. A novidade é que boa parte dessa sujeira é cocaína. Segundo uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF), cerca de 90% das cédulas de real têm traços da droga.

“É virtualmente impossível não pegar notas com a droga. Elas estão distribuídas por toda parte”, explica o pesquisador Wagner Pacheco, do Departamento de Química da UFF.

A descoberta é mais uma prova da disseminação da cocaína em 11 municípios do estado do Rio de Janeiro. Mas o problema não é só no estado. Dados do Escritório de Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas mostram que o Brasil é um dos maiores mercados para a cocaína no mundo, superando os Estados Unidos, e o maior na América do Sul. Estima-se que 1,75% da população adulta do país seja usuário da droga.

O estudo da UFF foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e vem em um momento em que a possibilidade de descriminalização do consumo de drogas no país vem ganhando força.

Dinheiro sujo

Há três motivos para explicar a presença disseminada da cocaína nas notas. O primeiro é a frequência com que usuários as enrolam para servir de canudo na hora de aspirar a droga. O segundo é a porosidade das cédulas, que se mantém úmidas, facilitando a adesão do pó. O terceiro é a intensa circulação do dinheiro e a mistura das notas em máquinas de saque e nos bancos. Segundo Pacheco, uma nota pode contaminar muitas outras.

A cocaína aparece em concentrações ínfimas, só detectáveis em análises específicas. A concentração média por nota é de 50 a 300 microgramas (um micrograma é um milhão de vezes menor que um grama). Os pesquisadores garantem que as quantidades não representam um risco à saúde. Entretanto, as notas de valor mais baixo, que circulam mais, contêm mais cocaína.

A pesquisa usou 138 notas de regiões diferentes do estado para analisar uma amostragem representativa do estado. As cédulas vieram de lugares como o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Morro da Mangueira, Petrópolis e Maricá.

Fontes:
O Globo - Pesquisa inédita mostra que 90% das notas de real em circulação apresentam traços de cocaína

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *