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Como fica Inhotim depois da tragédia em Brumadinho? 

Inhotim abriga importante acervo de arte contemporânea do país – ali estão obras de Portinari, Di Cavalcanti e Guignard

Como fica Inhotim depois da tragédia em Brumadinho? 
Brumadinho torna-se o reflexo de um país corrupto, inconsequente e improvisado (Foto: Wikipédia)

Considerado o maior museu a céu aberto do mundo, Inhotim vive dias de angústia. A instituição está localizada exatamente no município de Brumadinho, palco do recente rompimento da barragem de rejeitos de minério da Vale que destruiu áreas da empresa, residências, propriedades e matou centenas de pessoas neste que já é o maior acidente ambiental e de trabalho – por número de mortos – da história do país.

Felizmente, o espaço cultural não foi atingido, mas o instituto instaurou um comitê de crise para avaliar danos e impactos do desastre e decidiu adiar a reabertura do parque, prevista inicialmente para esta sexta-feira (1º de fevereiro). Inhotim abriga importante acervo de arte contemporânea do país – ali estão obras de Portinari, Di Cavalcanti e Guignard entre outros – e conta com 600 funcionários – 80% deles morando na região.

“A tragédia provocou impactos diretos no Instituto, uma vez que 41 colaboradores têm familiares próximos desaparecidos ou com óbito declarado, e os demais procuram por amigos e pessoas conhecidas. A data de reabertura será comunicada assim que o Instituto avaliar o momento propício para abrir as portas novamente aos visitantes”, diz a nota divulgada pela instituição – reforçada, em seguida, em entrevista de seu diretor executivo, Antonio Grassi.

Como surgiu o nome Inhotim

Com 38 mil habitantes, Brumadinho abriga Inhotim desde 2004. Antes do desastre, o espaço estava aberto de terça a domingo e aos feriados, oferecendo passeios temáticos com monitores, além de visitas educativas para grupos escolares. Segundo os brumadinhenses, o parque foi uma fazenda no século XIX que pertencia a uma empresa mineradora, cujo responsável era um inglês chamado Timothy. O “senhor” Tim acabou virando “Inhô Tim”. A pousada, que por anos hospedou turistas e visitantes do instituto, foi devastada do mapa e seus proprietários e hóspedes estão entre os mortos e desaparecidos.

Marcas profundas e duradouras

O parque tem um jardim botânico com 4.300 espécies em cultivo. O local é o único da América Latina a abrigar a raríssima flor-cadáver – considerada a maior inflorescência do mundo – com três metros de altura. Durante a floração, a espécie – nativa da Ásia – exala forte odor de carne podre que atrai insetos.

Também na nota que divulgou para a imprensa, a diretoria de Inhotim entende que “o desastre deixará marcas profundas e duradouras” e “está ciente que terá um papel crucial na recuperação de uma cidade abalada nos próximos anos. Cultura, arte, meio ambiente e educação, os grandes pilares do Instituto, são fundamentais para o desenvolvimento humano e da sociedade e continuarão sendo ponto de partida para a definição de ações futuras”.

No momento em que se discutem multas para a mineradora Vale S. A. e se constata o impacto ambiental na região, como a poluição da água do Rio Paraopeba, Brumadinho torna-se o reflexo de um país corrupto, inconsequente e improvisado. E sofre as consequências de ser vizinho de uma mineradora irresponsável.

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4 Opiniões

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    Estive em Inhotim em 2016, pernoitando em Brumadinho. O parque é de fato sensacional, mas a coleção de obras de arte, uma tragédia que espero seja algum dia consertada. Independente das “instalações” de arte contemporânea uma pior que a outra, o local vale a visita pela excelência paisagística, a quantidade de exemplares de nossa flora, a organização impecável e infraestrutura turística.

  2. BS disse:

    O impacto dessa tragédia em Brumadinho é maio do que conseguimos imaginar agora. Será que Inhotim vai conseguir se manter viável?

  3. Ana Paula Almeida disse:

    Já estive em Inhotim duas vezes e amo aquele lugar.

  4. Rosangela disse:

    História do Brasil se apagando a cada dia 😪😪

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