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REUNIÃO EM OSAKA

Cúpula do G20 inicia em clima de tensão

Bolsonaro se reúne com Trump e Macron, reafirma compromisso com Acordo de Paris e viraliza na internet após citar bijuterias como aplicação para o nióbio

Cúpula do G20 inicia em clima de tensão
Encontro entre Bolsonaro e Trump foi marcado por troca de elogios (Foto: Flickr/Palácio do Planalto)

A Cúpula do G20 – grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia – teve início nesta sexta-feira, 28, em Osaka, no Japão, em clima de tensão entre líderes.

Dentre os principais temas que devem ser abordados na conferência estão: a tensão global decorrente da guerra comercial travada entre Estados Unidos e China; a crise nuclear envolvendo o Irã, desencadeada após a saída dos EUA do acordo nuclear com o país; a situação da Coreia do Norte; e o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE).

A cerimônia de abertura da cúpula foi presidida pelo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que fez um discurso em defesa do livre comércio.

“Economia livre e aberta é a base da paz e prosperidade. Temores e descontentamento em relação a rápidas mudanças, provocadas pela globalização, às vezes gera tentação de adotar protecionismo e graves conflitos entre nações. Contudo, a adoção recíproca de medidas comerciais restritivas não beneficiam país algum”, disse Abe, segundo noticiou a Agência Brasil.

Um dos momentos mais esperados é o encontro marcado entre o presidente americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, previsto para o próximo sábado, 29. Os dois líderes vêm elevando o tom na disputa comercial e no embate envolvendo a empresa de tecnologia chinesa Huawei – disputa cujo cerne é a liderança na tecnologia 5G.

Comitiva brasileira tem chegada conturbada

A chegada do presidente Bolsonaro e sua comitiva a Osaka foi turbulenta. Primeiro, o presidente teve a viagem ofuscada por um escândalo envolvendo um militar de sua comitiva que transportava 39 quilos de cocaína em um avião da FAB.

Em seguida, se envolveu em uma troca de farpas com a chanceler alemã, Angela Merkel, que, em discurso no Parlamento alemão, manifestou preocupação com o desmatamento no Brasil e disse que pretende aproveitar a cúpula para ter uma “conversa clara” sobre o tema com Bolsonaro.

O presidente brasileiro rebateu a chanceler, afirmando que o “presidente do Brasil que está aqui não é como alguns anteriores que vieram para serem advertidos por outros países”.

Além disso, houve um breve encontro entre Bolsonaro e o presidente francês, Emmanuel Macron, que havia dito na última quinta-feira, 27, que a França não assinaria qualquer acordo comercial com o Mercosul, caso o Brasil deixe o Acordo de Paris – declaração que não foi bem recebida pela comitiva brasileira.

Segundo noticiou o portal G1, no encontro com Macron, que foi à margem da cúpula e durou cerca de 20 minutos, Bolsonaro sinalizou a permanência do Brasil no acordo e disse esperar apoio da França no pacto comercial entre Mercosul e UE. Antes de se reunir com Macron, Bolsonaro já havia participado de uma reunião com membros do Brics (bloco que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) na qual foi assinada uma nota conjunta reafirmando o compromisso dos países do bloco com os objetivos do Acordo de Paris.

O presidente brasileiro se reuniu também com o presidente dos EUA, Donald Trump, num encontro em tom bem mais amistoso. A reunião também foi à margem da cúpula e foi marcada pela troca de afagos entre os líderes.

O presidente americano classificou Bolsonaro como “um homem especial, que está indo bem, é muito amado pelo povo do Brasil”. “Acho que dá para dizer que EUA e Brasil nunca estiveram tão próximos”, disse Trump, ao lado do presidente brasileiro e diante de repórteres.

Bolsonaro, por sua vez, manifestou apoio à reeleição de Trump em 2020 e disse “gostar muito” do presidente americano. Ele convidou Trump a visitar o Brasil. “Sempre o admirei desde antes das eleições, temos muita coisa em comum. Somos dois grandes países que juntos podem fazer muito pelos seus povos”, disse Bolsonaro.

Trump afirmou que visitará o país, mas não detalhou a data. Segundo informações da agência de notícias alemã Deutsche Welle, desde que foi eleito, em 2016, Trump visitou apenas um país sul-americano, a Argentina.

Os dois líderes discutiram a imposição de sanções econômicas mais duras à Venezuela e aliados do presidente Nicolás Maduro. Segundo o porta-voz da presidência, Otávio Rêgo Barros, Trump e Bolsonaro acreditam que “é por meio da pressão econômica que nós vamos conseguir viabilizar a democracia na Venezuela” e analisaram ações para “desidratar” os apoiadores financeiros de Caracas. “Obviamente, nós não podemos deixar de identificar Cuba”, disse o porta-voz, sem dar detalhes de quais ações seriam tomadas.

Fala sobre nióbio viraliza na internet

Uma transmissão ao vivo feita pelo presidente em Osaka viralizou nas redes sociais nesta sexta-feira. No vídeo, o presidente fala sobre nióbio e cita como exemplo de aplicação para o elemento químico a produção de bijuterias.

“Durante campanha eu falei tanto em nióbio, e eu estou no Japão. E eu falava que aqui no Japão, inclusive, tinha uma aplicação para o nióbio para bijuteria. Comprei aqui um cordãozinho. […] Temos aqui um pequeno cordãozinho. Ele é azul, mas tem de várias cores, de acordo com a têmpera do nióbio. […] A vantagem disso, em relação ao ouro, primeiro são as cores, que variam, e ninguém tem reação alérgica ao nióbio. Alguns têm ao ouro. Às vezes a mãe bota um brinquinho na orelha da menina. Menina, para deixar bem claro. E tem reação. E isso aqui, não tem. Isso de ouro, pelo peso, valeria talvez uns três mil reais no Brasil. Então, olha só. Bijuteria, entre aspas, de nióbio, sendo produzida e vendida aqui no Japão. Ainda não tá divulgado em todo mundo, mas a um preço um pouquinho acima do mesmo material, caso fosse ouro. […] As aplicações são muitas do nióbio, essa aqui é apenas bijuteria. Uma colherzinha aqui também. Aqui não é nióbio. Parece que é banhada em nióbio. Preço da colher: 150 dólares. Mais ou menos. Peraí, são duas…é 400 dólares o garfo e a colher…1200 reais…600 reais cada peça dessa aqui. […] E um pingentezinho também, serve pra botar no telefone, de nióbio também. Preço: 150 dólares, mais ou menos 600 reais”, disse o presidente (confira aqui o vídeo na íntegra)

A fala rapidamente se espalhou pelas redes sociais, se tornando meme e sendo comparada a anúncios da rede Polishop.

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2 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    Grande Capitão! Finalmente depois de mais de 30 anos voltamos a nos alinhar com a maior potência e maior democracia do mundo.

  2. Rogerio de Oliveira Faria disse:

    Esse cara é uma figura execrável…

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