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CURIOSIDADE

Da Patricinha ao Ricardão: os nomes com significados que nos divertem

Conheça a origem de nomes criados pela informalidade brasileira no que se pode chamar de 'epônimos contemporâneos'

Da Patricinha ao Ricardão: os nomes com significados que nos divertem
É grande a lista de nomes usados popularmente para descrever comportamentos (Foto: Pixabay)

Alguns nomes de pessoas são derivados de personagens da História. E personalidades importantes dão nome a lugares pelo mundo. Claudio, por exemplo, foi um imperador romano lembrado pelo fato de ser manco. O continente americano, por sua vez, recebeu este nome em homenagem ao navegador Américo Vespúcio. Pra ficar tudo em casa, o descobridor deste novo mundo, Cristóvão Colombo, é o epônimo que dá nome à Colômbia, enquanto que Simon Bolívar – que liderou as guerras de independência desta mesma América – batiza, como todo mundo sabe, o país vizinho, a Bolívia. São “eponímicas” também expressões como Abreugrafia e Cesariana – para citar apenas algumas.

No entanto, quis a informalidade brasileira criar o que se pode chamar de “epônimos contemporâneos”, o que nos leva a deixar a História de lado para cair na gandaia. Um nome próprio que ganhou um significado bem humorado é o famoso Ricardão, citado num esquete do antigo programa de rádio e TV “Balança, mas não cai”, em que o primo rico – interpretado por Paulo Gracindo – dizia ao primo pobre – vivido por Brandão Filho – que, quando viajava, deixava a mulher aos cuidados do Ricardão. O nome virou sinônimo de amante, consagrado há cerca de 70 anos.

O Bráulio e o ‘papo de cerca Lourenço’

Em 1996, surgiu na TV o personagem de uma campanha educativa mal sucedida – e de mau gosto – do Ministério da Saúde, cujo objetivo era disseminar o uso de preservativos. Num bar, sentado à mesa, um homem conversava com o próprio órgão sexual – a quem chamava de Bráulio – sobre as chances de conquistas naquela noite. O diálogo era politicamente incorreto e cheio de baixarias. A partir daí, nenhum Bráulio teve mais sossego na vida.

Muitos outros nomes – como vamos ver – ganharam significados engraçados e populares. Mas o assunto é também tão sério e importante que foi a tese de doutorado do estudioso Eduardo Tadeu Roque Amaral, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). No estudo, Amaral destaca também a existência de Maria-gasolina, Maria-mole, João-ninguém, Zé-maria – como alguns apelidam a morte – e lembra que o Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa tem 74 verbetes que começam com Maria e outros 72, com João.

Da Patricinha ao Mauricinho, é grande a lista de nomes usados popularmente para descrever diferentes comportamentos, pessoas ou mesmo objetos. Além dos Judas traidores e dos vaidosos Narcisos, tem ainda a Teresa – que é como os presidiários chamam aquela corda feita de lençóis, usada para pular grades, vencer muros e fugir de presídios.

Uma expressão surgida no Ceará explica aquela conversa que enrola e só tem o objetivo de ganhar tempo: é o papo de cerca Lourenço. No município do Crato, nos anos 1940, o beato Lourenço atraía muitos seguidores, o que desagradava aos coronéis da cidade. Até que alguns soldados foram chamados e ‘cercaram Lourenço’ a pretexto de conversar. O religioso acabou morto no episódio.

Para obter vantagens em determinadas situações e, principalmente, não acabar como o pobre Lourenço, pode-se dar uma de ‘Migué’ – fingindo uma coisa e fazendo outra. Em Portugal, irmão mais novo de Pedro I – então imperador do Brasil e primeiro da linha sucessória em Lisboa -, Miguel deu uma volta no primogênito, ao se casar com uma sobrinha, surrupiando o trono que deveria ser do irmão – rompendo acordo entre ambos. Nesse episódio, Pedro deu uma de Zé Mané!

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3 Opiniões

  1. Ana Letícia Paranhos disse:

    Muito esclarecedor e bem-humorado o texto. Vale publicar mais um sobre o tema.

  2. Flavio disse:

    Boa!! Muito interessante o assunto, e o texto bem escrito nos faz lembrar e rir de nomes que estiveram presentes em toda a minha vida e não sabia porque.
    Parabéns e obrigado.

  3. Almanakut Brasil disse:

    Tem o C* de Pinga, também!

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