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REPORTAGEM DA 'ÉPOCA'

Damares nega acusação de rapto de menina indígena

Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos se pronuncia sobre o caso e nega acusação de sequestro de menina indígena criada por Damares

Damares nega acusação de rapto de menina indígena
Damares apresenta Lulu Kamayurá como sua filha adotiva (Foto: Agência Brasil)

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A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, enfrenta uma nova polêmica, desta vez envolvendo uma acusação de sequestro de uma menina indígena, que foi criada por ela e hoje é apresentada pela ministra como sua filha adotiva, Lulu Kamayurá.

Damares Alves foi acusada por uma reportagem da revista Época de ter sequestrado Lulu de uma tribo indígena, quando a menina tinha seis anos, com o pretexto de levá-la para um tratamento dentário em Brasília. Porém, não teria mais devolvido a menina à tribo.

Na última quinta-feira, 31, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos se pronunciou sobre o caso. A Pasta emitiu uma nota, afirmando que Damares não estava presente no momento em que Lulu foi retirada de sua família para realizar um tratamento ortodôntico e iniciar os estudos em Brasília. A nota afirmou que Lulu “saiu [da tribo] com total anuência de todos” e definiu Damares como “cuidadora de Lulu”, afirmando que a ministra considera a indígena como uma filha.

Segundo a reportagem da Época, que entrevistou familiares de Lulu que vivem na tribo, a menina foi levada por Damares e Márcia Suzuki, amiga da ministra, que fundou junto com ela a ONG Atini, uma organização ligada à Igreja Metodista.

Na ocasião, Damares e Márcia teriam se apresentado como missionárias e alegaram que a menina precisava de tratamento dentário. Falando em tupi, a avó de Lulu, Tanumakaru, disse que a menina foi levada à força. “A branca levou Lulu”, disse Tanumakaru aos repórteres da Época. A frase ilustra o título da reportagem da revista.

O caso gerou polêmica e dividiu opiniões. Em um vídeo publicado no YouTube, Ysani Kalapalo – autoproclamada representante indígena da região de Alto Xingu – saiu em defesa de Damaris e rechaçou a reportagem da Época.

No entanto, há controvérsia em relação ao fato de Ysani se declarar uma liderança indígena e a postura adotada por ela já gerou críticas em sua própria tribo. O caso ocorreu em outubro do ano passado, ainda durante as eleições presidenciais. Ysani visitou o então candidato Jair Bolsonaro (PSL) e declarou apoio do povo Kalapalo, sua etnia, a sua candidatura. A notícia foi recebida com indignação pela tribo e o cacique Tafukumã gravou um vídeo em repúdio a Ysani. As declarações do cacique foram apoiadas em uma nota da Associação Terra Indígena Xingu (Atix), que repudiou o que chamou de “falsa representação” de Ysani.

Retorno para a família

Segundo noticiou a reportagem da Época, a família de Lulu pede que Damares deixe a menina retornar para a aldeia e alegou que pessoas estão distorcendo os fatos como realmente aconteceram.

“As pessoas de lá estão inventando muito. Para nós, é muito feio isso. Diz que o pessoal [os indígenas] não gosta, que pessoal quer enterrar [crianças]. É tudo mentira. É só para ela ficar na cidade. Não foi a Damares que sofreu. Ela é falsa. Tá roubando a Lulu. Ela não pode fazer isso com o índio”, disse Tainá, prima de Lulu, em um vídeo gravado pelos repórteres.

Segundo a mãe biológica de Lulu, Damares disse em um telefonema há alguns anos, que só devolveria a menina se lhe dessem outra criança.

Polêmicas

Esta não é a primeira polêmica envolvendo a ministra. Recentemente, veículos holandeses noticiaram uma fala da ministra, dita em um culto em 2013, na qual ela afirmava que é comum na Holanda os pais contarem fábulas sexuais para bebês e promover a satisfação sexual dos mesmos.

Um dos veículos, a rede RTL Nieuws, cita a declaração de Damares, na qual a ministra afirma que “na Holanda, eles [os governantes] distribuem uma cartilha para os pais, na qual são ensinados a massacrar seus filhos sexualmente”.

A ministra também quer dar prioridade à aprovação do Estatuto do Naciturno, que aborda temas polêmicos, como o que prevê transformar o aborto em crime hediondo.

Os opositores do estatuto afirmam que as medidas pré-estabelecidas por Damares seriam um retrocesso. O Artigo 12 do texto prevê que “é vedado ao Estado e aos particulares causar qualquer dano ao nascituro em razão de um ato delituoso cometido por algum de seus genitores”, o que pode ser interpretado como uma forma de coibir o aborto em caso de estupro.

O Artigo 13 determina que nascituros concebidos de atos de violência recebam pensão do pai (no caso, o estuprador) até que completem 18 anos. Caso o pai não tenha o paredeiro identificado e a mãe não possa arcar com as despesas, o Estado fica encarregado de pagar o benefício até que o pai seja encontrado.

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