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ESTUDO

Derretimento da camada de gelo da Groelândia é o maior dos últimos três séculos

Estudo aponta evidências do impacto das mudanças climáticas no derretimento do Ártico e na elevação global do nível do mar

Derretimento da camada de gelo da Groelândia é o maior dos últimos três séculos
A perda de gelo é um dos principais impulsionadores da elevação global do nível do mar (Foto: Wikipédia)

De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature, o derretimento da camada de gelo da Groelândia é o maior dos últimos três séculos. Segundo o estudo, o derretimento aumentou no início do século XIX, se intensificou no século XX e se elevou drasticamente no início deste século, sem indícios de diminuição.

O estudo aponta evidências do impacto das mudanças climáticas no derretimento do Ártico e na elevação global do nível do mar. “O derretimento da camada de gelo da Groelândia entrou em colapso. Como resultado, o derretimento está aumentando o nível do mar mais do que durante os últimos três séculos e meio. E o aumento do derretimento começou na mesma época em que começamos a alterar a atmosfera em meados do século XIX”, disse Luke Trusel, glaciologista da Escola de Terra e Meio Ambiente da Universidade de Rowan.

A também glaciologista, Sarah Das, do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI) e co-autora do estudo, disse que “a partir de uma perspectiva histórica, as taxas de derretimento de hoje estão fora das tabelas, e este estudo fornece as evidências para provar isso”. “Encontramos um aumento de 50% no total do escoamento de água de gelo em comparação com o início da era industrial e um aumento de 30% desde o século XX”, disse Sarah.

Aumento do nível do mar

A perda de gelo é um dos principais impulsionadores da elevação global do nível do mar. Os icebergs chegam ao oceano a partir da borda das geleiras elevam o nível do mar.

Mais da metade da água da camada de gelo vem do escoamento de neve derretida e do gelo glacial do topo das geleiras. O estudo sugere que, se o derretimento na Groelândia continuar em “taxas sem precedentes” – o que é estimulado pelos verões mais quentes observados nos últimos anos – pode acelerar mais ainda a subida do nível do mar.

“Ao invés de aumentar constantemente conforme o clima se aquece, a Groelândia vai derreter cada vez mais para cada grau de aquecimento. A elevação do nível do mar e do derretimento que já observamos será diminuída pelo que pode ser esperado no futuro, enquanto o clima continua aquecido”, disse Trusel.

Estudo

Para determinar a intensidade com que o gelo derreteu durante os séculos, a equipe do estudo utilizou uma broca com um tamanho semelhante a de um poste de luz, a fim de extrair amostras de gelo da camada, junto de uma camada de gelo costeira adjacente, em locais com mais de 2.000 metros acima do nível do mar.

Os cientistas perfuraram as elevações para garantir que os núcleos contivessem registros da intensidade do degelo passado, fazendo com que atualizassem seus registros de volta ao século XVII. Durante os dias mais quentes do verão, o derretimento ocorre principalmente na superfície da camada de gelo. Em baixas altitudes, a água derretida escorre da camada de gelo, contribuindo para a elevação do nível do mar.

Em altitudes mais elevadas, a água de degelo do verão recua rapidamente do contato com a camada de neve abaixo do ponto de congelamento, que fica embaixo. Isso acaba por impedir o escapamento da camada de gelo na forma de escoamento. Com isso, faixas geladas de formas distintas se acumulam na camada de gelo denso ao longo do tempo.

Amostras do núcleo foram levadas aos laboratórios de gelo da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, localizada em Denver, no Colorado, e para o Instituto de Pesquisa do Deserto em Reno, em Nevada.

Cientistas mediram as propriedades do núcleo, determinando a espessura e idade da camadas fundidas. Faixas escuras permitiram que os cientistas atribuíssem ao estudo, a força do derretimento que representa os anos de maiores fusões. As seções mais finas, em contrapartida, indicam os anos com menos derretimento.

Ao combinar os resultados de diversos núcleos de gelo e observações de satélites, os cientistas mostraram que a espessura das camadas de derretimento anuais rastreou não só o quanto de derretimento ocorria nos locais de perfuração, mas também em toda a Groelândia. A inovação permitiu com que fosse construído um escoamento de água de degelo nas bordas de elevação mais baixas da camada de gelo, que são as que aumentam o nível do mar.

“Nós sentimos que houve um grande derretimento nas últimas décadas, mas antes não tínhamos base para comparação com as taxas de derretimento mais antigas. Através da amostragem de gelo, fomos capazes de estender os dados de satélite por um fator de 10 e obter uma imagem mais clara de quão extremamente incomum tem sido o derretimento nas últimas décadas em comparação com o passado”, disse Matt Osman, um dos participantes do estudo.

Trusel relatou que a pesquisa fornece provas de que o derretimento observado nas última décadas é altamente incomum, comparado com o contexto histórico. “Para poder responder o que pode acontecer com a Groelândia, precisamos entender como a Groelândia já respondeu à mudança climática. O que nossos núcleos de gelo mostram é que a Groelândia está agora em um estado onde é muito mais sensível a novos aumentos de temperatura do que há 50 anos atrás”, afirmou Osman.

Fontes:
G1-Derretimento da camada de gelo da Groenlândia é o maior dos últimos três séculos, diz relatório

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