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EBULIÇÃO SOCIAL

Domingo é marcado por manifestações no mundo

Chilenos protestam contra o colapso no acesso a serviços essenciais; libaneses prometem derrubar o governo; Hong Kong tem a 20ª semana de atos por autonomia

Domingo é marcado por manifestações no mundo
No Chile, novos protestos foram convocados para esta segunda-feira, 21 (Foto: Twitter/Tweeno)

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Manifestações populares mobilizaram centenas de milhares de pessoas, divididas no Chile, Líbano e Hong Kong no último domingo, 20.

No Chile, que chegou ao terceiro dia de manifestações no domingo, o governo do presidente Sebastián Piñera decretou toque de recolher das 19h às 6h da manhã desta segunda-feira, 21.

O país vive uma intensa onda de protestos desde que o governo anunciou, na última sexta-feira, 18, um aumento de 30 pesos – o equivalente a 20 centavos de real – na tarifa do metrô. No sábado, os protestos se agravaram e o Exército foi colocado nas ruas pela primeira vez desde a ditadura militar no país. Foram colocados pelo menos 9.500 militares nas ruas. Segundo o ministro do Interior chileno, Andrés Chadwick, pelo menos sete pessoas morreram em meio aos protestos, mas alguns veículos de comunicação do país já falam em dez mortos. O número de presos nas manifestações gira em torno de 1.500.

Na noite de sábado, Piñera anunciou a suspensão do aumento em um pronunciamento oficial transmitido pela TV. Porém, a onda de manifestações não cessou. Isso porque, embora o reajuste, tenha sido o estopim, as reais demandas por trás dos protestos são as queixas de que o acesso à saúde e educação estão nas mãos de corporações privadas, em meio a uma forte desigualdade social, redução nas aposentadorias e aumento nos custos de serviços essenciais. Pelas redes sociais, novos protestos foram convocados para esta segunda-feira, sob a hashtag #ChileDespertó. Muitos idosos participaram dos atos, expressando indignação contra o sistema previdenciário e o esmagamento da qualidade de vida na faixa etária, que faz do país um dos com a maior taxa de suicídio entre idosos.

Em um novo pronunciamento na noite do último domingo, Piñera adotou um tom mais grave contra as manifestações e chegou a afirmar que o país está “em guerra”. Seu discurso, no entanto, não focou a crise que afeta as camadas sociais, em especial as mais baixas. Em sua fala, o presidente enfatizou danos materiais registrados nos protestos e destacou que os atos afetam o direito de ir e vir da população. Ele classificou os manifestantes como “inimigos” e disse que fará tudo ao seu alcance para que as pessoas retomem suas vidas.

“Estamos em guerra contra um inimigo poderoso, implacável, que não respeita ninguém e está disposto a usar a violência e a delinquência sem limite algum. Não será fácil, mas vamos ganhar essa batalha. Destruíram o metrô, que é vital para as pessoas. Se concentraram em destruir supermercados para privar as pessoas do direito de se abastecerem. Tentaram queimar hospitais”, disse Piñera.

Milhares de manifestantes participaram das manifestações em Hong Kong (Foto: Twitter/HKFP)

Em Hong Kong, milhares de manifestantes desafiaram a proibição do governo em foram às ruas protestar no 20º fim de semana consecutivo de manifestações em defesa da autonomia da região em relação à China.

Milhares de manifestantes participaram das manifestações de domingo, mesmo com a proibição do governo, que apontou como justificativa para a censura aos protestos a escalada de violência entre a polícia e a ala mais radical dos manifestantes.

Na noite de sábado, um jovem de 19 anos que distribuía panfletos convocando pessoas para a manifestação do dia seguinte foi gravemente ferido por um agressor que o esfaqueou no pescoço e no abdômen. Três dias antes, Jimmy Sham, um dos principais organizadores dos protestos, foi hospitalizado após ser atacado com martelos por um grupo não identificado.

A onda de manifestação teve início em junho, após o governo anunciar um projeto que autorizava extradições para a China. O projeto teve forte repercussão negativa, o que levou a líder do governo da região semiautônoma, Carrie Lam, a retirar a proposta. Porém, a medida não cessou as manifestações. Para a população de Hong Kong, está em jogo o princípio “um país, dois sistemas”, garantido após o Reino Unido devolver a soberania da região para a China, em 1997.

Líbano vive em meio a uma grave plano de austeridade (Foto: Twitter/Ibrahim Halawi)

No Líbano, centenas de milhares foram às ruas no quarto dia de protestos contra o governo e a grave crise econômica que assola o país. Segundo informou a Deutsche Welle, o estopim dos protestos foi o anúncio de um aumento nas tarifas para chamadas telefônicas feitas via internet. Porém, assim como ocorreu no Chile e em Hong Kong, o elemento que desencadeou as manifestações foi apenas um pano de fundo, que galvanizou o crescente descontentamento popular contra a corrupção e a má gestão no país.

Prova disso é que, segundo noticiou a rede Al Jazeera, já no segundo dia de protestos os manifestantes começaram a classificar os atos como “revolução política”. Durante os atos, os manifestantes entoam frases como “O povo quer derrubar o regime” e “O povo é um só”.

Atualmente, o Líbano vive em um grave plano de austeridade – do qual fazia parte o reajuste de tarifa para chamadas online. As reformas econômicas vêm sendo lideradas pelo governo do primeiro-ministro Saad Hariri. Porém, a forte rejeição popular e a demora para a apresentação de resultados vêm levando à debandada de apoio da coalizão de governo de Hariri, o que coloca em xeque a gestão do primeiro-ministro.

Nesta segunda-feira, 21, expira o prazo de 72 horas dado por Hariri a parceiros da coalizão para que aprovem seu plano de reformas.

O Líbano um dos países mais endividado do mundo. Atualmente, as dívidas do país giram em torno de US$ 86 bilhões – o equivalente a 150% do PIB.

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