Início » Economia » Internacional » Economista sugere que a crise do euro está longe do fim
Livro

Economista sugere que a crise do euro está longe do fim

Em 'The Euro Trap' o economista liberal Hans-Werner Sinn afirma que a crise na Europa tem caráter crônico

Economista sugere que a crise do euro está longe do fim
A atual situação vem exercendo uma nova pressão sobre a chanceler alemã, Angela Merkel (Reprodução/Internet)

A crise do euro parece nunca ter fim. A partir de uma fase aguda de preocupações com a dívida pública e a vulnerabilidade da moeda, ela passou a assumir um caráter crônico, com crescimento quase zero e temores de deflação. Os sinais são de que a zona do euro está agora de volta à recessão, mesmo com a economia alemã, o motor principal, desacelerando drasticamente. A atual situação vem exercendo uma nova pressão sobre a chanceler alemã, Angela Merkel; adquirir empréstimos e gastar mais em prol da Europa.

No entanto, há uma forte resistência a isso dentro da Alemanha, liderada por economistas “ordoliberais”, como Hans-Werner Sinn, da Universidade de Munique e do Grupo CESifo, cujo mais recente livro, “The Euro Trap”, expõe a sua base lógica.

Sinn acredita que o Banco Central Europeu se tornou complacente demais e que seus planos para comprar dívida soberana são ilegais (o Tribunal de Justiça Europeu acaba de ouvir argumentos sobre isso). Ele também avalia que os resgates financeiros na zona do euro dos últimos quatro anos criaram risco moral, permitindo que os países mediterrâneos irresponsáveis saíssem impunes com reformas mínimas e disciplina orçamentária limitada.

Sinn é particularmente obcecado com os compromissos da Meta 2 – a primeira versão alemã do seu livro foi chamado de “The Trap Target” – que se refere às contas dos bancos centrais nacionais com o BCE. O Bundesbank alemão é um grande credor do sistema e a maioria dos bancos centrais do Mediterrâneo são grandes devedores.

O autor teme que os contribuintes alemães acabem tendo de assumir uma enorme dívida. No entanto a Meta 2 é essencialmente uma questão de contabilidade que só se tornaria um problema real se o euro  quebrasse e o BCE fosse dissolvido.

Paradoxalmente, o risco de isso acontecer é aumentado pela austeridade inspirada nos moldes alemães e pela ausência de crescimento. A solução do Sr. Sinn para os problemas do euro também é problemática: ele quer que alguns países abandonem o euro e retornem a uma taxa inferior. Enquanto isso, Merkel e os seus conselheiros refletiram seriamente sobre uma saída da Grécia (ou Grexit), como observa Sinn. Mas cada vez que consideravam isso, concluíam que seria mais caro, inclusive para a Alemanha, do que fazer o que é necessário para manter a moeda em unida. Isso continua sendo verdade.

Não conforta muito o Sr. Sinn  o relato ardente de Yannis Palaiologos acerca do pesadelo da Grécia dos últimos cinco anos. Receita fiscal ruim, corrupção arraigada e um estado disfuncional nos faz indagar como a Grécia foi inserida no euro em primeiro lugar.

A dor causada por uma queda de cerca de 25% do PIB desde o primeiro resgate econômico da Grécia, em maio de 2010, tem sido imensa. No entanto, os gregos ainda querem ficar no euro. As reformas já melhoram a competitividade e ainda reanimaram o crescimento. Ainda pode haver aborrecimentos políticos — a análise do autor sobre o partido de extrema direita, Golden Dawn (Alvorada Dourada), é preocupante — mas, pelo menos, a Grécia está na emenda. As preocupações atuais, como observa o Sr. Sinn, são a França e Itália, ambas grandes demais para falir e para serem resgatados. Não admira que a crise do euro não acabou.

 

Fontes:
The Economist-Ordoliberalism revisited

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *