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ONDA DE MANIFESTAÇÕES

Egito prende quase 2 mil para desestimular protestos contra Sisi

Governo egípcio eleva repressão para desestimular protestos marcados para o próximo fim de semana contra o regime de Abdel Fatah al-Sisi

Egito prende quase 2 mil para desestimular protestos contra Sisi
Protestos contra Sisi irromperam no último fim de semana (Foto: Twitter/The Divine Prince)

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O governo egípcio tem deixado claro que não tolerará os protestos marcados para o próximo fim de semana contra o regime de Abdel Fatah al-Sisi.

Desde o último fim de semana, quando irromperam os protestos contra Sisi, quase 2 mil pessoas foram presas no país. Em nota, divulgada nas redes sociais, o Ministério do Interior do país pediu “aos cidadãos que cumpram as regras de manutenção da ordem e da lei pública” e alertou “que enfrentará com determinação qualquer tentativa de desestabilizar o país”.

O autocrata Sisi chegou ao poder em 2013, após derrubar, via golpe militar, Mohamed Morsi, o primeiro presidente democraticamente eleito no país, após 30 anos de ditadura de Hosni Mubarak que renunciou em meio aos protestos da Primavera Árabe.

Condenado à morte em 2015, Morsi morreu em junho deste ano, após passar mal durante um depoimento em um tribunal no Cairo. A principal suspeita é de que a morte tenha sido fruto das condições precárias nas quais ele era mantido na prisão, onde ficava 23 horas por dia na solitária e tinha o acesso a tratamento médico negado. A ONU pediu uma investigação “minuciosa e independente” da morte de Morsi. O governo egípcio, por sua vez, acusou a organização de “politizar um caso de morte natural”.

Desde que chegou ao poder, Sisi vem revertendo as liberdades civis conquistadas na Primavera Árabe e sem mantém na liderança do governo graças ao apoio do Exército. A oposição e a dissidência política têm sido quase extintas e toda forma de protesto tem sido extremamente perigosa. A região central da capital Cairo é fortemente vigiada, e batalhões de choque e policiais à paisana circulam pela Praça Tahrir, epicentro dos protestos da Primavera Árabe no país.

Durante os protestos, transeuntes e pessoas que não estão participando das manifestações também são presas. Segundo noticiou o Guardian, os dados sobre as prisões têm sido compilados pela Egyptian Center for Economic & Social Rights, uma ONG que atua em prol da justiça, liberdade e igualdade.

Figuras proeminentes da oposição vêm sendo perseguidas e presas, mesmo quando não há evidências de participação nos protestos ou estímulo às manifestações. Ativistas de direitos humanos, jornalistas e cientista políticos também são alvos de perseguição e prisão.

A onda de manifestação atual foi desencadeada após o egípcio Mohamed Ali – empresário do ramo de construção ex-contratado do Exército – divulgar uma série de vídeos nos quais acusa Sisi de corrupção. Atualmente, ele vive em exílio voluntário na Espanha e usa suas redes sociais para convocar as manifestações.

A agitação nas ruas, no entanto, também vem sendo alimentada por protestos bem sucedidos em outros países da África. Em abril, manifestações resultaram na renúncia de Abdelaziz Bouteflika, que comandava a Argélia desde 2009; no mesmo mês, o ditador Omar al-Bashir foi deposto no Sudão.

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