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REINO UNIDO

Empresários britânicos fazem alerta sobre Brexit

Em carta ao futuro sucessor de Theresa May, principal organização empresarial do país pede um Brexit com acordo

Empresários britânicos fazem alerta sobre Brexit
CBI representa 190 mil empresas (Foto: The CBI/Flickr)

Os maiores empresários do Reino Unido defenderam, através de uma carta aberta ao próximo primeiro-ministro, que a saída da União Europeia (Brexit) ocorra através de um acordo.

A carta foi assinada pela diretora-geral da Confederação de Indústria Britânica (CBI), Carolyn Fairbairn, e divulgada na última quinta-feira, 30. O pedido, feito ao próximo primeiro-ministro, se divide em três objetivos:

“Mostrar ao mundo que o Reino Unido é um ótimo lugar para negócios; construir uma visão convincente para o futuro do Reino Unido; e voltar os esforços para demonstrar que um bom negócio é bom para a sociedade”, resumiu o CBI através das redes sociais.

O CBI representa 190 mil empresas e é a principal organização empresarial britânica. Segundo a carta, os últimos anos foram difíceis para os empresários britânicos, o que culminou em uma frustração crescente à medida que o Brexit não é decidido.

“Está claro que para as grandes e pequenas empresas que sair da UE [União Europeia] com um acordo é o melhor caminho. Em caso de saída sem acordo, as perturbações em longo prazo para a competitividade britânica serão graves”, destacou Fairbairn no documento.

Ainda não se sabe quem será o próximo primeiro-ministro britânico. A atual premier, Theresa May, vai deixar o cargo no próximo dia 7 de junho, depois que falhou em garantir a saída da União Europeia. O Brexit deve ocorrer até o próximo dia 31 de outubro, depois que May conseguiu uma nova extensão da data em negociações com a União Europeia.

O mais cotado para ocupar o cargo deixado por May é o conservador Boris Johnson, ex-prefeito de Londres, que chegou a integrar o governo da atual primeira-ministra. Pró-Brexit, Johnson dificilmente perderá o cargo, mas ele conta com a concorrência, principalmente, do ex-secretário do Brexit Dominic Raab, do secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt, e do secretário do Meio Ambiente, Michael Gove.

Incerteza ruim para empresas

Diante de uma incerteza crescente a respeito do Brexit, que pode ocorrer sem acordo e prejudicar o relacionamento do Reino Unido com o restante da União Europeia, muitas empresas passaram a mudar a forma de atuação no país.

Algumas foram à falência, como o grupo siderúrgico British Steel e a companhia aérea britânica British Midland Regional Limited (Flybmi), que anunciou o encerramento das atividades no último mês de fevereiro.

Outras mudaram de país. Estima-se que, ao longo de 2018, 42 empresas deixaram o território britânico e migraram para a Holanda. Em janeiro deste ano, a Agência de Investimento Estrangeiro na Holanda (NFIA, na sigla em inglês) informou que outras 250 companhias, entre britânicas e internacionais, devem levar as atividades para território holandês ainda em 2019.

A montadora Honda foi outra empresa a anunciar que vai encerrar as atividades no Reino Unido. A companhia japonesa afirmou que vai fechar sua única fábrica no país até 2021, colocando em risco 3,5 mil empregos. A Nissan vai seguir caminho semelhante, passando a produzir a próxima geração de automóveis em sua fábrica no Japão, não no Reino Unido.

Como as compatriotas, a Toyota já admitiu que também pode deixar o Reino Unido devido ao Brexit. “Se o ambiente para os negócios se tornar muito, muito difícil, entre as opções também deve figurar uma saída”, afirmou o diretor da Toyota Europa, Johan Van Zyl.

Fontes:
AFP-Empresários britânicos fazem alerta ao próximo primeiro-ministro sobre o Brexit

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