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EX-PRESIDENTE BOLIVIANO

Evo Morales chega à Argentina com status de asilado

Ex-presidente boliviano passou um mês no México antes de rumar para a Argentina. Analistas debatem se chegada pode piorar relação entre Brasília e Buenos Aires

Evo Morales chega à Argentina com status de asilado
Morales não esclareceu o real motivo que o levou até a Argentina (Foto: Kremlin.ru)

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O ex-presidente da Bolívia Evo Morales chegou à Argentina na última quinta-feira, 12, recebendo status de asilado – que deve evoluir para refugiado num futuro próximo. A chegada de Morales foi anunciada pelo ministro argentino das Relações Exteriores, Felipe Solá.

Morales deixou a Bolívia e chegou ao México no último dia 12 de novembro, onde permaneceu ao longo de um mês em asilo. A fuga do ex-presidente da Bolívia se deu após o mesmo acusar um golpe contra o seu governo, que tinha sido reeleito, sob suspeita de fraude eleitoral, dias antes. Após renunciar, Morales rumou para o México.

“Há um mês cheguei ao México, país irmão que salvou a nossa vida, estava triste e destroçado. Agora cheguei à Argentina, para continuar lutando pelos mais humildes e para unir a #PátriaGrande, estou forte e animado. Agradeço ao México e à Argentina por todo seu apoio e solidariedade”, escreveu Morales nas redes sociais.

Além de Morales, também partiram para o asilo na Argentina o ex-vice-presidente Álvaro García Linera, a ex-ministra Gabriela Montaño e o ex-embaixador da Bolívia na Organização dos Estados Americanos (OEA), José Alberto Gonzales, que estavam com o ex-presidente boliviano no México.

Segundo o chanceler argentino, o ex-presidente boliviano chegou no país “para ficar”. Felipe Solá disse ainda que Evo Morales se sente “mais confortável” na Argentina do que no México. Morales chegou ao país dois dias depois do novo presidente, Alberto Fernández, tomar posse. O México tem um governo de esquerda, enquanto a Argentina elegeu Fernández em uma coalizão de centro-esquerda.

Apesar da declaração de Solá, não foi esclarecido oficialmente por que Morales decidiu trocar o México pela Argentina. Algumas pessoas apontam que o motivo seria para ficar mais próximo dos filhos, Evaliz e Álvaro Morales, que estão exilados em Buenos Aires.

Além disso, em La Matanza, distrito de uma região conhecida como Grande Buenos Aires – mas fora da capital argentina -, residem 350 mil bolivianos, segundo o Censo de 2010. Já associações comunitárias dizem que o número de residentes pode chegar até 2 milhões de bolivianos. Analistas apontam também a proximidade entre os países como um dos motivos, o que pode indicar uma estratégia de retorno de Morales.

Ademais, apesar de não ser candidato para a corrida presidencial da Bolívia, prevista para o início de 2020, Morales terá atuação direta no pleito. Isso porque o partido de Morales, o Movimento para o Socialismo (MaS) o declarou chefe de campanha no último domingo, 8, demonstrando que o ex-presidente não ficará isolado politicamente.

“Evo é um emblema… e terá que ser quem decide quem são os candidatos. Política é basicamente a sua vida. […] Onde quer que ele esteja, sempre o respeitaremos. […] Ele sempre terá um papel importante a desempenhar na política de nosso país”, afirmou a senadora Eva Copa, do MaS.

Por enquanto, porém, não há maiores indicações de que Morales pretende se envolver diretamente na política boliviana – apesar de ter agradecido e aceitado o cargo de chefe de campanha. No entanto, para permanecer na Argentina, Morales terá que se abster de tentar influenciar a política do país.

“Queremos o compromisso de Evo de não fazer declarações políticas na Argentina. É uma condição que nós pedimos”, destacou o chanceler Felipe Solá. O ministro das Relações Exteriores não revelou onde Morales vai ficar. No entanto, para um pedido de refúgio formal – um status mais avançado do que de asilo -, é necessária a declaração de residência fixa no país.

Influência externa

O impacto da estadia de Morales na Argentina ainda divide a opinião de analistas internacionais. Todos concordam que o asilo argentino ao ex-presidente boliviano tem potencial de irritar presidentes da extrema-direita, como o republicano Donald Trump, dos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro, do Brasil.

“Isto [Morales na Argentina] certamente não agradará Bolsonaro ou Trump, mas indo além do discurso político, quando se trata de concordar com questões concretas, Evo Morales não tem tanta relevância”, afirmou o consultor político e sociólogo Raúl Aragón à AFP.

Porém, enquanto alguns afirmam que não terá impacto direto nas relações, outros argumentam que a chegada de Morales à Argentina pode aumentar ainda mais a tensão entre o novo governo de Alberto Fernández e de Bolsonaro, dificultando a relação comercial entre os países – a Argentina é o mais importante parceiro comercial do Brasil na América do Sul e o terceiro maior parceiro do Brasil no mundo, atrás apenas de China e EUA.

Durante a campanha presidencial argentina, Bolsonaro se posicionou, em diferentes oportunidades, favorável a reeleição do ex-presidente Mauricio Macri e contrário à volta do kichnerismo ao poder – Cristina Kirchner é vice-presidente da Argentina. Após a ascensão de Fernández ao poder, as críticas de Bolsonaro não cessaram, apontando uma “má escolha” dos argentinos.

Em seguida, disse que não iria comparecer à posse de Fernández, que ocorreu no último dia 10 de dezembro. Em um primeiro momento, apontou que enviaria o ministro da Cidadania, Osmar Terra, para a posse, mas recuou. Mais tarde, indicou que apenas o embaixador brasileiro na Argentina iria comparecer, mas recuou novamente. Por fim, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, foi o responsável por representar o Brasil na posse presidencial.

Com a ausência de Bolsonaro, essa foi a primeira vez em 30 anos que um presidente brasileiro não compareceu à posse de um representante eleito na Argentina. Em 2001 e 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso não compareceu às posses de Eduardo Duhalde e Adolfo Rodríguez Saá. Porém, estes foram alçados ao poder pelo Congresso, não por voto popular.

Antes disso, desde 1989, os presidentes brasileiros sempre compareceram às posses presidenciais na Argentina. José Sarney esteve presente naquele ano, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff em duas outras posses presidenciais, cada.

Devido à essa rusga entre Brasil e Argentina, acredita-se que a presença de Morales – que também foi criticado por Bolsonaro em diferentes oportunidades – no país tem potencial para piorar a relação entre os países.

“Entre a retórica raivosa de Bolsonaro e a resposta – que provavelmente virá da [vice-presidente da Argentina] Cristina Fernández – eu posso ver uma maré de tensão verbal”, destacou Ivan Briscoe, diretor da América Latina e do Caribe no International Crisis Group, em entrevista ao Guardian.

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2 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    Transformem toda essa maldição dos Incas em pó e joguem no mar de CUba, para não contaminar mais o solo da América do Sul.

  2. Frances disse:

    A pergunta que nao me deixa calar…. PORQUE ESTES SOCIALISTAS/COMUNISTAS NAO BUSCAM EXILIO NA VENEZUELA, CUBA, COREIA DO NORTE…?

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