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CULTURA

Governo nomeia presidentes da Funarte e da Biblioteca Nacional

Para a Biblioteca Nacional, foi nomeado Rafael Alves da Silva, seguidor de Olavo de Carvalho. Para a Funarte, foi nomeado o maestro bolsonarista Dante Mantovani

Governo nomeia presidentes da Funarte e da Biblioteca Nacional
Nomeações integram o rol de mudanças promovidas pelo governo federal no setor de Cultura (Foto: Halleypo)

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O governo federal nomeou nesta segunda-feira, 2, os novos presidentes da Biblioteca Nacional e da Fundação Nacional das Artes (Funarte). A antiga presidente da Biblioteca Nacional, Helena Severo, também foi exonerada. As nomeações foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU).

Para o comando da Biblioteca Nacional foi nomeado Rafael Alves da Silva, mais conhecido como Rafael Nogueira, que, segundo noticiou o jornal Globo, é seguidor do astrólogo e ideólogo Olavo de Carvalho.

O maestro Dante Mantovani, por sua vez, vai assumir a presidência da Funarte. Mantovani é bolsonarista, participou do II Simpósio Nacional Conservador de Ribeirão Preto, realizado em julho deste ano, é crítico ferrenho do Supremo Tribunal Federal (STF) e publica artigos em sites governistas, como o Terça Livre.

Em agosto de 2018, durante a campanha presidencial, Mantovani acompanhou Bolsonaro em comícios por quatro cidades do interior de São Paulo. Em um artigo sobre o tour, publicado no Terça Livre, ele chama Bolsonaro de “mito”, diz que sua candidatura é a “única decente” e conclui: “Deus permitirá que JAIR MESSIAS BOLSONARO seja o Presidente de TODOS os brasileiros a partir de 01 de janeiro de 2019”.

As novas nomeações integram o rol de mudanças promovidas pelo governo federal no setor de Cultura desde o início do mês de novembro. No último dia 6 de novembro, o então secretário especial de Cultura, Ricardo Braga, foi exonerado do cargo.

No dia seguinte, através de um decreto publicado no Diário Oficial, o presidente Jair Bolsonaro transferiu a Secretária Especial de Cultura para o Ministério do Turismo, comandado pelo ministro Marcelo Álvaro Antônio. Antes, a Pasta, que perdeu o status de ministério no início do governo Bolsonaro, era ligada ao Ministério da Cidadania, dirigido pelo ministro Osmar Terra.

No mesmo dia, o dramaturgo Roberto Rego Pinheiro, mais conhecido como Roberto Alvim, que então ocupava o cargo de diretor da Funarte, ascendeu ao cargo de secretário especial de Cultura. Alvim, alinhado ao perfil de Bolsonaro, recebeu mais poder do presidente da República, que afirmou que o chefe da Cultura teria autonomia para fazer mudanças em órgãos ligados à Pasta.

Uma das principais mudanças, alvo de muitas críticas de diferentes setores da sociedade, foi na presidência da Fundação Cultural Palmares, que passou a ser presidida por Sérgio Nascimento de Camargo no último dia 27 de novembro.

A entidade tem por finalidade “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”.

No entanto, Sérgio Camargo, que é negro, diminui e relativiza a questão do racismo e a importância do movimento negro, o que irritou ativistas e parlamentares de oposição, assim como outras pessoas ligadas à área cultural.

Entre outras coisas, Sérgio Camargo é contra cotas raciais, já afirmou que Marielle Franco ‘não era negra’ e reprova o Dia da Consciência Negra.

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