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Evolução humana

Homens primatas: explorando o baú de segredos

Outra peça no frustrante quebra-cabeça que é a história do fóssil da humanidade

Homens primatas: explorando o baú de segredos
Descobrir a origem dos primeiros europeus é a meta do Dr.Arsuaga e sua equipe (Reprodução/JuanLuisArsuaga)

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Em algum momento entre 600.000 e 300.000 anos atrás, muitos morreram em La Sima de los Huesos, próximo a Burgos, Espanha. No Poço dos Ossos já foram encontrados 6.500 pedaços de esqueletos humanos, os quais representam pelo menos 28 indivíduos.

Quem eram essas pessoas é uma questão em aberto. Elas costumam ser classificadas como Homo heidelbergensis, nome dado aos primeiros humanos que moraram na Europa, a partir de 600.000 anos atrás. Mas eles também têm características dos Homo neandethalensis, uma espécie mais jovem que, acredita-se, evoluiu do heidelbergensis.

E, para confundir ainda mais, a moderna arte da paleogenética, que acrescenta a análise de DNA ao grupo de evidências, sugere ainda outro elo com um grupo asiático descoberto recentemente, os Denisovans, cuja origem evolutiva permanece obscura e para o qual ninguém ainda deu um nome em  latim.

O último estudo dos seres de La Sima de los Huesos, publicado na revista Science por Juan-Luis Arsuaga da Universidade Complutense de Madri e seus colegas, tenta esclarecer essa confusão examinando os crânios de 17 dos seus esqueletos.

A primeira coisa que o Dr. Arsuaga fez foi estabelecer uma data para os fósseis. Três técnicas diferentes concordaram que eles datam de 430.000 anos atrás. Isso torna as descobertas de La Sima de los Huesos mais recentes que a maior parte das outras classificadas como heidelbergensis, uma espécie em si derivada do Homo erectus, que fez a primeira exploração da humanidade além da África há dois milhões de anos.

O Dr. Arsuaga e sua equipe analisaram todos os aspectos dos crânios de seus espécimes. Em suma o que eles descobriram foi que os rostos e dentições dos fósseis eram semelhantes aos dos neanderthais, com narizes projetados, mandíbulas mais espaçosas e grandes dentes frontais, mas que o interior de seus crânios (e, portanto, seus cérebros) não o eram.

Isso sugere que esses europeus primitivos se adaptaram primeiro à dieta disponível em seu novo território. Adaptações cognitivas “envolvendo tanto um aumento do tamanho do cérebro quanto uma mudança em sua anatomia” vieram depois.

Assim como a posteridade de seus fósseis, o Dr. Arsuaga está interessado em seus antecedentes. Ele foi um dos autores de um estudo publicado há alguns meses no periódico Nature que mostrou que o DNA mitocondrial dos esqueletos de La Sima de los Huesos era como o dos Denisovans, o que foi uma surpresa, já que se pensava que os Denisovans estavam restritos à Ásia.

Como costuma ser o caso para os estudos de fósseis humanos, portanto, cada nova descoberta gera mais perguntas que respostas. O problema é a falta de evidência, uma vez que os fósseis de espécies humanas diferentes do sapiens são incrivelmente raros.

 

Fontes:
The Economist-Probing the chamber of secrets

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