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TECNOLOGIA

A importância do vidro na era digital

Um pedido de Steve Jobs para o lançamento do primeiro iPhone deu origem ao vidro de alta resistência Gorilla Glass, que domina o mercado de equipamentos eletrônicos

A importância do vidro na era digital
O Gorilla Glass domina o mercado de equipamentos eletrônicos, mas enfrenta concorrentes (Foto: Pixabay)

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Depois de 4 mil anos de evolução da técnica de fabricação de vidro, seria possível pensar que quase tudo havia sido descoberto. Mas não. Embora a fórmula básica ainda consista na mistura de areia, carbonato de cálcio e alumina, os primeiros alquimistas e, em seguida, os químicos usaram outras substâncias ao longo dos séculos para fabricar vidros especiais. Para obter mais transparência e brilho em copos e decantadores, eles adicionaram chumbo. A fim de aumentar a resistência ao calor do forno, acrescentaram boro. A bela cor azul de vasos decorativos foi resultado da mistura de cobalto. O aumento da velocidade em que a luz atravessa o vidro, útil na fabricação de fibra óptica, deveu-se ao acréscimo de germânio e para a redução dessa velocidade, eles adicionaram flúor. E assim por diante.

Então, quando em 2006, Steve Jobs, o fundador da Apple, procurou a Corning, um dos maiores fabricantes de vidro do mundo com sede em Nova York, com a encomenda de um vidro resistente a impactos e riscos para cobrir a tela do primeiro iPhone da Apple, a equipe da empresa estava pronta para atender ao seu pedido. E de acordo com a personalidade de Jobs, o novo tipo de vidro teria de ser fabricado em um prazo de seis meses.

Cientistas do centro de pesquisa da Corning produzem milhares de novas fórmulas de fabricação de vidro todos os anos. Algumas são testadas, sem resultado prático, mas os pesquisadores arquivam todos os estudos realizados. Em uma busca nos arquivos depois do pedido de Jobs, a equipe da Corning encontrou um projeto da década de 1960 destinado à fabricação de um vidro leve para uso industrial. A equipe reformulou a fórmula para produzir um vidro forte e fino adequado a telas sensíveis ao toque. E assim nasceu o Gorilla Glass.

A característica específica do Gorilla Glass não consiste apenas em sua resistência, mas também em sua capacidade de proteção da superfície das telas sensíveis ao toque dos celulares, sem afetar sua função. Desde o seu lançamento, o Gorilla Glass ficou cada vez mais fino e resistente. De acordo com a Corning, uma película com menos de 1 milímetro de espessura resiste a quatro quedas de uma altura de 1,6 metros em uma superfície áspera. O Gorilla Glass é usado em cerca de 5 bilhões de smartphones, tablets, laptops e outros dispositivos produzidos por empresas de produtos eletrônicos no mundo inteiro. E começou a ser usado na indústria automobilística, que rejeitou a versão original do projeto na década de 1960.

A resistência e leveza do Gorilla Glass são resultado da técnica pioneira da Corning de fusão vertical. A mistura de sílica, óxido de alumínio e óxido de sódio, depois de fundida, é despejada em um isotubo até transbordar de maneira uniforme de ambos os lados do tubo. Em seguida, a mistura funde-se no fundo do isotubo, onde forma uma película de vidrotão fina que é medida em mícrons.

Na etapa seguinte, o vidro é colocado em um tanque aquecido com sal derretido a uma temperatura de cerca de 400ºC. Os pequenos íons de sódio são substituídos nesse processo por íons de potássio presentes no sal derretido. A composição do Gorilla Glass permite que os íons de potássio se espalhem em profundidade na superfície ao se resfriarem, o que cria uma camada de compressão mais resistente a danos.

O Gorilla Glass domina o mercado de equipamentos eletrônicos, mas enfrenta concorrentes, como o vidro Dragontrail fabricado pela empresa japonesa Asahi Glass. Outro concorrente potencial é o vidro de safira, uma versão sintética da pedra preciosa. O vidro de safira é usado em alguns relógios, porém é mais pesado e caro do que o Gorilla Glass.

A Corning pretende expandir o uso do Gorilla Glass em projetos arquitetônicos nos quais paredes e janelas podem ser sensíveis ao toque dos dedos e na indústria automobilística, onde uma versão do Gorilla Glass está sendo usada no vidro dianteiro do modelo esportivo do Ford GT.

 

 

Fontes:
The Economist-One of the world’s oldest products faces the digital future

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