Início » Exclusiva » Jazz: de Nova Orleans para o mundo
CULTURA

Jazz: de Nova Orleans para o mundo

Nesta semana se comemora o Dia Internacional do Jazz. Confira a história do estilo musical que une paixão e originalidade

Jazz: de Nova Orleans para o mundo
O jazz tem o poder de conquistar fãs de todas as idades (Foto: Jimmy Baikovicius)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Nesta semana é celebrado o Dia Internacional do Jazz. A data é comemorada em 30 de abril e foi criada pela Unesco, sendo celebrada pela primeira vez em 2012. Em 2018, a celebração se expandiu para mais de 190 países, incluindo o Brasil.

Foto: Felippe Lucchesi

A data surgiu com o objetivo de ressaltar a importância do gênero musical e sua contribuição para mesclar povos e culturas na história, visto que o jazz está associado à luta pela liberdade e abolição da escravatura.

“O jazz tem suas raízes na luta por liberdade e na resistência contra a opressão. Esse gênero musical, com seus vários estilos, foi abraçado e integrado a inúmeras culturas, transformando-se em novas formas de expressão, ressoando infinitamente com a diversidade de canções e sons ao redor do mundo”, declarou a Unesco, através de uma nota oficial em comemoração à data.

A pessoa que escuta uma música com sons de trompete, saxofone e contrabaixo já sabe na hora que a junção dos sons se torna um dos maiores movimentos da musica mundial: o jazz.

Foto: Felippe Lucchesi

A origem da palavra “jazz”, que deu nome ao estilo, ainda é uma incógnita. Após décadas, a sua procedência ainda é um mistério para estudiosos do gênero musical.

Quem escuta ao ritmo com certeza considera o jazz uma das formas musicais mais marcantes e impactantes da história da música. Criado na cidade de Nova Orleans, EUA, o jazz tem sua raiz na comunidade negra da região.

As primeiras manifestações do estilo foram observadas no final do século XIX, com origem na cultura negra e popular. Além disso, uma principal vertente para o estilo musical foi decorrente de tradições religiosas africanas.

O estilo musical teve como base o blue notes, uma nota musical que provém de escalas usadas em canções de trabalho, nas quais operários cantavam a capella durante a execução de tarefas repetitivas.

Desde o início, o jazz abriu portas para inúmeras vertentes de sua categoria, como o blues, boogie e até mesmo a Bossa Nova.

Foto: Felippe Lucchesi

Um dos principais ícones do cenário do jazz no Brasil foi o cantor Djalma de Andrade, mais conhecido como Bola Sete.

O músico deixou o país na década de 50 para se aperfeiçoar nos Estados Unidos. Nascido no Rio de Janeiro, Bola Sete estudou na Escola Nacional de Música e foi eleito nos EUA como um dos “mais talentosos e modernos violonistas brasileiros dos anos cinquenta”, segundo o livro Encyclopedia of Jazz in the Sixties. Além disso, em 2001, um de seus discos ficou em 72° lugar na lista dos “100 melhores álbuns de 2000”, segundo editores do site da Amazon. Bola Sete morreu em 14 de fevereiro de 1987, nos Estados Unidos, devido a uma pneumonia e um câncer de pulmão.

Já no cenário americano, há uma miríade de músicos, cantores e compositores de renome no jazz. Dentre eles, está o trompetista Chet Baker. Influenciado pelo pai, que também era músico, ele começou a tocar violão aos dez anos e logo tomou gosto pelo jazz. Em seu primeiro álbum, Chet foi considerado como um dos melhores trompetistas do gênero musical.

A vida Baker foi bastante conturbada devido a problemas com entorpecentes que resultavam em brigas. Em uma delas, o músico perdeu alguns de seus dentes da frente. Surpreendentemente, a perda acabou beneficiando Chet, que usou as “falhas” na boca para aprimorar sua performance musical.

Chet Baker (Foto: Michiel Hendryckx)

Chet Baker se apresentou no Brasil em eventos como o Free Jazz Festival, onde tocou ao lado de renomados ícones do jazz. A primeira apresentação foi no extinto Hotel Nacional, no Rio de Janeiro.

A morte de Chet Baker ainda é um mistério. O músico despencou da janela de um hotel em Amsterdã e ainda há dúvidas se ele cometeu suicídio ou se caiu acidentalmente.

A melancolia dos acordes 

Por anos, o jazz foi marginalizado por uma lei federal americana, que proibia a venda de bebidas alcoólicas no país – a chamada Lei Seca (1920-1933). Dentro dos chamados speakeasies (bares clandestinos escondidos), músicos de jazz aproveitavam a oportunidade para divulgar o estilo musical, em um momento em que muitas pessoas procuravam por lugares clandestinos onde pudessem consumir bebidas alcoólicas. Devido a isso, pessoas de fora passaram a classificar o jazz como um estilo musical vulgar, diretamente associado ao álcool.

Jazz pelo Brasil

Dentro do cenário nacional, o jazz se mantém através de músicos e projetos, dentre eles, o existe o carioca Jazz Total, que une alunos da Escola de Música Villa Lobos com amor por esse estilo musical.

O Jazz Total foi criado em junho de 2013 e se dedica à execução de jazz instrumental nacional e internacional, criado em únicas versões. O grupo busca sempre prezar pela evolução de seus integrantes. Eles já se apresentaram em vários lugares, como o Teatro Cecília Meireles e Biblioteca Parque Estadual.

Foto: Jazz Total/Facebook

Em entrevista ao Opinião e Notícia, o compositor Jorge Eder explicou como o projeto Jazz Total foi idealizado.

“O grupo surgiu na Escola de Música Villa-Lobos por iniciativa minha e de alguns alunos que queriam praticar música instrumental. Como a escola não oferecia aulas práticas na época, eu tomei à frente e construí o grupo e sua metodologia de ensino”, afirmou o compositor.

Jorge Eder ressalta que sua ligação com o jazz começou durante seu curso de Bacharelado em Composição, na Unirio, onde se encantou com aulas de Harmonia Modal e quis se aprofundar no assunto. “Diga-se de passagem, me atenho a todo e qualquer tipo de música produzida na história a que se tem registro”, afirmou o compositor, que tem como principal inspiração o cantor Michael Jackson.

O Rio de Janeiro também abriga uma das maiores casas culturais da cidade, que promove, toda primeira sexta-feira do mês, uma noite esplendorosa ao som de jazz. Há sete anos consecutivos, o The Maze Rio – que já foi listado como uma das “Melhores casas de Jazz do planeta” pela revista americana Downbeat –, realiza o evento de música.

No alto de uma comunidade localizada no Catete, Bob Nadkarni reuniu as saudades de sua terra natal, a Inglaterra, com obras de arte, criando, assim, o Museu de Arte Zeitgeist, mais conhecido como The Maze.

Foto: Felippe Lucchesi

Em entrevista ao Opinião e Notícia, Bob revelou os motivos que levaram ele a abrir o centro cultural.

“Eu tinha uma banda na Inglaterra tocando com Guy Barker – hoje com seu orquestra própria, e nosso decano, Wally Fawkes que tinha tocado dois anos com Sidney Bechet. Senti falta de apenas duas coisas na Inglaterra: minha banda de jazz e comida indiana. Criei ambos aqui, no The Maze, além de obras de arte e arquitetura orgânica, que é a única que homenageia as florestas, montanhas e baías da Cidade Maravilhosa”.

Além das noites de jazz, o centro cultural também tem diversas pinturas de Bob e a decoração é bastante original, com por mosaicos em quase todas as paredes.

O jazz se mantém presente na rotina de pessoas de todas as idades. Funcionários do The Maze afirmaram que as noites tradicionais de jazz sempre ficam bastante cheias, e menores de idade sempre vão à casa, acompanhados de seus responsáveis.

Foto: Felippe Lucchesi

Além do The Maze, existem outras casas de shows no Rio de Janeiro que também se dedicam ao estilo musical. Até mesmo clubes já criaram cartões fidelidade, onde é possível ter acesso a shows, reservas de mesas e outras opções, através de uma assinatura mensal. É o caso do Blue Note, filial localizada no complexo Lagoon, no bairro da Lagoa, zona Sul do Rio.

Não há dúvidas de que, desde sua criação, o jazz conquistou o público devido à sua originalidade musical e história, mostrando que o estilo musical passa de geração para geração.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *