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ENVOLTA EM CRISE POLÍTICA

Líder de Hong Kong abandona discurso anual sob vaias

Carrie Lam tentou por duas vezes iniciar o discurso no Conselho Legislativo, mas foi interrompida por protestos de parlamentares e optou por deixar o local

Líder de Hong Kong abandona discurso anual sob vaias
Episódio fez de Lam a 1ª governante local a não realizar o discurso no plenário (Foto: Standnews)

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A líder do governo de Hong Kong, Carrie Lam, foi forçada a cancelar o tradicional discurso anual sobre políticas futuras para a região e deixar a sede do Conselho Legislativo, sob vaias, acompanhada de seus assessores.

O episódio ocorreu nesta quarta-feira, 16. Ao iniciar seu discurso no Conselho Legislativo, Lam foi interrompida por parlamentares, que entoaram cânticos pró-democracia, exibiram cartazes e acenaram com as mãos pintadas de vermelho, simbolizando sangue.

Em meio aos protestos, Lam deixou o plenário, retornando minutos depois para uma segunda tentativa. Ao tentar iniciar novamente seu discurso, ela foi interrompida mais uma vez pelos parlamentares, que iniciaram uma vaia ensurdecedora. Um deles chegou a usar um aparelho portátil para projetar nas costas de Lam mensagens de jovens que participam da onda de protestos na região – que já dura quatro meses.

Sem conseguir iniciar sua fala, Lam deixou o Conselho Legislativo acompanhada de auxiliares. Pouco mais de uma hora depois, ela divulgou um vídeo com o discurso.

O episódio fez de Lam a primeira chefe do Executivo de Hong Kong a não realizar o discurso anual desde 1948 e agrava a situação da governante local. Envolta na mais grave crise política vivida por Hong Kong desde que o Reino Unido devolveu a região para a China, Lam esperava usar seu discurso para angariar apoio dos parlamentares e restaurar a confiança em seu governo.

Segundo noticiou a agência de notícias Deutsche Welle, no vídeo divulgado, Lam destacou que a região atravessa uma “grave crise” e alertou que “a violência contínua e a disseminação do ódio irão corroer os valores de Hong Kong”.

No vídeo, Lam também anunciou medidas para reduzir o déficit habitacional, uma vez que o elevado preço dos imóveis é uma das raízes da insatisfação popular em Hong Long, em especial entre a população jovem.

Hong Kong tem um dos mais caros mercados imobiliários do mundo. O preço médio de uma casa na região equivale a 21 vezes a renda média anual de uma família. O aluguel de um quarto minúsculo, onde em geral só cabe uma cama, em um apartamento dividido com outros locatários, custa HK$ 4 mil (US$ 510) por mês, um preço acessível a poucos. Um estudo feito em 2017, por uma associação de moradores de Hong Kong, apontou que a população pobre vive em casas com menos espaço que as celas dos presídios locais de segurança máxima – as chamadas “casas-caixão”.

Em decorrência disso muitos jovens casais optam por morar separados, sem deixar a casa dos pais. Já os solteiros, por vezes, recorrem a microapartamentos, alguns com apenas 2,7m² (confira aqui um vídeo feito por duas jovens mostrando o interior de um desses imóveis).

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