Início » Economia » Internacional » Mais de 10 mil vão às ruas em protesto contra Viktor Orbán
HUNGRIA

Mais de 10 mil vão às ruas em protesto contra Viktor Orbán

Manifestantes protestam contra a nova legislação trabalhista, apelidada de 'lei dos escravos', e a ampliação dos poderes de Orbán sobre o Judiciário

Mais de 10 mil vão às ruas em protesto contra Viktor Orbán
Manifestação de domingo foi a maior desde que a onda de protestos teve início (Foto: Twitter/Balazs Csekö)

Mais de 10 mil manifestantes se reuniram fora às ruas de Budapeste na noite da último domingo, 16, protesto contra o governo do primeiro-ministro Viktor Orbán. Foi a quarta noite seguida de manifestação contra o que os críticos vem chamando de erosão da democracia na Hungria.

Intitulado “Feliz Natal Sr. Primeiro Ministro”, a manifestação de domingo foi a maior desde que a onda de protestos teve início, na semana passada e uniu todos os partidos de oposição. Os protestos são considerados os maiores contra Orbán e os mais violentos em dez anos na Hungria. Os manifestantes carregavam faixas com frases como “Justiça independente”.

O estopim dos protestos foi a aprovação de uma controversa reforma trabalhista da gestão Orbán, aprovada na semana passada, que aumentou de 250 para 400 o número de horas extras permitidas a cada ano, além de permitir que as empresas parcelem em até três anos o pagamento destas horas – antes, o pagamento tinha o prazo de um ano. A reforma também permitiu a empregadores fazerem acordos de horas diretamente com trabalhadores, e não apenas em negociações coletivas com sindicatos. A nova legislação foi apelidada de “Lei dos escravos”.

Somado a isso, os manifestantes também passaram a protestar contra outra lei controversa aprovada na semana passada, que ameaça o Judiciário húngaro. Orbán ampliou seus poderes na última quarta-feira, 12, após o Parlamento do país, controlado por seu partido, o União Cívica Húngara (Fidesz, na sigla em húngaro), aprovar uma lei que cria um sistema judicial paralelo, que consolida o controle do Executivo sobre o Judiciário.

A nova legislação entra em vigor em 12 meses e prevê que o ministro da Justiça, apontado por Orbán, será o responsável por nomear e promover juízes, que serão encarregados de julgar casos relacionados à administração pública e outros assuntos politicamente sensíveis – como lei eleitoral, acusações de corrupção e o direito de protestar da população. A aprovação da lei despertou na oposição e na população o temor de atentados à independência da Justiça no país bem como a liberdade de imprensa e manifestação.

“A insatisfação está crescendo. Eles aprovaram duas leis nesta semana que não atendem aos interesses do povo húngaro”, disse à Reuters Andi, uma estudante de sociologia de 26 anos que não quis revelar o nome completo.

Orbán está no poder desde 2010. Ele foi alçado ao posto tirando proveito da indignação popular gerada em meio à crise migratória na Europa. Desde então, ele promoveu sua agenda de extrema-direita através de um discurso populista e nacionalista. Suas ações autocráticas estão em conflito constante com a União Europeia.

Orbán também criou símbolos a serem perseguidos de forma a justificar sua agenda autoritária. Um deles é o investidor George Soros. Com o argumento de defesa da segurança nacional, a gestão de Orbán passou a perseguir Soros, acusando-o de incentivar a imigração e coibindo a atuação de suas ONGs no país.

No início de dezembro, o governo de Orbán forçou uma instituição particular de pós-graduação, a Universidade Central Europeia, fundada por Soros em 1991, a deixar a Hungria, como parte da campanha de perseguição ao investidor.

Além disso, a mídia húngara pró-governo classificou a onda de protestos dos últimos dias como mais uma manipulação de Soros. O partido governista Fidesz reforçou a acusação, afirmando que “criminosos estão por trás dos tumultos nas ruas”.

 

Leia mais: Primeiro-ministro da Hungria consolida poder sobre Judiciário

 

Fontes:
G1-10 mil pessoas protestam na Hungria contra o governo Orbán
DW-A revolta húngara contra a "lei dos escravos"

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    Tá na cara que ele é um Hugo Chávez. O fato de ter se denominado de direita é apenas uma cortina de fumaça para encobrir as intenções autocráticas, já em franca implantação na Turquia de Erdogan.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *