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SAÚDE

Mortalidade infantil no Brasil é 3 vezes maior entre bebês com microcefalia

A grande maioria das mortes de crianças com microcefalia é por infecções, sobretudo respiratórias

Mortalidade infantil no Brasil é 3 vezes maior entre bebês com microcefalia
A falta de centros de reabilitação e do preparo das equipes de saúde são sempre relatados pelos pais (Foto: Pixabay)

Um total de 218 crianças que nasceram com a chamada síndrome congênita do zika, morreram, entre novembro de 2015, quando o surto de má-formação associado ao vírus da zika começou, até julho deste ano. As informações são do jornal Estado de S. Paulo. Para os médicos e familiares, falhas nos serviços de saúde são responsáveis por parte dos óbitos.

Apenas considerando as crianças que morreram antes de completar um ano de vida, fora, 188 óbitos, o equivalente a 5,82% de todos os 3.226 bebês que tiveram o diagnóstico de microcefalia associada ao zika. Esse índice é três vezes maior do que o observado na população geral. Em 2016, o percentual de bebês mortos antes de completar um ano, foi de 1,27% sobre todos os nascimentos no país.

Além da gravidade do quadro, a falta de centros de reabilitação e do preparo das equipes de saúde para cuidar destas questões, são sempre relatados pelos pais. “Minha filha começou com uma infecção urinária, a médica não quis dar antibiótico e mandou ela de volta para casa. Ela piorou. Quando voltou ao hospital, não tinha vaga na UTI. Ela acabou evoluindo para infecção generalizada e morreu”, conta a mãe de Maria Vitória, que morreu com um ano e oito meses.

“É tão difícil entender esse desprezo com os nossos filhos. Todo mundo sabe que eles precisam de um cuidado especial, que têm a saúde mais frágil, mas parece que fazem pouco caso. Eu acho que, se ela tivesse tido uma melhor assistência, ainda estaria aqui”, lamenta a mãe.

A coordenadora do setor de infectologia pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), no Recife, Maria Ângela Rocha, destaca que a grande maioria das mortes de crianças com microcefalia é por infecções, sobretudo respiratórias, e esse risco poderia ser reduzido se os bebês tivessem acesso a terapias de estimulação precoce. “Essas crianças têm dificuldades para engolir. Se não fazem acompanhamento com fonoaudiólogos e fisioterapeutas, têm facilidade para broncoaspirar líquidos e alimentos e formar secreção, o que pode levar a infecções”, explica a médica.

O Ministério da Saúde mostrou que, após três anos do inicio do surto, somente 35,3% dos bebês com síndrome congênita do zika estão passando por terapias de estimulação precoce.

Segundo Germana Soares, presidente da União de Mães de Anjos (UMA), associação que reúne familiares de crianças com má-formação, a falta de recursos e despreparo está em todos os níveis. “Começa pela atenção primária, que não sabe receber uma criança com deficiência. Nos hospitais, não sabem como proceder no socorro a uma criança assim. E a falha também ocorre quando não é oferecida assistência multidisciplinar. Parece que os governos não querem gastar dinheiro com essas crianças porque acham que elas não são reabilitáveis, mas eles se esquecem que reabilitação não é só para sentar, andar, é para que elas possam ter qualidade de vida”.

A diretora do departamento de ações programáticas do Ministério da Saúde, Thereza de Lamare, confirma que o governo federal aumentou o número de centros de reabilitação, mas que conhecer as particularidades de uma síndrome tão nova e ofertar assistência ainda são grandes desafios. “Como é algo que foi descoberto em 2015, ainda estamos aprendendo sobre como cuidar da melhor forma. Essas crianças nascem com uma série de condições associadas. Precisamos nos apropriar disso e melhorar o cuidado”, relata Lamare. Ela acredita que o índice de crianças que têm acesso é maior que os números oficiais. “Pelo que conversamos com os estados e municípios, os índices são maiores, mas precisamos de um sistema que nos informe isso em tempo real”.

Nordeste não ganha nenhum centro novo

Nenhum centro de reabilitação novo foi aberto na região Nordeste desde o início do surto de microcefalia, ao contrário do que foi prometido pelo Ministério da Saúde em 2015. A região concentra 63,7% de todos os casos de síndrome congênita confirmados no país nos últimos três anos.

Onze centros foram prometidos, mas, até agora, somente unidades que já existem foram ampliadas ou credenciadas, para atender crianças com má formação. Segundo dados, 54 unidades foram habilitadas no Nordeste como Centros Especializados em Reabilitação (CERs). Essa habilitação inclui a ampliação, adequação de equipes, compra de novos equipamentos e reformas. Em todo o país, o número de CERs credenciado foi de 89 no período.

 

Leia mais: HRW pede que Brasil não esqueça as famílias afetadas pela zika

Fontes:
Estadão-Mortalidade infantil no País é 3 vezes maior entre bebês com microcefalia

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1 Opinião

  1. numberfeline disse:

    finalmente uma noticia que não seja politica porque não pode colocar politica no comentario

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