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ELEIÇÕES COLOMBIANAS

Morte de candidata gera temor de retorno das Farc na Colômbia

Karina García foi morta em uma emboscada no último domingo, 1. Alto comissário responsabiliza dissidentes das Farc, porém não há evidências do envolvimento

Morte de candidata gera temor de retorno das Farc na Colômbia
Pai de Karina García diz que filha vinha sofrendo ameaças (Foto: Defensoria del Pueblo)

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A morte de uma candidata à prefeita gerou na Colômbia o temor de retorno da violência perpetrada pela guerrilha no país.

Karina García, candidata pelo Partido Liberal ao cargo de prefeita do município de Suárez, no departamento de Cauca, nas eleições de outubro, foi morta em uma emboscada em um município do sudoeste do país, na noite do último domingo, 1.

O veículo no qual ela viajava foi atacado quando atravessava uma estrada em uma região montanhosa do sudoeste colombiano, usada como rota para o tráfico de drogas. Embora fosse blindado, o veículo não resistiu ao ataque com armas de longo alcance, sendo incinerado em seguida.

 Além de Karina García, morreram no ataque outras cinco pessoas: a mãe da candidata, três líderes sociais e um candidato a vereador pelo município de Suarez.

O alto comissário para a Paz, Miguel Ceballos, responsabilizou pelo ataque o líder do grupo local de dissidentes das Farc, conhecido como Mayimbú.

“Tristemente mencionamos a morte desta candidata do Partido Liberal. Confirma-se que o pseudônimo Mayinbu, que é o chefe de um grupo de dissidentes das Farc […] é responsável, […] por sua influência na zona, por este crime hediondo”, disse Ceballos.

Entretanto, ainda não há evidências concretas que apontam o envolvimento de dissidentes das Farc no ataque. Segundo informou a AFP, o pai da candidata, Orlando García, já havia denunciado que sua filha vinha recebendo ameaças de seguidores de outros candidatos.

As Farc se tornaram um partido político após a assinatura de um histórico acordo de paz, em 2016, que encerrou 50 anos de conflito. Desde então, a guerrilha deixou de ser “as Farc”, para se tornar “a Farc”.

Isso porque as “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” (as Farc) deram lugar à “Força Alternativa Revolucionária do Comum” (a Farc), um partido político liderado pelo ex-líder da guerrilha, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko durante a época dos confrontos.

Embora não haja indícios do envolvimento de dissidentes da guerrilha no ataque à García, há o temor do retorno da guerrilha armada na Colômbia. Isso porque o ataque ocorreu poucos dias após circular na internet um vídeo no qual 20 rebeldes, liderados pelo ex-número dois da guerrilha, Iván Márquez, anunciam seu retorno à guerrilha armada, por considerarem que houve traição por parte do governo ao acordo de paz.

Na última segunda-feira, 2, Londoño pediu que os antigos integrantes da guerrilha não retomem as armas. Ele convidou “os que podem se sentir tentados pelos cantos de sereia dos desertores da paz” a “pensarem, meditarem, analisarem muito bem a realidade, antes de se decidir a seguir um equívoco semelhante”.

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