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RIO DE JANEIRO

MPRJ faz buscas em endereços de Fabrício Queiroz

Buscas fazem parte da investigação que apura a suspeita da rachadinha na Alerj. Ex-mulher de Jair Bolsonaro também é alvo da operação

MPRJ faz buscas em endereços de Fabrício Queiroz
Queiroz é investigado em operação que apura prática de rachadinha no gabinete de Flávio (Foto: Facebook/Fabrício Queiroz)

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O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) Fabrício Queiroz e familiares de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foram alvos de mandados de busca e apreensão emitidos pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) na manhã desta quarta-feira, 18.

As buscas ocorrem no âmbito da operação que investiga a suspeita de prática de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), quando este era deputado estadual pelo Rio.

A investigação ficou conhecida como Caso Queiroz e foi iniciada em julho do ano passado, após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – atual Unidade de Inteligência Financeira (UIF), que será transferida para o Banco Central – enviar ao MP um relatório apontando movimentações atípicas na conta de Queiroz.

O relatório apontou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão, entre os dias 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017. Segundo o documento sete servidores que passaram pelo gabinete de Flávio Bolsonaro fizeram transferências bancárias para uma conta mantida por Queiroz. No relatório, o Coaf informou ter detectado as movimentações porque elas são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” de Queiroz.

A suspeita é de que funcionários do gabinete devolviam parte de seus salários ao parlamentar – prática conhecida como “rachadinha”, já denunciada pela deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP).

Na época, em que o caso veio à tona, para justificar a movimentação financeira atípica, Queiroz afirmou que o dinheiro era proveniente de compra e venda de carros, além de outros negócios informais. Em entrevista ao SBT, o ex-assessor afirmou que era um “homem de negócios”. Porém, o MPRJ não encontrou qualquer indício que sustentasse essa versão.

As investigações foram paralisadas em julho deste ano, para aguardar análise do Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade do compartilhamento de dados pelo órgão sem autorização judicial. Em novembro, o STF aprovou a medida e o caso foi retomado.

Queiroz é amigo de longa data da família Bolsonaro. Nos anos 2000, ele trabalhou como motorista de Flávio Bolsonaro e frequentava reuniões da família. Como assessor de Flávio na Alerj, Queiroz recebia um salário de R$ 8.517. Sua filha, Nathalia Queiroz, também foi citada no relatório do Coaf.

Desde 2007, Nathalia já passou por vários gabinetes ligados a Jair e Flávio Bolsonaro. O relatório do Coaf apontou que ela estava entre os sete servidores que realizaram transferências bancárias para a conta de Queiroz. Em dezembro do ano passado, Nathalia ganhou as manchetes após vir à tona que, embora ela fosse lotada no gabinete, sua única profissão era como personal trainer em academias do Rio de Janeiro.

Nesta quarta-feira, segundo noticiou a Reuters, a defesa de Queiroz se disse “surpresa” com as buscas, “uma vez que ele sempre colaborou com as investigações, já tendo, inclusive, apresentado todos os esclarecimentos a respeito dos fatos”.

Ana Cristina Valle também tinha parentes lotados no gabinete de Flávio Bolsonaro suspeitos de envolvimento na prática de rachadinha. Além disso, ela também tinha parentes empregados no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) na Câmara que atualmente são investigados por
suspeita rachadinha e de serem funcionários fantasmas.

O MPRJ abriu a investigação em setembro deste ano, com base em reportagem publicada pela revista Época em junho. De acordo com a revista, Carlos Bolsonaro empregou sete parentes de Ana Cristina Valle. Dois deles afirmaram à reportagem que nunca trabalharam para o vereador. O MPRJ também apura se outros três nomeados nunca deram expediente na Câmara. A investigação corre em segredo de Justiça.

Ana Cristina Valle tentou ser eleita deputada estadual pelo Rio nas eleições do ano passado, concorrendo no pleito com o nome Cristina Bolsonaro. Porém, ela não foi eleita, tendo conquistado apenas 4.555 votos.

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