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CRISE VENEZUELANA

Mundo acompanha situação na Venezuela

Líderes mundiais divergem em posicionamentos pró e contra Maduro e trocam acusações sobre responsabilidade em relação à violência em protestos

Mundo acompanha situação na Venezuela
Protestos tomam as cidades da Venezuela (Foto: Juan Guaidó/Twitter)

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A Venezuela enfrenta uma onda de intensos protestos nesta terça-feira, 30. De um lado, manifestantes e militares dissidentes que tentam retirar o presidente Nicolás Maduro do poder. Do outro, apoiadores do chefe de Estado e forças militares. Os confrontos já deixaram dezenas de feridos, mas nenhum número oficial foi divulgado.

Diante disso, os líderes mundiais começaram a se manifestar a respeito dos acontecimentos no país. Os líderes divergem em posicionamento contra e a favor de Maduro e trocam acusações sobre a responsabilidade da violência em protestos. Os confrontos começaram quando o presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, ao lado do líder da oposição Leopoldo López, disse ter o apoio dos militares para retirar Maduro do poder.

De acordo com a ONG Foro Penal, pelo menos 11 pessoas já foram presas nas manifestações desta terça-feira na Venezuela. Pelo menos 25 militares pediram asilo na embaixada brasileira em Caracas, na capital da Venezuela. Não se sabe, porém, se os militares eram contrários ou a favor de Nicolás Maduro.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram os confrontos entre manifestantes e militares. Em um dos vídeos mais marcantes até o momento, um blindado avança contra um grupo de pessoas. Pelo menos uma pessoa fica no chão após a passagem do veículo, mas logo é resgatada por outros manifestantes.

Na tarde desta terça-feira, Guaidó reforçou que os manifestantes continuarão na rua até que Maduro seja deposto. Já Leopoldo López pediu asilo na embaixada do Chile, conforme informou o ministro das Relações Exteriores do Chile, Roberto Ampuero Espinoza, durante pronunciamento. Não se sabe, porém, se o pedido de asilo será aceito.

Pró-Maduro

Diante da comunidade internacional, Maduro tem pouco apoio. No entanto, as nações que se posicionaram a favor do presidente venezuelano permanecem fiéis. Entre os principais apoiadores estão Cuba, China, Turquia, Rússia e Bolívia.

O presidente boliviano, Evo Morales, condenou, através das redes sociais, a tentativa de golpe de Estado na Venezuela. Ademais, fez um pedido para que o diálogo e a paz se imponham sobre a situação. Para Morales, os Estados Unidos têm responsabilidade na iniciativa.

“Estados Unidos, com sua interferência e promovendo golpes de Estado, buscam promover a violência e morte na Venezuela. Não se importam com perdas humanas, somente com seus interesses. Devemos estar atentos e unidos para que os golpistas nunca mais voltem à nossa região”, escreveu o presidente venezuelano.

Já a Rússia, através do Ministério de Relações Exteriores, acusou a oposição venezuelana, liderada por Juan Guaidó, de promover a violência. O ministério russo destacou que qualquer ação deve ser tomada dentro do campo legal, respeitando a Constituição.

“A oposição radical na Venezuela mais uma vez recorreu a métodos violentes de confronto. […] Em vez de pacificamente resolver as diferenças políticas, eles tomaram um rumo para aumentar o conflito e provocar quebras na ordem pública e confrontos envolvendo as Forças Armadas”, afirmou o ministério.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, foi mais um apoiador de Maduro a se manifestar a favor do presidente venezuelano e contra a oposição. Para
Díaz-Canel, a Venezuela está enfrentando uma tentativa de golpe comandada pela “direita pró-imperialista dos Estados Unidos e governos lacaios da região”.

Enquanto isso, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu para que as “preferências democráticas” da Venezuela sejam respeitadas. Ademais, condenou o que chamou de tentativa de golpe.

Pró-Guaidó

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou as redes sociais para afirmar que está monitorando a situação na Venezuela. Já o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, foi mais incisivo, exortando militares a apoiarem Guaidó e aceitarem a anistia proposta pelo autoproclamado presidente venezuelano. “Fique com Maduro, e afunde com o navio”, escreveu Bolton nas redes sociais.

Pelo Twitter, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi mais um a reforçar o apoio a Guaidó. Conectando Maduro com partidos brasileiros, como PT e Psol, Bolsonaro destacou que apoia a liberdade da “nação irmã” para que o país viva uma “verdadeira democracia”. Os presidentes da Colômbia, Iván Duque, e do Chile, Sebastian Piñera, seguiram a mesma linha de Bolsonaro, reforçando o apoio a Guaidó.

Por outro lado, os generais Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Hamilton Mourão, vice-presidente da República, viram a situação com perspectivas mais críticas. Enquanto Heleno classificou o tamanho do apoio a Guaidó por militares como uma “grande incógnita”, Mourão acredita que o autoproclamado presidente venezuelano foi para o “tudo ou nada”.

“O Guaidó e Leopoldo López foram para uma situação que não tem mais volta. Não há mais recuo. Ou vão ser presos ou Maduro vai embora. Não tem outra saída. […] O melhor é a saída de Maduro”, afirmou Mourão, segundo noticiou o Globo.

Ao todo, mais de 50 países, além de órgãos internacionais, como o Parlamento Europeu, da União Europeia, reconhecem Juan Guaidó como o presidente interino da Venezuela.

Operação Liberdade

Na última segunda-feira, 29, Guaidó havia informado sobre uma nova manifestação nacional na próxima quarta-feira, 1. No entanto, com a libertação de López, o protesto foi antecipado. Pelas redes sociais, Guaidó informou que está se reunindo com as principais unidades das Forças Armadas para iniciar a fase final da Operação Liberdade – como está sendo chamado o movimento de retirada de Maduro do poder.

O posicionamento foi feito na manhã desta terça-feira, 30, ao lado de Leopoldo López, um dos principais líderes opositores ao governo Maduro. López estava em prisão domiciliarmas disse ter sido libertado nesta terça-feira, por militares, “por ordem da Constituição e do presidente Guaidó”. López era considerado pela oposição de Maduro um preso político.

“[Esta é] uma luta não violenta, para trabalhar pelo próximo, salvar vidas, trabalhar pelos mais vulneráveis. […] Hoje, valentes soldados, valentes patriotas, valentes homens apegados à nossa Constituição, acolheram ao nosso chamado. […] O primeiro de maio começou hoje. O fim definitivo da usurpação começou hoje”, afirmou Guaidó através de um vídeo compartilhado no Twitter.

Além de López, Guaidó estava rodeado de militares. Ao longo dos últimos meses, o autoproclamado presidente venezuelano revelou que militares já o estavam apoiando. A crescente defesa dos militares a Guaidó foi admitida pelo governo Maduro. O ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou, pelas redes sociais, que o governo está enfrentando um “reduzido grupo de militares traidores”.

“A essa tentativa [de golpe] se uniu a ultradireita golpista e assassina, que anunciou sua agenda violenta há meses. Chamamos o povo para se manter em alerta máximo para, junto com a gloriosa Força Armada Nacional Bolivariana, derrotar a tentativa de golpe e preservar a paz. Venceremos”, escreveu Rodríguez.

Através das redes sociais, a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) também se manifestou. Os militares garantiram que estão “apegados à Constituição e leais ao presidente constitucional Nicolás Maduro”. Ademais, rechaçou o que chamou de “movimento golpista desta minoria”. Segundo a FANB, os militares que passaram a apoiar a posição pretendem “levar violência ao nobre povo da Venezuela”. Diferentes outros órgãos militares se manifestaram em apoio a Maduro.

Escalada da crise

A Venezuela atravessa, há anos, uma grave crise política, econômica e humanitária. No entanto, em 2018, a situação alcançou níveis alarmantes. Milhões de pessoas abandonaram o país, migrando para nações vizinhas, em busca de melhores condições de vida. A reeleição de Maduro também fez com que a crise aumentasse.

Em janeiro deste ano, ao iniciar o segundo mandato, Maduro deu início a uma nova fase da tensa situação política do país. Em resposta , Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino da Venezuela, recebendo imediato apoio de diferentes líderes mundiais, entre eles Jair Bolsonaro (Brasil) e Donald Trump (Estados Unidos).

Na semana seguinte, Guaidó aumentou a sua influência na comunidade internacional, sendo reconhecido também pelo Parlamento Europeu, da União Europeia. Cerca de dez dias antes de se autodeclarar presidente, Guaidó chegou a ser preso por militares venezuelanos, mas foi liberado.

Desde então, Guaidó começou uma escalada para reforçar a oposição de Maduro e retirar o chefe de Estado do cargo. Um dos principais episódios de confronto entre os apoiadores de Guaidó e os defensores de Maduro ocorreu em fevereiro, quando ambos os líderes fizeram uso da ajuda humanitária como ferramenta política.

O imbróglio terminou em confrontos, pessoas feridas e caminhões de ajuda humanitária queimados. Devido ao embate, o governo Maduro expulsou diplomatas colombianos do país e fechou a fronteira com o Brasil – a fronteira com a Colômbia já estava fechada, assim como os portos do país.

A partir daí, o Grupo de Lima também se tornou mais ativo. Formado, principalmente, por países que apoiam Guaidó, o Grupo de Lima pediu, em diferentes oportunidades, a aplicação de sanções contra o governo Maduro. No entanto, sempre rejeitou qualquer tipo de intervenção militar no país.

Em contrapartida, desde o fim de março o governo de Maduro aumentou a pressão sobre a oposição, liderada por Guaidó. O Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) deteve, no último dia 21 de março, Roberto Marrero, o chefe do Gabinete de Guaidó.

Na sequência, órgãos apoiadores de Maduro começaram a atacar diretamente Guaidó. Primeiramente, o presidente da Assembleia Nacional foi banido de cargos públicos por 15 anos. Em seguida, a imunidade parlamentar de Guaidó foi suspensa, levantando temores de que o autoproclamado presidente pudesse ser preso.

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