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MARCHA DE CHARLOTTESVILLE

Neonazista que atropelou multidão em 2017 recebe prisão perpétua

É a 2ª condenação de James Alex Fields, que também recebeu 419 anos de prisão. Caso ocorreu em 2017, durante marcha supremacista em Charlottesville

Neonazista que atropelou multidão em 2017 recebe prisão perpétua
Fields aceitou se declarar culpado das acusações, o que evitou uma sentença de morte (Foto: Charlottesville Police Department)

James Alex Fields Jr., o neonazista americano que em 2017 atropelou deliberadamente manifestantes contrários a uma marcha nazista no estado da Virgínia, foi sentenciado à prisão perpétua por crime de ódio na última segunda-feira, 15.

O atropelamento deixou 19 feridos em estado grave e uma vítima fatal: a assistente jurídica Heather Heyer, de 32 anos.

A sentença de Fields foi anunciada quase dois anos após o crime, que ocorreu em 12 de agosto de 2017 e colocou a pacata cidade universitária de Charlottesville, de cerca de 50 mil habitantes, no centro da polêmica de uma marcha supremacista.

Batizada de Unite the Right (“Unir a direita”, em tradução livre), a marcha foi conclamada em resposta aos planos do governo local de retirar uma estátua de um herói confederado, algo que várias cidades americanas vêm fazendo nos últimos anos.

Na época, imagens de centenas de pessoas, autoproclamadas supremacistas brancos, marchando pelas ruas da cidade, carregando tochas em referência ao grupo racista Ku Klux Klan ou trajando roupas camufladas e portando armas de grosso calibre correram os noticiários do mundo, chocando a comunidade internacional. O adeptos da marcha chegaram em comboio de várias cidades do país – Fields, por exemplo, veio de Maumee, Ohio.

Moradores da cidade, então, organizaram um contraprotesto para mostrar que não compactuavam com as ideias da marcha. Entre eles, estava Heather Heyer. Em um dos pontos mais críticos do episódio, um grupo contrário à marcha bloqueou uma via para impedir o avanço dos supremacistas. Heye estava entre eles. Nesse momento, Fields avançou com o carro sobre o grupo deixando feridos graves e matando Heyer.

Fields foi preso e acusado de homicídio doloso (quando há a intenção de matar) e 29 crimes de ódio. Em dezembro do ano passado, ele foi sentenciado à prisão perpétua pela morte de Heyer e por outras cinco acusações de lesão corporal grave, três de lesão corporal leve e uma de atropelamento e fuga.

Na segunda-feira, ele recebeu uma nova condenação, desta vez por crime de ódio. Ele foi condenado a uma segunda sentença de prisão perpétua mais 419 anos de prisão, sem possibilidade de liberdade em condicional. Na ocasião, Fields aceitou se declarar culpado das acusações, o que evitou uma sentença de morte.

Antes de receber a nova sentença, Fields pediu desculpas pelo atropelamento. A nova condenação, no entanto, é simbólica, visto que a pena anterior já previa que Fields passaria o resto da vida na prisão.

O episódio em Charlottesville acirrou o debate sobre a ascensão de supremacistas brancos nos Estados Unidos e gerou duras críticas ao presidente Donald Trump. Isso porque muitos dos adeptos da marcha eram apoiadores do presidente, que não apenas não rechaçou a marcha como também teve uma resposta excessivamente branda ao episódio, não apontando os supremacistas como culpados.

A falha de Trump em apontar diretamente os supremacistas gerou uma onda de críticas. Especialmente, pelo fato de alguns supremacistas terem marchado fazendo saudações nazistas e gritando “Hail Trump”, em referência ao “Hail Hitler”, a forma como Adolf Hitler era saudado.

No último fim de semana, Trump novamente se viu em uma polêmica com contornos supremacistas, ao postar em sua conta no Twitter uma mensagem na qual exortou quatro deputadas democratas não brancas a ‘voltarem para seus países’. A mensagem foi considerada xenófoba e racista.

Leia também: EUA: a questão racial e os bois indômitos da luta de classes

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1 Opinião

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    O que seria da imprensa esquerdista se não fosse o TRUMP? E o Guga Chacra, coitado, já teria perdido o emprego. E o Jorge Pontual? E a Mônica Bérgamo? E o Reinaldo Azevedo? Até o Marco Antônio Vila já aderiu.

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