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APÓS MASSACRE

Nova Zelândia aprova projeto de lei para restringir porte de armas

Votação do projeto de lei ocorre após o massacre em duas mesquitas em Christchurch, que deixou 50 mortos no último dia 15 de março

Nova Zelândia aprova projeto de lei para restringir porte de armas
Projeto mira cartuchos de alta capacidade e armas automáticas (Foto: Template:Brasil)

O Parlamento da Nova Zelândia aprovou nesta terça-feira, 2, o projeto de lei que visa a proibição do porte de armas no país. Esta foi a primeira de três votações para que o texto vire oficialmente lei.

A nova lei busca a proibição dos cartuchos com alta capacidade e também do armamento semiautomático. A medida foi tomada após o massacre em duas mesquitas na cidade de Christchurch, que deixou 50 mortos no último dia 15 de março. A primeira-ministra Jacinda Ardern anunciou que a venda dessas armas seriam proibidas a partir de 11 de abril deste ano. A neolandeza já havia falado sobre a possível alteração na legislação, afirmando que, comparada com outros países, as leis da Nova Zelândia eram consideradas brandas.

O superintendente da polícia, Mike Mcllraith demonstrou na sessão de votação como era fácil a manipulação de uma arma daquele estilo. Segundo o ministro responsável pela polícia, Stuart Nash, existem muitas pessoas com acesso a armas perigosas e a decisão dos parlamentares foi devido à questão de segurança pública.

“Nós também fomos motivados pela memória de 50 homens, mulheres e crianças que foram tirados de seus entes queridos no dia 15 de março.
A memória deles é nossa responsabilidade. Nós nunca mais queremos ver um ataque como esse em nosso país de novo. Somos compelidos a agir rapidamente”, declarou Nash.

O único voto contra o projeto de lei foi do conservador David Seymour, que alegou que a medida foi tomada de forma precipitada.

Além de Seymour, mais de 14 mil pessoas, segundo a Associated Press, assinaram a uma petição que já foi entregue ao Parlamento, afirmando que as mudanças legislativas são consideradas “injustas” para cidadãos que obedecem às leis e que a decisão dos parlamentares foi motivada por emoções.

“Eu peço cautela. Exorto a consulta pública. Peço que façamos o nosso trabalho como parlamento e honremos verdadeiramente as vítimas dessa tragédia, defendendo a nossa democracia”, afirmou Seymour ao parlamento.

Custo de recompra pode chegar a US$ 300 milhões

O governo havia informado anteriormente que a recompra das armas poderia custar entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões. Porém, após a sessão no parlamento, a estimativa chegou a US$ 300 milhões. Se o projeto de lei for aprovado, os proprietários de armas terão anistia até o mês de setembro para entregar suas armas e serem compensados com a recompra.

A polícia da Nova Zelândia estima um total de 1,2 milhão de armas de fogo no país. Desde a última segunda-feira, já foram entregues 211 armas à polícia. Porém, a secretária do Conselho dos Proprietários Licenciados de Armas, Nicole Mckee afirmou que a mudança na lei custaria “bilhões” aos contribuintes.

“Estamos muito preocupados com o tratamento injusto aos proprietários de armas de fogo da Nova Zelândia”, disse ela na terça-feira, acrescentando que isso tornaria os 250 mil cidadãos “cumpridores da lei” que são proprietários licenciados de armas de fogo, em criminosos.

Fontes:
CNN-New Zealand firearm buyback cost could reach $300 million NZD
G1-Nova Zelândia aprova em primeira votação projeto de lei para restringir armas no país

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