Início » Brasil » Número de escolas com nome de presidentes do regime militar reduz 26%
EDUCAÇÃO

Número de escolas com nome de presidentes do regime militar reduz 26%

Segundo pesquisas, expansão da rede pública de ensino foi uma das medidas dos militares para aumentar sua influência no interior do Brasil

Número de escolas com nome de presidentes do regime militar reduz 26%
'Esses ditadores buscavam meios artificiais para se destacar', afirmou a professora de história (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O número de escolas com nome de presidentes do período do regime militar está cada vez mais se erradicando. Segundo a um levantamento realizado pelo G1 e dados do Censo Escolar, 595 escolas em 2018 homenageavam um dos cinco militares que ocuparam o poder durante o regime. Esse número é 26% menor que o ano de 2009.

A retirada dos nomes de presidentes do regime militar se mantém desde 2013. Nos últimos anos, o número de escolas batizadas em homenagem ao nome mais comum, Garrastazu Médici, caiu 30%, ou seja, de 151 escolas para 105.

Segundo pesquisas da professora de história Raquel Elisa Cartoce, a expansão da rede pública de ensino foi uma das medidas feitas pelos militares não apenas para ampliar o número de brasileiros na escola, e sim para aumentar sua influência no interior do Brasil. A professora afirmou que a expansão quantitativa não era responsável pela qualidade de ensino.

“Esses ditadores buscavam meios artificiais para se destacar”, afirmou a professora.

As escolas que ainda mantinham o nome de um dos cinco ex-presidentes são de maioria pública, totalizando 96,5%. Mais de 2/3 se concentra em 495 municípios brasileiros e metade delas no Nordeste.

No Maranhão, em 2015, o governador Flávio Dino (PCdoB) criou um decreto para a retirada do nome dos presidentes do período do regime militar de dez escolas estaduais. O atual secretário de Educação, Felipe Camarão, afirmou que o decreto teve o objetivo de fazer valer a lei estadual em que impede pessoas vivas a emprestarem seus nomes a vias e prédios públicos, precisamente como uma “vontade pública” de relatórios da Comissão da Verdade para retirar as homenagens a pessoas consideradas “artífices da ditadura militar”.

As dez escolas receberam três opções para os novos nomes e, com isso, realizaram eleições para a escolha, onde participaram professores, funcionários e estudantes. O estado criou uma lei que em todo o primeiro dia de aula é explicado o motivo do nome da escola e qual foi a contribuição que a pessoa fez à sociedade para merecer o nome na escola.

“Historicamente os nomes servem como homenagens. Você ter nome de ditadores como homenagem é muito mais forte do que esse trabalho de conscientização”, afirmou a professora.

Fontes:
G1-Número de escolas com nome de presidentes da ditadura militar cai 26% em uma década

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *