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AVIAÇÃO CIVIL EUROPEIA

O estranho caso dos ‘estranhos odores’ em aviões da Airbus

Casos de náusea e confusão mental em voos da TAP com o A330neo vêm intrigando a aviação civil europeia

O estranho caso dos ‘estranhos odores’ em aviões da Airbus
A TAP foi a primeira companhia aérea do mundo a voar com o modelo (Foto: Flickr/km30192002)

O caso não faz feio diante dos melhores ou piores livros ou filmes de ficção científica em que alguém de juízo perdido tenta, sorrateiramente, para mudar o comportamento das pessoas, usando para isso alguma substância invisível, criada em alguma obscura instalação secreta, em Langley ou em Vladivostok, num plano maquiavélico para dominar o mundo.

Algo está, de verdade, alterando o comportamento das pessoas – no caso, de passageiros de avião -, ou pelo menos o comportamento de seus estômagos.

Está acontecendo algo em Portugal: desde fevereiro. Não param de surgir relatos de passageiros da companhia aérea TAP (Transportes Aéreos Portugueses) sofrendo com náuseas, vômitos, ardência nos olhos, cansaço extremo e confusão mental, mas somente em voos de longa distância feitos com um modelo específico de avião fabricado pela Airbus, o A330neo.

Em junho, só em junho, a TAP admitiu publicamente “casos pontuais de tripulantes com ligeiras indisposições” em alguns voos com sua frota de 10 aviões modelo A330neo novinhos em folha. Na época, a companhia disse que o problema poderia estar associado a “alguns odores do equipamento de ar condicionado”, o que seria “normal em aeronaves novas”.

A TAP foi a primeira companhia aérea do mundo a voar com o modelo A330neo da Airbus, a partir de novembro de 2018. A Airbus, por seu turno, também em junho, e pelo menos em público, descartou ter responsabilidade pelo estranho fenômeno dos “estranhos odores” a bordo dos A330neo. A empresa disse, naquela feita, que tais odores poderiam ter origem em “dispositivos eléctricos, produtos de limpeza, álcool, bandejas de comida” e até em “outros passageiros”.

Gotas de óleo?

No início de julho, a falta de medidas concretas por parte da TAP levou o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) de Portugal a cogitar a convocação dos seus filiados a cruzarem os braços. Em nota, disse o sindicato: ”caso a TAP não mostre garantias de que o problema pode ser resolvido em pouco tempo, seremos obrigados a ponderar a convocação de uma greve”.

Neste domingo, 15, o jornal português Diário de Notícias noticiou que no dia 7 de junho a Airbus enviou uma carta à TAP admitindo que pequenas gotas de óleo liberadas no momento do arranque do motor e o sistema de ar condicionado seriam a origem dos “estranhos odores” nos aviões A330neo, mas a ligação dessas questões técnicas com os sintomas apresentados por alguns passageiros e tripulantes que viajam neste modelo específico de avião, nesta companhia aérea específica, isso continua sendo um mistério.

Na mesma carta à TAP, a Airbus diz que já havia sido criada uma força-tarefa para tentar resolver o problema. Ato contínuo à divulgação da informação da carta da Airbus, uma representante do sindicato disse à rádio portuguesa TSF: “estas notícias aumentam as nossas preocupações. Isto porque as ocorrências permanecem. Não são diárias, mas continuam a chegar. Tem de haver medidas mais imediatas. Nem os tripulantes, nem os passageiros podem ficar à mercê de grupos de trabalho”.

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1 Opinião

  1. Alexander Medeiros disse:

    No caso como é um Neo, a confusão deve ser o cérebro se configurando para sair da matriz.

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