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O legado do cineasta Franco Zeffirelli

Um dos oito diretores italianos já indicados ao Oscar, Zeffirelli fez sucesso com obras de Shakespeare. O diretor também brilhou nos palcos teatrais

O legado do cineasta Franco Zeffirelli
Entre seus maiores sucessos estão ‘Romeu e Julieta’ e ‘La Traviata’ (Foto: Divulgação/Franco Zeffirelli)

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Gianfranco Corsi Zeffirelli, mais conhecido como Franco Zeffirelli, morreu no último sábado, 15, aos 96 anos, em sua casa, em Roma. Reconhecidamente um brilhante diretor italiano, sendo um dos oito compatriotas indicados ao Oscar de Melhor Diretor, deixou uma grande seleção de produções cinematográficas.

Pelas obras Romeu e Julieta (1968) e La Traviata (1982), Zeffirelli recebeu indicações ao Oscar de Melhor Direção e de Melhor Direção de Arte, respectivamente. Também foi indicado ao Globo de Ouro, em 1968, por Romeu e Julieta.

Seu ideal romântico demonstrado nas produções cinematográficas encantou o mundo, assim como sua proximidade com as obras do escritor britânico William Shakespeare. Ao longo de sua carreira, Zeffirelli foi responsável por três filmes baseados no trabalho do escritor: A Megera Domada (1966), Romeu e Julieta (1968) e Hamlet (1990).

Católico, conservador e homossexual assumido, Zeffirelli também foi reconhecido por sua obra histórica cristã. Entre seus maiores trabalhos destacam-se Irmão Sol, Irmã Lua (1972), uma biografia de São Francisco de Assis; e Jesus de Nazaré (1977), com versões para o cinema e para a televisão. Jesus de Nazaré, inclusive, tornou o ator Robert Powell a principal imagem mundial de Jesus na época.

Em diferentes trabalhos, Zeffirelli associou o seu brilhantismo cinematográfico aos palcos, onde também teve grande sucesso, principalmente em peças teatrais e óperas. Em sua última produção para o cinema, Callas Forever (2002), Zeffirelli homenageou sua amiga cantora Maria Callas, quem disse ser a única mulher por quem se apaixonou.

No ponto mais baixo da sua carreira cinematográfica encontra-se o filme Amor sem Fim (1981), estrelado pela atriz Brooke Shield e amplamente criticado por profissionais do cinema.

No entanto, parte dos críticos atribui o fracasso da produção a má-interpretação dos atores. No site Rotten Tomatoes, que reúne críticas internacionais, a aprovação do filme é de apenas 29% entre os críticos e de 53% entre o público. Em 2014, a obra foi refilmada, agora pelos Estados Unidos. No entanto, os críticos novamente reprovaram a produção, com uma aprovação de apenas 16%.

Entre outras obras, Zeffirelli dirigiu também produções como O Campeão (1979), Jane Eyre – Encontro com o Amor (1996) e Chá com Mussolini (1999), que é baseado em sua autobiografia para ilustrar o ambiente no qual se tornou diretor cinematográfico. Mais tarde, em 2009, dirigiu o documentário Homenagem a Roma, estrelado por Andrea Bocelli e Monica Bellucci, para ser exibido em um evento especial no Festival de Cinema de Roma.

Vida pessoal

Zeffirelli nasceu em Florença, na Itália, em fevereiro de 1923. Filho ilegítimo, proveniente de um caso de sua mãe estilista – que era casada com um advogado – com um comerciante de lã, Zeffirelli recebeu esse nome como uma homenagem a uma obra de Mozart. No entanto, o cartório errou no registro civil. O nome original era “Zeffiretti”, relacionando o sobrenome a uma ópera que dizia “zeffiretti gentili” (ventos suaves).

Homossexual assumido, Zeffirelli repudiava a palavra “gay”. Para ele, a expressão era “uma forma estúpida de chamar os homossexuais, como se fossem palhacinhos inócuos e divertidos”, conforme escreveu em sua autobiografia em 2003.

Criado na casa de sua tia, Zeffirelli se apaixonou pelo teatro enquanto passava férias na Toscana. Na Segunda Guerra Mundial, lutou na resistência italiana e, em seguida, atuou como tradutor para um regimento escocês, quando os Aliados entraram na Itália. Após o fim do conflito, estudou Arte e Arquitetura.

Iniciou sua carreira no cinema como ajudante de direção. Mais tarde, conheceu o diretor Luchino Visconti, que é apontado como um dos mais importantes profissionais do cinema italiano. Com Visconti, Zeffirelli se envolveu romanticamente e intelectualmente.

No início de 2018, Zeffirelli, já com a saúde debilitada, se viu envolto em uma polêmica. O diretor italiano foi acusado pelo ator Johnathon Schaech de abuso sexual. Segundo Schaech, durante as filmagens de Sparrow (1992), Zeffirelli entrou em seu quarto enquanto dormia, deitou ao seu lado e o tocou sem sua permissão.

No entanto, os familiares negaram as acusações de Schaech. De acordo com a família de Zeffirelli, o ator nutria raiva do diretor, pois, após o término das filmagens, Schaech teve as falas dubladas devido a um problema de dicção.

Sobre as acusações de ter sido verbalmente abusivo e agressivo com o jovem ator, a família afirmou que “diretores têm estilos diferentes e quando eles estão lidando com atores que não têm experiência, às vezes, eles são mais exigentes e pressionam mais”.

Fontes:
The Guardian-Franco Zeffirelli was a master charmer - no wonder we all fell for his Romeo and Juliet
El País-O adeus ao diretor de cinema italiano Franco Zeffirelli
G1-Morre o cineasta italiano Franco Zeffirelli

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