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ALEMANHA

O renascimento alemão pós-Muro de Berlim

Em movimento na redes sociais, alemães comentam como teria sido triste e sem perspectiva a vida no país se o Muro de Berlim não tivesse sido derrubado

O renascimento alemão pós-Muro de Berlim
Fim do muro significou uma abertura de horizontes antes inimagináveis (Foto: Public Domain Pictures)

Para milhões de pessoas, o Muro de Berlim foi um símbolo da divisão da Alemanha e da era pós-guerra na Europa. O muro foi palco de discursos memoráveis de personalidades públicas como John Kennedy, Willy Brandt, Walter Ulbricht, Ronald Reagan e Helmut Kohl. Além disso, abriu caminho para a reunificação alemã e a criação do euro.

Mas também foi responsável por inúmeras tragédias. Dividiu famílias. Destruiu oportunidades. Cerca de 173 alemães do leste foram mortos tentando atravessá-lo. Um deles, Peter Fechter, de 18 anos, foi baleado em 1962 ao tentar escalá-lo e morreu diante do olhar impassível dos guardas, enquanto os soldados da Alemanha Ocidental jogavam bandagens para estancar o sangue de seus ferimentos.

A queda do Muro de Berlim e os 28 anos, dois meses e 27 dias seguintes da história alemã significaram uma abertura de horizontes antes inimagináveis, como viagens, empreendimentos, amizades e casamentos entre ​​alemães orientais e ocidentais. Em 5 de fevereiro, em comemoração aos anos que se seguiram à sua derrubada, na hashtag #ohneMauerfall compartilhada nas redes sociais, os alemães comentaram como teria sido triste e sem perspectiva a vida deles sem a queda do muro.

A chanceler Angela Merkel lembra com nitidez o dia 13 de agosto de 1961, quando o muro começou a ser construído: “Meu pai estava rezando uma missa naquele domingo. O ambiente  era horrível na igreja. Jamais esquecerei a cena. As pessoas choravam. Minha mãe também chorava. Ainda não podíamos avaliar as consequências da construção dessa barreira física dividindo a cidade, mas estávamos assustados.” Anos depois, trabalhando como física em Berlim Oriental, ela se juntou à multidão que cruzou a fronteira pela ponte Bornholmer Straße. Logo em seguida, Merkel envolveu-se na política do país reunificado e foi eleita chanceler da República Federal da Alemanha em 2005. Agora, no início de seu quarto mandato, Merkel está à frente do governo em 13 anos da história alemã após a queda do muro.

Em entrevista recente à revista Economist, John Kornblum, ex-embaixador americano na Alemanha Ocidental e um dos cérebros por trás da frase de Ronald Reagan, “Sr. Gorbachev, derrube este muro!” proferida em seu discurso no Portão de Brandemburgo em 1987, observou que a história moderna do país teve ciclos de 20 e 30 anos. Primeiro, houve o período imediato pós-guerra do final da década de 1940 até os anos 1960, marcado pela divisão do país e a construção do muro. Em seguida, veio um período de maior estabilidade com o início do governo de Willy Brandt em 1969. Com a queda do muro em novembro de 1989, houve o período de reunificação centrado no governo do chanceler Gerhard Schröder de 1998 a 2005.

O centro de Berlim foi reconstruído e as novas ruas e avenidas circulam entre as antigas áreas ocidental e oriental da cidade. Peter Schneider, veterano cronista berlinense, escreveu: “A queda do Muro de Berlim deu um impulso vital à cidade. É como se ela tivesse conquistado uma dimensão temporal que, durante os anos do muro, permaneceu adormecida”.

Alguns berlinenses criticam os problemas de infraestrutura da cidade, o trânsito às vezes caótico, os conflitos sociais típicos de um centro urbano moderno e a demora da construção do aeroporto que deverá ser inaugurado em 2021, dez anos depois do previsto. Mas Berlim é um marco da evolução pós-guerra da maior potência econômica da Europa.

Fontes:
The Economist - The Berlin Wall has now been down longer than it was up

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