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VENEZUELA

Opositores de Maduro teriam queimado ajuda humanitária

Segundo o 'New York Times', um opositor ao governo de Maduro teria lançado um artefato caseiro nos caminhões enviados para ajudar a população venezuelana

Opositores de Maduro teriam queimado ajuda humanitária
Apesar da controvérsia, líderes afirmam que Maduro é responsável pela violência na Venezuela  (Foto: Twitter/Miguel Baia Bargas)

Em fevereiro, a ajuda humanitária internacional que tentou entrar na Venezuela foi incendiada. Inicialmente, a culpa foi atribuída aos apoiadores do presidente Nicolás Maduro. No entanto, uma análise do New York Times aponta que o incêndio pode ter sido causado por opositores de Maduro.

A narrativa inicial apontava que o presidente Maduro teria instruído ordens para seus apoiadores incendiarem a caravana de ajuda humanitária, enquanto milhares de venezuelanos aguardavam por ajuda.

O ato foi duramente criticado pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, que afirmou que “o tirano de Caracas dançava, enquanto seus capangas queimavam alimentos e remédios”. O Departamento de Estado divulgou um vídeo no qual afirmava que Maduro havia ordenado que os caminhões fossem queimados.

Em adendo, a oposição, liderada pelo autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, ajudou a dissipar a informação para toda a América Latina. Porém, de acordo com o jornal New York Times, o incêndio teria sido um acidente causado por um manifestante opositor de Maduro, apoiador de Guaidó.

Imagens obtidas pelo jornal norte-americano resultaram na reconstrução do acidente, que teria sido causado por um coquetel Molotov (feito por uma mistura líquida inflamável dentro de uma garrafa de vidro, vedada por um pano com o mesmo líquido inflamável) lançado por um manifestante anti-Maduro.

Nas imagens é possível notar, a partir do minuto dois do vídeo, que o artefato caseiro foi lançado por um manifestante contra a polícia venezuelana, que bloqueava a ponte entre a Colômbia e a Venezuela. De acordo com as imagens, o pano utilizado para acender ao coquetel Molotov se separou da garrafa e foi em direção ao caminhão. O mesmo manifestante também é visto minutos depois em outro vídeo, atingindo outro caminhão, porém, sem incendiá-lo.

Segundo opositores de Maduro, os caminhões carregavam medicamentos. O senador republicano dos EUA,  Marco Rubio, também confirmou, através de uma postagem em suas redes sociais no último dia 23 de fevereiro, que “cada um dos caminhões queimados por Maduro carregou 20 toneladas de alimentos e remédios”.

No entanto, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, que foi o principal fornecedor da ajuda humanitária na ponte, não listou medicamentos entre as suas doações.

O líder da oposição da Venezuela, Juan Guaidó, sustentou, inicialmente, que os caminhões continham remédios e alimentos. Porém, quando contatado na última quinta-feira, 7, o porta-voz de Guaidó, Edward Rodríguez disse que “não tinha a informação exata”.

De acordo com o New York Times, as caixas que foram resgatadas do incêndio tinham suprimentos de higiene básica, como sabão, luvas e pasta de dente. Diante do vídeo, o NYT questionou autoridades norte-americanas sobre o incêndio. Apesar da possível contradição sobre quem iniciou o incêndio, as autoridades americanas não retiraram a responsabilidade de Maduro, visto que, o presidente havia bloqueado os caminhões de ajuda naquele dia.

“Maduro é responsável por criar as condições para a violência”, disse Garrett Marquis, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional. “Seus bandidos negaram a entrada de toneladas de alimentos e medicamentos, enquanto milhares de voluntários corajosos procuraram salvaguardar e entregar ajuda às famílias venezuelanas”.

Relembre o caso

No último dia 23 de fevereiro, a oposição tinha como objetivo burlar um bloqueio militar feito por Maduro para garantir a entrada de ajuda humanitária na Venezuela. No entanto, a tentativa de ajuda, liderada por Guaidó e a oposição, e as forças militares venezuelanas, lideradas por Maduro, entraram em confronto.

Dois caminhões com ajuda humanitária, que iam da Colômbia para a Venezuela, foram incendiados. Apoiadores de Guaidó acusaram os militares de queimarem o comboio, narrativa que foi reforçada por parte da comunidade internacional que apoia Guaidó. Maduro, por sua vez, afirma que o incêndio foi encenado pelos manifestantes.

Após os caminhões terem sido atacados, o governo colombiano enviou imagens para autoridades americanas e jornalistas. A gravação, porém, foi editada, tendo aproximadamente 13 minutos de vídeo retirados. As imagens apenas demonstram as forças de segurança venezuelanas lançando bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes. Mais tarde, a filmagem mostra o caminhão de ajuda humanitária em chamas.

EUA retiram diplomatas remanescentes

Diante da deterioração das condições da Venezuela, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, solicitou a retirada de diplomatas norte-americanos remanescentes na embaixada em Caracas, na capital da Venezuela. Anteriormente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia prometido manter os diplomatas no país.

A intenção de Trump era manter os diplomatas para legitimar o governo de Juan Guaidó após a saída de Nicolás Maduro, que já cortou relações diplomáticas com os EUA em janeiro deste ano.

 

Leia mais: O xadrez político na crise venezuelana

Fontes:
The New York Times-Footage Contradicts U.S. Claim That Nicolás Maduro Burned Aid Convoy

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1 Opinião

  1. Almanakut Brasil disse:

    NYT!

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