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Os melhores livros para entender sobre o terrorismo

Diversos autores exploram em seus livros o tema complexo do fundamentalismo islâmico e do movimento terrorista global

Os melhores livros para entender sobre o terrorismo
Alguns livros captaram mais a essência do movimento terrorista (Foto: PXHere)

 O terrorismo não é um fenômeno novo. A invenção no século XIX da dinamite por Alfred Nobel e o uso desse material explosivo por jovens radicais, incentivados por visões utópicas, alimentava os relatos dos jornais da época sobre civis mortos em atentados a bomba nas capitais europeias.

Histórias sobre homens-bomba antecedem a ascensão do grupo jihadista Estado Islâmico (Isis), autor do atentado terrorista em Sri Lanka no domingo de Páscoa. Em 1881, o ataque de um homem-bomba assassinou o tsar Alexandre II da Rússia. Na década de 1930, soldados chineses inventaram um cinto com explosivos durante a guerra contra a antiga União Soviética e o Japão.

No entanto, apesar de não ser um fato novo, os atentados suicidas foram responsáveis por 40% das mortes nos últimos cinco anos. O ano de 1976 não registrou nenhum ataque de homem-bomba no mundo. Porém, em 2016, 40 anos depois, 28 países foram vítimas de 469 atentados.

Na década seguinte aos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, os ataques que destruíram as Torres Gêmeas em Nova York inspiraram a publicação de 1.742 livros. Mas esses livros não conseguiram explicar a ascensão dos grupos jihadistas responsáveis ​​por mais de 95% dos atentados terroristas no mundo.

Porém, alguns livros captaram mais a essência do movimento terrorista, como The New Threat from Islamic Militancy de Jason Burke, uma continuação de seu livro 9/11 Wars, que examina o fenômeno da globalização do terrorismo em um contexto político e social.

Por sua vez, em Black Flags: The Rise of Isis, Joby Warrick traça um panorama da frágil teia de lealdades no atual mundo em conflito.

A ideologia na qual o terrorismo se apoia é um terreno fértil para interpretações equivocadas, chavões e preconceito racial. A atribuição generalizada do terrorismo aos muçulmanos contribuiu para o aumento da xenofobia e da rejeição à imigração e, em consequência, do extremismo islâmico.

Em seu livro Salafi-Jihadism, Shiraz Maher descreve a estrutura teológica que norteia o pensamento dw muitos terroristas, sem incorrer no erro de tentar explicar a complexa lei islâmica.

William McCants em The Isis Apocalypse faz uma análise perspicaz da crença dos membros do Ísis de que a condição sine qua non para a criação do mundo islâmico perfeito é a derrota nos campos de batalha. Uma convicção que frustra as tentativas convencionais de destruir o grupo, porque se baseia no milenarismo, uma doutrina que acredita que a segunda vinda de Cristo à Terra trará luz e paz após um período de trevas e sofrimento. Portanto, a morte e a destruição seriam o prenúncio de um período de justiça, felicidade e paz.

O livro recém-publicado de Mia Bloom, Bombshell, e o de coautoria com John Horgan, Small Arms, investigam os papéis desempenhados pelas mulheres e crianças no terrorismo, em especial no caso de crianças usadas como soldados na guerra contra os infiéis.

Em Sudden Justice, Chris Woods mostra como o uso de drones pelo Exército dos EUA tem sido prejudicial no combate ao terrorismo. Já Julia Ebner no livro The Rage: The Vicious Circle of Islamist and Far-Right Extremism analisa a ascensão da retórica do ódio da extrema-direita paralela à violência jihadista.

Por fim, em The Association of Small Bombs, Karan Mahajan examina um atentado terrorista em Nova Déli sob diversos aspectos em uma tentativa de explicar o contexto complexo da sociedade indiana, que deu origem ao extremismo islâmico no país.

Esses autores são unânimes ao afirmar que o contraterrorismo em si não é uma resposta eficaz de combate ao terrorismo. É preciso estudar suas causas mais profundas. Não basta atacá-lo com as armas convencionais. As medidas adotadas pelos países ocidentais após os atentados de 11 de setembro só exacerbaram a violência sem um sinal de paz de curto prazo.

Fontes:
The Guardian-After Sri Lanka: the best books to understand modern terrorism

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1 Opinião

  1. Almanakut Brasil disse:

    Terrorista, de qualquer lado, é terrorista e tem que ser combatido com antecedência, com a pena de morte.

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