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BRASÍLIA

Ponte que homenageava líder estudantil volta a se chamar Costa e Silva

Ponte que foi rebatizada em 2015, com nome de estudante desaparecido no regime militar, tornará a levar nome de militar

Ponte que homenageava líder estudantil volta a se chamar Costa e Silva
A ponte levava o nome do líder estudantil Honestino Guimarães (Foto: Agência Brasil/Wilson Dias)

A mudança de nome de uma ponte em Brasília vem gerando polêmica e indignação. Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, a ponte tem 400 metros de extensão e liga a Asa Sul e o Lago Sul. Ela começou a ser construída em 1967 – ano em que Costa e Silva assumiu a Presidência da República – e foi finalizada em 1976, quando foi batizada de Ponte Costa e Silva.

Em 2015, o nome da ponte foi trocado por meio de um projeto de lei de autoria do deputado Ricardo Vale (PT-DF) – aprovado na Câmara Legislativa do Distrito Federal e sancionado pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A estrutura passou a se chamar Ponte Honestino Guimarães, em homenagem a um líder estudantil e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) desaparecido durante o regime militar.

Porém, uma decisão unânime do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), tomada na última terça-feira, 6, determinou que a estrutura tornasse a se chamar Ponte Costa e Silva. Ainda cabe recurso da decisão. No entanto, já nesta quarta-feira, 7, a placa da ponte amanheceu vandalizada, com o nome de Costa e Silva pichado em cima do nome de Honestino Guimarães.

O tribunal foi provocado a se manifestar em ação civil pública apresentada pela deputada federal eleita Bia Kicis (PRP), ex-procuradora do Distrito Federal e apoiadora do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Em sua conta no Twitter, a deputada celebrou a decisão. “Ganhaaaaaamooooosssss!!!!! O Governo comunista do DF mudou o nome da Ponte Costa e Silva para Honestino Guimarães sem consultar a população, como determina a lei. Hoje ganhamos a ação popular que movemos. Viva a Democracia!”, escreveu Kicis.

A ação protocolada por Kicis alega que existe um “vício de iniciativa” em relação à mudança do nome da ponte, já que somente o governador do Distrito Federal poderia sugerir, através de um projeto de lei, a alteração do nome, não o deputado Ricardo Vale. Antes de chegar ao Conselho Especial, a ação popular transitou em duas varas do TJDFT. Desde que a ponte foi rebatizada, em 2015, a placa já foi pichada e depredada diversas vezes.

Quem foi Honestino Guimarães

Honestino Guimarães nasceu em Goiás, em 1947, e mudou-se com a família para Brasília em 1960. Às vésperas de completar 18 anos, ele ingressou na Universidade de Brasília (UnB), onde cursou geologia, após ser aprovado em primeiro lugar na classificação geral. Ao longo da graduação e em meio à repressão ditatorial, Honestino engajou-se na política estudantil e passou a protestar contra o governo militar, através de manifestações, pichações e distribuição de panfletos contra o regime.

Expulso da UnB quando faltavam apenas dois meses para se formar, Honestino deixou Brasília e foi morar em São Paulo e, depois, no Rio de Janeiro, onde foi preso e desapareceu. Em 1996, a família de Honestino recebeu do Poder Judiciário do Rio de Janeiro um atestado de óbito, que não mencionava a causa da morte do estudante. Desde então, ele se tornou um símbolo da resistência ao regime militar, assim como Vladimir Herzog e Stuart Angel.

Costa e Silva, por sua vez, presidiu o Brasil entre 1967 e 1969, o período mais crítico do regime militar. Foi no governo Costa e Silva que foi instaurado o Ato Institucional nº 5 (AI-5), responsável pela fase de maior repressão da ditadura.

Fontes:
Congresso em Foco-Ponte que homenageava estudante desaparecido na ditadura militar volta a dar nome a marechal

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