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Por que Trump retomou as sobretaxas ao aço do Brasil?

Embora tenha apontado a desvalorização do real como justificativa, sobretaxas refletem empenho de Trump para retirar o setor manufatureiro dos EUA da estagnação

Por que Trump retomou as sobretaxas ao aço do Brasil?
Estagnação do setor manufatureiro dos EUA ameaça reeleição de Trump (Foto: Flickr/The White House)

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 2, que vai restaurar as sobretaxas de importação ao aço e alumínio provenientes do Brasil e da Argentina.

As sobretaxas serão de 25% sobre o aço e 10% sobre ao alumínio e representam um forte golpe para o setor siderúrgico brasileiro, uma vez que o Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá. Entre janeiro e outubro deste ano, o país exportou mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 8,4 bilhões) em produtos de ferro e aço semimanufaturados.

O presidente americano justificou a medida acusando Brasil e Argentina de promoverem “uma desvalorização maciça de suas moedas”, o que prejudicaria agricultores americanos. Na mesma mensagem, Trump alfinetou o Federal Reserve (FED), o banco central americano.

“Brasil e Argentina têm promovido uma desvalorização maciça de suas moedas, o que não é bom para nossos agricultores. Portanto, com vigência imediata, restabelecerei as tarifas de todo aço e alumínio exportado por esses países para os Estados Unidos. O Federal Reserve deveria agir da mesma forma, para que países, que são muitos, não se aproveitem mais do nosso dólar forte, desvalorizando ainda mais suas moedas. Isso torna muito difícil para nossos fabricantes e agricultores exportarem seus produtos de maneira justa”, escreveu Trump.

O real tem registrado uma desvalorização recorde em relação ao dólar. A moeda americana encerrou a semana passada com alta de quase 10% e abriu esta segunda-feira cotada a R$ 4,22.

Nesta segunda-feira, em entrevista a jornalistas em frente ao Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro foi questionado sobre que ações pretende tomar diante do anúncio de Trump. Bolsonaro afirmou que primeiro pretende consultar o ministro da Economia, Paulo Guedes, e disse que, se for o caso, vai telefonar para o presidente americano.

“Vou falar com o Paulo Guedes agora. Se for o caso, ligo para o Trump, eu tenho um canal aberto com ele. Converso com o Paulo Guedes e depois dou uma resposta, para não ter que recuar”, disse Bolsonaro, segundo noticiou a revista Veja.

Trump impôs sobretaxas ao aço e alumínio de vários países em março de 2018. Na época, o governo do então presidente Michel Temer iniciou uma intensa negociação para isentar o Brasil da medida. Tais esforços deram resultado e em agosto de 2018, o Brasil ficou entre os exportadores que foram beneficiados por uma flexibilização do governo americano, que excluiu alguns países da taxação.

O que está por trás das sobretaxas?

Embora tenha apontado a desvalorização de moedas como justificativa, um outro fator, mais grave, motivou a decisão de Trump de restabelecer as sobretaxas.

Há anos o excesso de capacidade de produção no setor siderúrgico global vem deixando em alerta diferentes países. Em 2015, por exemplo, o excesso de capacidade do setor siderúrgico global resultou em uma produção de cerca de 2,4 bilhões de toneladas, para um consumo na ordem de 1,7 bilhão de toneladas, resultando em um excesso de 700 milhões de toneladas de aço no mundo.

A China, que produz mais da metade do aço e alumínio do mundo, usa subsídios para estimular suas indústrias nacionais, fazendo com que seu aço inunde mercados ao redor do mundo. O país, no entanto, não representa uma ameaça para os EUA nesse quesito, embora esteja no cerne de uma guerra comercial com os EUA.

Isso porque Pequim deixou de se interessar pelo mercado americano em 2016, quando o então presidente Barack Obama aplicou tarifas à importação de aço da China que, em algumas casos, chegaram a mais de 500%. A medida fez as exportações chinesas do produto aos EUA despencarem em quase dois terços. Hoje, a China é a 11ª colocada no ranking de países exportadores de aço para os EUA.

Apesar disso, o setor siderúrgico americano segue em agruras, o que compromete os planos de reeleição de Trump, uma vez que a classe operária é um dos principais alvos de sua campanha.

Conforme apontou um artigo publicado no jornal Financial Times, após chegar à Casa Branca, em 2017, Trump impôs uma intensa agenda protecionista, com o objetivo de reavivar o setor manufatureiro dos EUA, o que inclui a indústria siderúrgica. Porém, embora tenha apresentado bons resultados em um primeiro momento, tais medidas falharam em estimular a atividade industrial, que segue estagnada e registrou contração nos últimos três meses, em especial no cinturão do aço americano.

Tal estagnação reflete no aumento do desemprego. No estado de Michigan, por exemplo – onde nas eleições de 2016 Trump venceu Hillary Clinton por uma apertada margem de 10.704 votos – os empregos no setor caíram 4,2% em outubro, segundo projeções do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.

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1 Opinião

  1. Áureo Ramos de Souza disse:

    É porque Trump é burro, este não é seu campo

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