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DISPUTA INTERNA

Presidente da Apex foi exonerado após críticas a Ernesto Araújo

Um dia antes de ser demitido, Mario Vivalva criticou uma manobra do chanceler Ernesto Araújo para dar poder a aliados dentro da Apex

Presidente da Apex foi exonerado após críticas a Ernesto Araújo
Embate gerou paralisia e o temor de um ‘efeito MEC’ na Apex (Foto: : Romério Cunha/VPR)

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A demissão de Mario Vivalva da presidência da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), anunciada na última terça-feira, 9, expôs uma crise dentro do órgão.

Segundo noticiou a Deutsche Welle, um dia antes de ser demitido do cargo, Vivalva criticou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, por ter promovido mudanças no estatuto da Apex “na calada da noite”, sem consulta prévia.

Na manobra, Araújo alterou o estatuto do órgão, retirando poderes da presidência da Apex e repassando-os a dois aliados dentro do órgão: os diretores Márcio Coimbra e Letícia Catelani. A alteração foi feita de forma silenciosa, no dia 15 de março, tendo o próprio Vivalva descoberto a mudança depois, através da imprensa.

“O documento foi feito na calada da noite, e faltou lealdade ao ministro. O mais grave foi o fato de que as mudanças foram feitas sem o presidente da Apex saber e que elas foram escondidas em documento guardado em cartório, o que demonstra jogada ardilosa e de má-fé”, disse Vivalva, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Com a alteração, Araújo deu poderes a Coimbra e Catelani para convocar reuniões da diretoria-executiva à revelia da presidência da Apex. Ele também vinculou contratações e demissões à aprovação de pelo menos um dos dois aliados e proibiu a demissão de ambos dos diretores.

Vivalva – que tem mais de 40 anos de carreira diplomática e já foi embaixador do Brasil na Alemanha – disse na entrevista à Folha que Coimbra e Catelani são “despreparados, inexperientes, inconsequentes e irresponsáveis” e que há uma busca por agendas pessoais dentro da Apex, que deixa de lado a preocupação com o trabalho do órgão.

“O que está acontecendo aqui é que as pessoas estão trabalhando em agendas pessoais, e com isso não estão preocupadas em fazer com que o trabalho da agência corra normalmente, como sempre aconteceu”, disse o diplomata.

Vivalva também falou sobre o caso ao blog do jornalista Gerson Camarotti, do G1. Ao blog, o diplomata disse que sofria pressão de Araújo e que se recusou a participar de um esquema.

“Comecei a receber pressão do próprio Ernesto Araújo e do Otávio Brandelli [secretário-geral do Itamaraty]. Os dois me falaram para deixar os dois diretores fazerem o que quiserem. Desse tipo de esquema, eu não participo. E, à medida que eu neguei, tentaram me constranger”, disse Vivalva, que foi demitido no dia seguinte.

Vivalva disse ter recebido a demissão com um misto de alívio e frustração e chamou o suposto esquema dentro da Apex de “imoral”.

“Eu já estava resistindo desde que cheguei à Apex e notei que não havia sido contratado para cuidar de comércio exterior. Fui contratado para cuidar de uma determinada pessoa que tem lá dentro e eu me recusei a participar de um esquema que achava absolutamente imoral”, disse o diplomata.

Risco de ‘efeito MEC’

A troca de comando na Apex é a segunda em três meses. Em 9 de janeiro, foi exonerado do cargo Alecxandro Carreiro, após ter passado apenas 10 dias no comando do órgão.

A ascensão de Carreiro à presidência da Apex foi cercada de polêmicas. Ele chegou ao cargo por influência de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Sua ascensão foi criticada por funcionários do Itamaraty. Isso porque Carreiro, que é formado em publicidade, não tinha qualquer experiência na área de comércio exterior e não dominava a língua inglesa, um requisito essencial para o cargo.

Porém, o despreparo não foi o motivo da demissão, mas sim um desentendimento de Carreiro com Letícia Catelani. A diretora também é próxima de Eduardo Bolsonaro, que a indicou para o cargo de diretora da Apex, e tem fama de ter temperamento explosivo. Fã de Olavo de Carvalho, antes de chegar à Apex, ela ocupou um cargo de direção no PSL em São Paulo.

Segundo informações do blog do jornalista Vicente Nunes, do Correio Braziliense, parlamentares do PSL dizem que Catelani não tem currículo para ocupar um cargo tão importante na Apex e só chegou ao posto por ser amiga de Eduardo Bolsonaro.

A crise entre Vivalva e Araújo causou uma paralisia administrativa na Apex e gera o temor de um ‘efeito MEC’, órgão que sofre com uma disputa interna de poder.

A Apex é vinculada ao Itamaraty e é encarregada de promover produtos e serviços brasileiros no exterior, além de atrair investimentos.

Fontes:
DW-Após criticar ministro, presidente da Apex é exonerado

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