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VAZA JATO

Procuradores ironizaram a morte de parentes de Lula

Novas mensagens divulgadas pela Vaza Jato apontam que procuradores ironizaram a morte de Marisa Letícia, do irmão e do neto de Lula

Procuradores ironizaram a morte de parentes de Lula
Laura Tessler citou ‘sessão de vitimização’ ao comentar morte de Marisa Letícia (Foto: Arquivo/DPF)

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Novas mensagens divulgadas pelo site UOL, no âmbito da série de reportagens Vaza Jato, do Intercept Brasil, geraram polêmica nesta terça-feira, 27, ao expor conversas nas quais integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato ironizaram o luto de Lula em relação às mortes da ex-primeira-dama, Marisa Letícia, do irmão de Lula, Genival Inácio Silva, mais conhecido como Vavá, e do neto do ex-presidente, Arthur Araújo Lula da Silva.

Nas redes sociais, as principais críticas são direcionadas à procuradora Laura Tessler, do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba. Em 2 fevereiro, um dia antes de ser confirmada a morte encefálica de Marisa Letícia, que estava internada após sofrer um AVC hemorrágico, a procuradora escreveu em um chat composto por procuradores da Lava jato chamado Filhos do Januário 1: “Quem for fazer a próxima audiência do Lula, é bom que vá com uma dose extra de paciência para a sessão de vitimização”.

Em seguida, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima sugere cautela em torno do tema. “Vamos ficar em silêncio sobre o fato é [Sic] esperar para ver como eles vão se comportar. Reação somente se passarem os limites. Ninguém ganha falando contra quem morre ou contra a família”, escreveu o procurador.

Porém, no dia seguinte, após ser confirmada a morte encefálica de Marisa Letícia, o procurador Julio Noronha compartilhou um link com a informação no grupo. Minutos depois, a procuradora Jerusa Viecili escreveu: “Querem que eu fique para o enterro”. A frase vem acompanhada de um emoji de sorriso.

O assunto segue sendo debatido no chat no dia seguinte, quando os procuradores passam a comentar uma coluna da jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que aponta que os últimos dias da ex-primeira-dama foram de agonia. A procuradora Laura Tessler refuta a possibilidade do quadro da ex-primeira-dama ter se agravado após buscas e apreensões na casa dela e dos filhos, bem como a condução coercitiva do ex-presidente.

“Ridículo… Uma carne mais salgada já seria suficiente para subir a pressão… ou a descoberta de um dos milhares de humilhantes pulos de cerca do Lula”, escreve a procuradora.

No mesmo dia, no chat Parceiros/MPF – 10 Medidas, a procuradora Thaméa Danelon critica a procuradora Eugênia Augusta Gonzaga por ter comparecido à cerimônia de enterro de Marisa Letícia. “Olhem quem estava no velório da Ré Marisa Letícia”, escreveu a procuradora, em referência a uma fotografia de Eugênia na cerimônia.

Questionada por outros procuradores sobre qual seria o problema na presença de Eugênia – que chefiou a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos – Danelon responde: “Acho um desrespeito ao Janot e a todos os colegas envolvidos na LJ. Além disso, demonstra partidarismo. Algo q [Sic] temos q evitar. Apenas isso. Abraços”, responde a procuradora, que prossegue: “É como um colega ir ai [Sic] enterro da esposa do líder de uma facção do PCC. No mínimo inapropriado”.

A morte de parentes de Lula voltou a ser ironizada em outros dois episódios, desta vez já neste ano. O primeiro foi em 29 de janeiro, quando o procurador Athayde Ribeiro Costa compartilha no chat Filhos do Januário 3 a notícia da morte do irmão de Lula, Vavá.

A notícia divide a opinião dos procuradores sobre a permissão para Lula ir ao enterro. “Ele vai pedir para ir ao enterro. Se for, será um tumulto imenso”, escreve o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallgnol. O procurador Athayde Ribeiro Costa pondera a repercussão negativa que a não autorização traria. “Mas se nao [Sic] for, vai ser uma gritaria. e um prato cheio para o caso da ONU”, escreveu o procurador.

O procurador Orlando Martello diz considerar “uma temeridade” a saída e aponta risco de apoiadores do ex-presidente tentarem impedir que ele seja levado de volta à prisão. “Não é um preso comum. Vai acontecer o q aconteceu na prisão”, escreveu o procurador.

Já o procurador Diogo Castor destaca que todos os presos em regime fechado têm o direito de comparecer a enterros de parentes. “Eu acho que tem que deixar o cara sair. Eh Muito grave vc não poder enterrar um irmão. Mas enfim, respeito opiniões contrárias”, escreveu o procurador.

Orlando Martello volta a citar riscos de segurança. “É muito grave praticar um crime que recomende regime fechado. Mas o problema é outro. Precisa de um batalhão para fazer a segurança dele. A militância vai abraçá-lo e não o deixaram [Sic] voltar. Se houver insistência em trazê-lo de volta, vai dar ruim!!”, escreveu o procurador.

“Entendo as ponderações. Considero razoáveis. Mas mesmo assim não acho que ele possa ser penalizado por causa disso, sendo que a lei prevê que todos os presos em regime fechado tem esse direito”, respondeu o procurador Diogo Castor.

Minutos depois, os procuradores comentam o parecer da Polícia Federal (PF) contrário ao pedido da defesa de Lula para que o ex-presidente comparecesse ao enterro. O parecer apontou risco de fuga ou resgate de Lula, a possibilidade de atentado contra a vida do ex-presidente e o fato de que os aviões que poderiam fazer o transporte até o enterro estavam realocados para dar apoio nas buscas em Brumadinho, onde uma barragem se rompeu no dia anterior, deixando mais de 200 mortos.

Na conversa, o procurador Antônio Carlos Welter diz: “Eu acho que ele tem o direito de ir. Mas não tem como”. O procurador Januario Paludo responde: “O safado só queria passear e o Welter com pena”.

Laura Tessler também se manifesta sobre o assunto: “O foco tá em Brumadinho….logo passa…..muito mimimi”.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) acabou por autorizar a ida de Lula, porém a concessão só foi dada quando o enterro já estava em andamento e Lula acabou não deixando a carceragem da PF.

Em 1º de março deste ano, o debate foi em torno da morte do neto de Lula, Arthur, de sete anos, vítima de uma infecção generalizada. “Preparem para nova novela ida ao velório”, ironiza a procuradora Jerusa Viecili. O procurador Athayde Ribeiro Costa responde: “Putz….no meio do carnaval”.

Desta vez, no entanto, a defesa de Lula consegue autorização para a ida do ex-presidente ao enterro. No dia 2 de março, Dallagnol compartilha no chat Filhos do Januário 4 uma matéria do UOL que noticia um contato telefônico entre Gilmar Mendes e Lula, no qual o ex-presidente teria reagido aos prantos.

“Estratégia para se ‘humanizar’, como se isso fosse possível no caso dele rsrs”, escreve, então, o procurador Robson MPF.

Dallagnol responde: “Não. Estratégia para amploar [Sic] a base na esquerda que ê [Sic] sua aliada desde a questão de execução provisória. Ele pensa no Senado”.

A ida de Lula ao enterro é comentada no chat de procuradores Winter is Coming. Em 4 de março, a procuradora Monique Cheker, que atua em Petrópolis (RJ) diz que o ex-presidente usou o enterro para fazer “discurso político”.

A procuradora compartilha uma matéria do portal UOL sobre a ida do ex-presidente ao enterro. A matéria cita relatos de pessoas presentes na cerimônia que afirmaram ao UOL que Lula, quando estava próximo do caixão de Arthur, disse: “Arthur, você sofreu muito bullying na escola, por ser neto do Lula. Tenho um compromisso com você: vou provar a minha inocência e vou mostrar quem é ladrão e quem não é neste país. As pessoas que me condenaram eu duvido que possam olhar para os netos como eu olhava para você”.

No chat em que compartilha a matéria, a procuradora Monique Cheker escreve: “Fez discurso político (travestido de despedida) em pleno enterro do neto, gastos públicos altíssimos para o translado, reclamação do policial que fez a escolta… vão vendo”.

A série de reportagens Vaza jato é feita pelo site Intercept Brasil, em parceria com outros veículos, como Folha de S.Paulo, Veja, El País, o site BuzzFeed e o jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da Folha e do UOL.

As mensagens entre procuradores foram trocadas por meio do aplicativo Telegram e foram obtidas pelo Intercept por meio de uma fonte anônima. Análises apontam que não há indícios de alteração no conteúdo exposto.

Procurada, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba não se manifestou sobre as mensagens divulgadas, assim como as procuradores Thaméa Danelon e Monique Cheker.

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3 Opiniões

  1. ACM disse:

    Como alguem (sic) do pt (sic) ja (sic) disse, “enqto (sic) nao (sic) soltarem o lula (sic), vamos infernizar o governo”
    .
    sic transit gloria mundi (sic)

  2. Jan disse:

    É brutal o viés do autor desse texto.
    Pena, é assim que a mídia está se enforcando com suas próprias palavras.

  3. DINARTE DA COSTA PASSOS disse:

    Chega a ser extremamente irritante esta matéria pelo grau de covardia que estes animais demoníacos que se dizem representantes da Justiça Brasileira fizeram com o LULA. Gente de má índole que não respeita lutos dos outros, não respeitam famílias dos outros. Pessoas que encarnam o poder do Estado para prejudicar seus adversários, enfim uma corja de ordinários da última espécie. Procuradores despreparados para um cargo tão importante.

    SÓ POSSO DIZER QUE A HISTÓRIA SE ENCARREGARÁ DE PUNIR ESTA CORJA DE IMPRESTÁVEIS QUE LEVA UMA VIDA DE REI AS CUSTAS DO ERÁRIO PÚBLICO, OU SEJA, DOS NOSSOS IMPOSTOS. O TEMPO DIRÁ QUEM TEM RAZÃO E SE DEPOIS FICAREM MARCADOS COMO INFAMES PELA HISTÓRIA DA HUMANIDADE QUE SEUS DESCENDENTES NÃO RECLAMEM POR TERREM PAIS OS ANCESTRAIS TÃO ORDINÁRIOS COMO ESTES.

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