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BALANÇO DO ENCONTRO

Putin rompe silêncio e Trump não fala mais bobagens sozinho

Putin comentou com diplomatas russos que a reunião com Trump 'permitiu que os dois iniciassem o caminho para uma mudança positiva'

Putin rompe silêncio e Trump não fala mais bobagens sozinho
Se permanecesse calado pelo mesmo período de Putin, Trump não perderia tantos pontos (Foto: kremlin.ru)

Nos primeiros comentários que fez sobre a reunião de cúpula com Donald Trump – depois de deixar o colega americano falando sozinho por quatro dias – o presidente russo disse que o encontro em Helsinque, na Finlândia, foi um sucesso. Vladimir Putin ainda advertiu que os opositores de Trump nos Estados Unidos estão empenhados em dificultar avanços nos assuntos discutidos pelos dois, como a limitação aos arsenais nucleares ou o fim da guerra na Síria.

Putin comentou com diplomatas russos que a reunião com Trump “permitiu que os dois iniciassem o caminho para uma mudança positiva neste momento em que as relações entre Washington e Moscou são piores do que durante a Guerra Fria”. Com uma posição política muito confortável em seu país – ao contrário do americano – Putin não comentou as controversas declarações de Trump que começou pregando um voto de confiança quanto à interferência russa nas eleições americanas em 2016, mas, diante da péssima repercussão – tanto da oposição democrata quanto de senadores republicanos – acabou invertendo o discurso.

Líder de um país que tem o xadrez com uma de suas forças esportivas, o enxadrista e faixa preta de karatê avalia que as negociações entre os dois países vão passar por muitos movimentos no tabuleiro. “É ingênuo pensar que os problemas seriam resolvidos em poucas horas. Mas ninguém esperava isso”, disse destacando que “forças anônimas nos EUA tentando impedir qualquer melhora nas relações, colocando interesses partidários restritos acima do interesse nacional”.

A verborragia de Trump

Se permanecesse calado pelo mesmo período de tempo do colega russo, Trump não perderia tantos pontos. Tagarelar foi o seu maior erro. Ainda em Helsinque – logo após o encontro –, o presidente americano disparou sua verborragia com um depoimento que seus concidadãos não queriam ouvir. Ele foi categórico ao afirmar que confiava na palavra do colega russo, que negou mais uma vez, qualquer interferência de Moscou no processo eleitoral.

O pior foi que Trump acreditou no que ouviu e repetiu como se fosse um papagaio, pondo em xeque – uma vez que ainda estamos no tabuleiro de xadrez – a competência das agências de inteligência americanas sobre a interferência russa nas eleições americanas há dois anos.

O efeito dessas declarações foi catastrófico, uma vez que ele conseguiu desagradar a gregos e troianos, ou melhor, no caso americano, a democratas e republicanos. Até mesmo aliados, como o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, não pouparam críticas a Trump.

Hora de corrigir o discurso

Independentemente do discurso controverso, a justiça norte-americana indiciou doze integrantes da inteligência russa. Depois de desperdiçar peças importantes de seu tabuleiro político, um acuado presidente americano garantiu após quatro dias batendo cabeça com a própria cabeleira que não vai suspender qualquer sanção contra a Rússia e, depois de criticar a União Europeia durante a viagem da semana passada, altera o discurso para dizer que respeita os aliados europeus. Um dos raros momentos em que demonstra ter ouvido seus assessores.

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