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Siderurgia na França

Recessão fecha usinas na França

O fechamento de uma usina siderúrgica irrita o novo presidente

Recessão fecha usinas na França
ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo, permanecerá mais seis meses com as fornalhas fechadas (Reprodução/Internet)

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Dentre os primeiros visitantes do Palácio Elysée após a vitória de François Hollande na eleição presidencial do mês passado estavam líderes sindicais da usina siderúrgica da ArcelorMittal em Florange, Lorraine. A região é o epicentro da tradicional indústria pesada francesa: as pessoas têm feito aço em Lorraine por mais de 300 anos. Mas as chamas dos altos-fornos começaram a diminuir no ano passado quando a recessão reduziu a demanda por aço e forçou a ArcelorMittal, a maior empresa siderúrgica do mundo com alguma folga, a começar a fechar suas unidades menos eficientes. Em outubro do ano passado, ambas as fornalhas de Florange haviam sido apagadas, supostamente por um ano. No mês passado, a empresa disse que elas permaneceriam fechadas por mais seis meses.

Com excesso de oferta na Europa e consolidações acontecendo no resto do mundo, apenas usinas modernas e costeiras conseguem ser competitivas. As unidades mais antigas e continentais, em geral construídas em cima de minas de ferro, estão agora sendo ultrapassadas pelo mundo. Mas a unidade de Florange tem mais do que fornalhas: estas empregam apenas 500 trabalhadores de um total de 2.700. O resto deles ocupa-se com a laminação de aço já finalizado para os setores automobilísticos e de construção civil ou com pesquisa e desenvolvimento.Com os altos fornos desligados, barras de aço são despachadas para o interior do país a partir das fornalhas costeiras da empresas em Dunkirk. Mas isto por sua vez é menos eficiente do que fazer tudo de modo integrado nas unidades de produção costeiras, como a de Dunkirk, que importa minério por um lado e cospe aço finalizado do outro. De modo que o receio é que, no longo prazo, até mesmo as laminadoras estejam condenadas.

Desde que o primeiro alto forno fechou no meio do ano passado, os trabalhadores vêm organizando protestos periódicos em Florange e (ocasionalmente) em Paris. A ascenção do governo socialista de Hollande deu-lhes amigos poderosos, ou pelo menos amigos que fazem questão de demonstrar sua amizade: Aurélie Filipeetti, o ministro da cultura, apareceu na entrada da laminadora para fazer um brinde com champanhe com os protestantes.

Enquanto isso, a ArcelorMittal diz que não estabeleceu contato algum com o palácio Elysée. A  empresa, que é baseada em Londres e Luxemburgo, emprega 300.000 pessoas – 20.000 na França, onde é uma importante investidora estrangeira. O fato de a propriedade da empresa ser estrangeira pode ser uma razão por trás dos ataques do novo governo, mas empresas francesas também podem sofrer os mesmos ataques, uma vez que as eleições parlamentares deste mês já estão fora do caminho. A PSA Peugeot-Citröen, a Air France-KLM e o Carrefour estão em uma longa lista de empresas que os sindicatos dizem estar preparando demissões em massa.

Fontes:
The Economist - Cross over Lorraine

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