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Rede Extra é alvo de protestos após assassinato de jovem

Seis cidades do país são palco de protestos em repúdio ao assassinato de Pedro Henrique, jovem de 19 anos asfixiado por um segurança em uma filial no Rio

Rede Extra é alvo de protestos após assassinato de jovem
Segurança que matou o jovem não poderia atuar na função, pois já foi condenado por lesão corporal (Foto: Fernando Frazão/ABr)

Pelo menos seis cidades do país foram palco de protestos contra a rede de supermercados Extra no último domingo, 17, por conta da morte de um jovem 19 anos, que foi asfixiado por um segurança em uma loja da rede localizada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Pedro Henrique Gonzaga, um jovem negro de 19 anos, foi morto por asfixia após ser alvo de um golpe conhecido como “mata leão” proferido pelo segurança Davi Ricardo Moreira Amâncio.

A onda de protestos foi organizada através das redes sociais, com eventos marcados pelo Facebook. Os protestos ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Fortaleza, Campo Grande e Belo Horizonte. Participantes compareceram às marchas com cartazes com frases como “Minha cor não é luto” e “Vidas negras importam” e protestavam contra o alto índice de assassinato de jovens negros no país.

No Rio, pelo menos 500 pessoas se reuniram no estacionamento da loja onde o jovem foi assassinado. Os manifestantes se deitaram em frente ao supermercado como forma de protesto, além de discursarem contra o que declararam ser um genocídio de jovens negros.

A manifestação obrigou a loja carioca a fechar as portas por um período, assim como ocorreu em São Paulo, onde os manifestantes foram até a filial da rede localizada na Avenida Brigadeiro Luís Antônio gritando a palavra “Assassino”.

Em Fortaleza, manifestantes também se deitaram no chão de uma das lojas, gritando “Me deixa respirar”. Eles percorreram os corredores do supermercado lembrando também a morte da vereadora do PSOL, Marielle Franco, e de seu motorista Anderson Gomes, assassinados em março de 2018.

Em Curitiba, manifestantes exibiram cartazes pedindo o fim do racismo e destacaram que a cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil. Os protestos de domingo foram inspirados no movimento americano “Black Lives Matter”.

A rede Extra emitiu uma nota afirmando que “entende a dor e solidariza com o sentimento” e que está contribuindo para as investigações do caso. “Reforçamos que somos contra todo ato de violência, excessos e de racismo. Nada justifica a perda de uma vida”, informou a nota.

Entenda o caso

Pedro Henrique estava com a mãe, Dinalva Oliveira, e uma amiga da família no supermercado na última quinta-feira, 14. O jovem tinha problemas com drogas e estava prestes a ser internado naquele dia, em uma clínica em Petrópolis, na região serrana do Rio. A mãe do jovem informou que foi ao local comprar mantimentos para a internação.

Após ter um surto, Pedro Henrique correu em direção à porta do estabelecimento, onde estavam os seguranças. Cenas gravadas por câmeras de segurança mostram o jovem sendo interpelado e discutindo com os seguranças. Em seguida, ele cai no chão. Neste momento, ele recebe uma gravata (mata leão) de Davi Amâncio, que permanece em cima de Pedro Henrique por tempo prolongado, ignorando apelos de pessoas ao redor que alertavam que o jovem desmaiou, estava sufocando e com a mão roxa. Entre os que pediam para Amâncio soltar Pedro Henrique estava Dinalva, que nas imagens seguintes aparece andando de um lado para o outro, atordoada e levando as mãos à cabeça.

De acordo com as gravações do Extra, o segurança ficou em cima do jovem por pelo menos sete minutos. A mãe de Pedro relatou que ele tinha problemas com entorpecentes e teve um surto dentro do supermercado.

Davi Amâncio foi preso e liberado após pagar fiança de R$ 10 mil. O segurança foi indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) – algo que gerou indignação, uma vez que muitos apontaram que ele foi alertado sobre o estado de Pedro, logo, sabia o que estava fazendo.

No momento, a Divisão de Homicídios apura as versões dos fatos e imagens de segurança e afirmou, em nota, que Amâncio pode passar a responder por homicídio doloso (quando há intenção de matar). Isso porque, segundo a polícia, o segurança sabia do risco que assumiu quando imobilizou Pedro Henrique com o golpe. A nota também afirma que serão apuradas as condutas de outros seguranças que aparecem nas imagens, que podem responder por omissão de socorro por não ter interferido.

O caso ganhou um novo desdobramento na noite de domingo, após uma reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo, revelar que Davi Amâncio não poderia estar atuando como segurança privado, pois já foi condenado por lesão corporal por ter agredido sua ex-companheira. A empresa para a qual Amâncio trabalha, a Groupe Protection, que presta serviço terceirizado para a rede Extra, não solicitou o histórico de antecedentes criminais na hora da contratação de Davi.

A empresa informou que a checagem da ficha criminal é responsabilidade da Polícia Federal, não da companhia. A exigência faz parte da portaria nº 3.233/2012, do Ministério da Justiça, que controla a atividade de segurança privada.

Fontes:
Folha de S.Paulo-Morte de jovem negro em supermercado mobiliza protestos em seis cidades
Correio do Estado-Grupo mobiliza protesto na Capital sobre jovem morto por segurança do Extra

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1 Opinião

  1. Antonio Rodrigues disse:

    É o que eu digo. O Extra não tem culpa do acontecido, pois a segurança é contratada a uma empresa especializada. Especializada???? Se o fosse, não teria contratado o IMBECIL que matou o rapaz, mesmo com os pedidos das pessoas que estavam à volta. Por outro lado, também são culpados os demais seguranças que estavam bem perto e não moveram um dedo sequer para que o IMBECIL não matasse o rapaz. Isso, pelo menos vai servir para saberem que a população não está dormindo e vai fazer com que o Extra e outras organizações tratem de saber direitinho quem estão contratando.

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