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IMPEACHMENT NOS EUA

Relatório aponta que Trump tentou ocultar ligação para o presidente da Ucrânia

Delator aponta que Trump tentou transferir para arquivo separado os registros da conversa com presidente ucraniano pivô do processo de impeachment

Relatório aponta que Trump tentou ocultar ligação para o presidente da Ucrânia
Arquivo separado era destinado a questões de segurança nacional (Foto: Flickr/The White House)

O imbróglio envolvendo a abertura de um processo de impeachment contra o presidente americano Donald Trump ganhou novos elementos na última quinta-feira, 26.

Segundo informações da Reuters, um relatório de um delator divulgado pelo Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados – a mais alta autoridade de inteligência dos EUA – aponta que Trump não apenas solicitou a interferência da Ucrânia na corrida presidencial de 2020, como também tentou encobrir as evidências de sua conduta.

O documento destaca que a Casa Branca tentou transferir os registros da conversa entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, para um arquivo separado, destinado a informações confidenciais de natureza sensível que podem comprometer a segurança nacional.

“Uma autoridade da Casa Branca descreveu este ato como um abuso deste sistema eletrônico porque a ligação não possuía nada remotamente sensível dentro de uma perspectiva de segurança nacional”, aponta o documento.

Tal informação aponta que Trump não só abusou do poder de seu cargo, como também tentou encobrir as evidências, fazendo uso da segurança nacional como pretexto.

O presidente nega qualquer ato irregular, algo que é contestado pela líder dos democratas na Câmara, Nancy Pelosi, que na última terça-feira, 23, determinou a abertura do processo de impeachment. “Isso é um acobertamento. O presidente esteve envolvido em um acobertamento o tempo todo”, disse Pelosi.

A ligação de Trump para o presidente ucraniano desencadeou um terremoto político em Washington. O telefonema ocorreu no dia 25 de julho, uma semana após Trump suspender uma ajuda americana de cerca de US$ 400 milhões à Ucrânia. A ajuda foi liberada no dia 11 de setembro. A oposição afirma que Trump usou a verba para pressionar Zelenskiy.

Na conversa, Trump destaca a Zelenskiy que os EUA fazem muito pela Ucrânia, “muito mais do que países europeus” e diz que a chanceler alemã, Angela Merkel, “fala sobre a Ucrânia, mas não faz nada” (confira aqui a transcrição divulgada pela Folha de S.Paulo).

A declaração de Trump foi dada a despeito de a União Europeia (UE) ter destinado à Ucrânia cerca de US$ 3,3 bilhões em ajuda financeira desde 2014 – quando o país se envolveu em um embate com a Rússia por conta da anexação da Crimeia. O valor direcionado pela UE supera a ajuda enviada por qualquer outro país fora do bloco europeu.

Em seguida, o presidente americano pede que Zelenskiy investigue o pré-candidato democrata à presidência Joe Biden. O pedido de Trump gira em torno do filho do pré-candidato, Hunter Biden, que em 2014 entrou para o quadro de diretores da empresa de gás ucraniana Burisma Holdings. Na época, Joe Biden era vice-presidente dos EUA.

Na época em que Hunter Biden foi contratado pela Burisma, a empresa atravessava uma crise e seu fundador era Mikola Zlochevski, era investigado por abuso de poder e desvio de verba pelo procurador Viktor Shokin.

A investigação era referente ao período em que Zlochevski atuou como ministro do Meio Ambiente na gestão do ex-presidente ucraniano Viktor Ianukovich, deposto após a anexação da Crimeia, em meio a intensos protestos populares na Ucrânia contra a subserviência do governo à Rússia.

As investigações de Shokin contra a Burisma, no entanto, estagnaram. Biden, então, informou ao governo ucraniano que, se Shokin não fosse retirado do cargo, os EUA não liberariam uma ajuda financeira de US$ 1 bilhão. Shokin foi demitido em março de 2016. Semanas depois, a ajuda americana foi liberada.

Até o momento, não há indícios de envolvimento de Hunter Biden em crimes ou irregularidades na Ucrânia.

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