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RESTAURANTE AL JANIAH

Restaurante palestino é alvo de ataque em São Paulo

Conhecido por empregar refugiados, o Al Janiah foi atacado na madrugada de domingo, 1º. Agressores portavam facas e lançaram garrafas e spray de pimenta

Restaurante palestino é alvo de ataque em São Paulo
Em nota, direção alertou para a crescente intolerância e discurso de ódio (Foto: TVT)

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O restaurante palestino Al Janiah, localizado no bairro do Bixiga, região central de São Paulo, foi alvo de um ataque na madrugada do último domingo, 1º.

Um grupo de cinco pessoas, portando facas, se aproximou da porta do restaurante atirou garrafas e lançou spray de pimenta dentro do estabelecimento. Um vídeo gravado por câmeras de segurança mostra o momento do ataque.

Em nota oficial, o restaurante informa que ninguém ficou ferido e que a equipe conseguiu conter o ataque. A direção do estabelecimento atribui a motivação do ataque ao crescente discurso de ódio observado no país.

“Agradecemos o apoio que temos recebido de todos os cantos do Brasil. Não vai ser fácil destruir a solidariedade e os espaços democráticos que foram construídos”, diz a nota.

O boletim de ocorrência do ataque ainda não foi registrado, mas a direção informou estar tomando as devidas providências junto a seus advogados.

O Al Janiah foi inaugurado em 2016 e é administrado por Hasan Zarif, um brasileiro filho de palestinos. O local tem em vigor uma política de acolhimento e emprega refugiados vindos da Palestina, Síria, Cuba e Argélia. Além de restaurante, o espaço é também um local de debates públicos e promove semanalmente debates sobre cultura e política.

O Brasil é um país mundialmente conhecido por sua população diversa e multicultural. Porém, a crescente polarização política e a intolerância vêm minando o espírito acolhedor do país. O ataque ao restaurante Al Janiah não é o primeiro direcionado a imigrantes.

Em agosto de 2018, brasileiros moradores de Pacaraima, Roraima, promoveram uma onda de perseguição e agressão a imigrantes venezuelanos na cidade. Eles percorreram a cidade destruindo acampamentos de venezuelanos, agredindo imigrantes – incluindo crianças – e ateando fogo em seus pertences. Vídeos mostrando a ação do grupo circularam pela internet. Um deles mostra venezuelanos cruzando a fronteira de volta para a Venezuela, enquanto brasileiros aplaudem e alguns entoam o hino nacional.

Um ano antes, em agosto de 2017, o refugiado sírio Mohamed Ali foi vítima de um ataque no Rio de Janeiro. Na época, ele estava há três anos no Brasil e tirava o sustento vendendo esfirra e outros quitutes tradicionais da culinária árabe na esquina da rua Santa Clara com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, na zona sul da cidade. Ele trabalhava no local desde que chegou ao país. Porém, foi atacado por outros ambulantes, que chegaram portando pedaços de madeira, jogaram suas mercadorias no chão e o agrediram verbalmente.

“Sai do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bomba miseráveis que mataram crianças, adolescentes. São miseráveis. Vamos expulsar ele!”, disse um dos agressores.

O episódio, no entanto, teve um final feliz. Consternados com a notícia, cariocas organizaram um “esfirraço” em apoio ao refugiado poucos dias após o ataque. Um evento chamado “Comer esfiha na barraca do Mohamed” foi organizado na redes sociais. No dia marcado, uma imensa fila se formou em torno do carrinho de quitutes árabes de Mohamed, que agradeceu o apoio e trajou no dia uma camisa com a frase “Eu amo o Rio”. Também foi iniciada uma vaquinha online para comprar um food truck para Mohamed.

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2 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Facas e spray??? Tem que investigar se eles mesmos não estão se auto-atacando para depois posarem de vítimas.
    E essa história dos ataques em Pacaraima está mal contada…revelem toda a história.

  2. DINARTE DA COSTA PASSOS disse:

    No caso de Venezuelanos atacados na fronteira pode ser que estava havendo um clima de intolerância aos imigrantes. Já o caso dos palestinos tem que ser investigados melhor, pois sabe-se que eles são capazes de se auto atacarem para prejudicar terceiros. Vejamos os casos que aconteceram em 2014 quando na Guerra n faixa de Gaza foram espalhados brinquedos entre os escombros para dar demonstração ao mundo de que Israel atacava indiscriminadamente escolas e crianças. Sabe-se que esta prática de atacar crianças e escolas não são de Israel, mas dos próprios palestinos que atacam crianças e escolas israelenses.

    É PRECISO COIBIR E COMBATER A XENOFOBIA, MAS SE TRATANDO DE ALGUNS CASOS É PRECISO AVALIAR BEM PARA NÃO COMETER INJUSTIÇA, OS PALESTINOS BRASILEIROS PODIAM USAR SEUS ARGUMENTOS PARA CONVENCEREM SEUS PRÓPRIOS IRMÃOS DO HEZBOLAH E DO HAMAS PARA QUE CESSEM COM OS ATAQUES AS CRIANÇAS ISRAELENSES. MAS ELES TRABALHAM COM UMA INFORMAÇÃO TOTALMENTE PARCIAL.

    TODO O CUIDADO É POUCO PARA NÃO CAIRMOS NAS ARMADILHAS DELES.

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