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ACUSAÇÃO DE ESTUPRO

Suécia considera reviver inquérito sobre Assange

Julian Assange enfrenta os pedidos de extradição da Suécia e dos EUA, onde é acusado de estupro e de violação de segredos do Estado

Suécia considera reviver inquérito sobre Assange
Assange foi acusado de estupro e agressão sexual contra duas mulheres em 2010 (Foto: Flickr/Peter Erichsen)

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Depois da prisão na embaixada do Equador em Londres, Julian Assange enfrenta os pedidos de extradição da Suécia e dos EUA, onde é acusado de estupro e de violação de segredos do Estado

Após a revogação do asilo político concedido há sete anos pelo governo do Equador, o fundador do Wikileaks, o australiano Julien Assange, de 47 amos, foi preso pela polícia britânica na sede da embaixada equatoriana, em 11 de abril.

Em 2012, Assange refugiou-se na embaixada do Equador em Londres a fim de evitar a extradição para a Suécia, onde seria julgado por uma acusação de estupro. Agora, os promotores suecos estão examinando o pedido de reabertura do processo de investigação de estupro a pedido da advogada da vítima, Elizabeth Massi Fritz.

Os EUA também querem extraditá-lo do Reino Unido devido ao seu envolvimento em um dos maiores vazamentos de documentos confidenciais do governo americano em 2010. Assamge pode ser condenado a até cinco anos de prisão por essa acusação.

Depois de  ser levado para uma delegacia de polícia no centro de Londres, Assange compareceu a uma audiência no Tribunal de Magistrados de Westminster, onde um juiz o julgou culpado de violação da liberdade condicional, que lhe fora imposta pela Justiça sueca. A pena para esse crime pode chegar a 12 meses de prisão.

Em 2010, Assange foi acusado de estupro e agressão sexual contra duas mulheres durante uma conferência do Wikileaks em Estocolmo. Ele sempre afirmou que o sexo havia sido consensual.

A advogada Elizabeh Massi Fritz disse que sentiu um choque ao vê-lo sair escoltado pela polícia da embaixada do Equador, mas “por fim ele pode ser julgado pelo terrível crime que cometeu”.  

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou-o de cumplicidade com a ex-analista do serviço de inteligência do Exército dos EUA, Chelsea Manning, na divulgação de informações sigilosas do governo por meio do Wekileaks.

Manning foi presa em 2010 sob a acusação de divulgar mais de 700 mil documentos confidenciais, entre eles um vídeo de soldados americanos matando civis a bordo de um helicóptero no Iraque.  

Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca após a prisão de Assange, os jornalistas perguntaram ao presidente Donald Trump se ele ainda poderia afirmar que “amava” o Wikileaks, como não hesitara em dizer durante a campanha eleitoral, após a divulgação de documentos obtidos no comitê do Partido Democrata, que prejudicaram a candidatura de Hillary Clinton.

“Não tenho opinião a respeito do Wikileaks. Desconheço suas atividades”, respondeu Trump.

Em meio à pressão pela extradição de Assange para os EUA, a secretária do Interior, Diane Abbott, disse à BBC que o Reino Unido deveria se opor ao pedido do governo americano.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, também acha que o Reino Unido deveria resistir ao pedido de extradição de Assange, porque os EUA querem encobrir as  evidências de atrocidades cometidas no Iraque e no Afeganistão divulgadas pelo Wikileaks.

Já na visão da primeira-ministra, Theresa May, a prisão de Assange mostrou que “no Reino Unido ninguém está acima da lei”.

Segundo a advogada Rebecca Niblock, a decisão de aceitar o pedido de extradição dos EUA recai nos tribunais britânicos. No entanto, diante do pedido da Suécia, cabe à Secretaria do Interior estabelecer prioridades, com base na gravidade da acusação e da ordem de apresentação do pedido.

De acordo com Nick Vamos, ex-diretor do departamento de extradição do Crown Prosecution Service, em sua resistência à extradição para os EUA, Assange pode alegar que o sistema penitenciário americano não oferece garantia de proteção aos direitos humanos e que em razão de seu envolvimento com escândalos políticos não teria um julgamento justo e imparcial nos tribunais americanos.

Em resumo, o futuro de Assange, um personagem polêmico que divide a opinião pública nos mais diversos segmentos da sociedade, depende de uma trama complexa de interesses políticos e jurídicos internacionais.

Fontes:
BBC-Julian Assange: Sweden considers reviving rape inquiry

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