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Talibã e Estados Unidos concordam em estruturar acordo de paz

Após nove anos de negociações sem sucesso, o presidente do Afeganistão pede que o acordo seja feito 'com calma' para impedir um novo derramamento de sangue 

Talibã e Estados Unidos concordam em estruturar acordo de paz
'Nós queremos paz rápido, queremos logo, mas nós queremos paz com prudência', afirmou o presidente Ghani (Foto: Wikipédia)

Autoridades dos Estados Unidos e do grupo fundamentalista Talibã concordaram em estabelecer uma estrutura na qual tenha um acordo de paz entre os insurgentes. O objetivo seria evitar que o território afegão seja utilizado por terroristas.

Ashraf Ghani, presidente do Afeganistão, garantiu que os direitos do povo não serão comprometidos em nome da paz com o Talibã, após os Estados Unidos relatarem um progresso significativo com os insurgentes.

O acordo poderia retirar tropas americanas, que invadiram o país há quase 18 anos, em troca de um cessar-fogo e conversas entre os talibãs e o governo afegão, segundo uma nota enviada por Washington.

“Nós temos o esboço da estrutura que tem que ser trabalhada antes de se tornar um acordo”, relatou o enviado americano Zalmay Khalilzad. “O Talibã se comprometeu, para nossa satisfação, a fazer o que for necessário para evitar que o Afeganistão se torna uma plataforma para grupos e indivíduos terroristas. Sentimos confiança o suficiente”.

Após nove anos de negociações, o acordo básico ainda precisa ser concretizado para se tornar oficial. Isso irá garantir que o Talibã se comprometa para que o território afegão não seja utilizado por grupos terroristas. É um passo tangível para o fim de uma guerra que dura quase duas décadas e que custou a vida de milhares de pessoas, alterando totalmente a política externa dos Estados Unidos. Em um discurso, Ghani assegurou aos afegãos que nenhum acordo seria feito sem sua total participação.

“Nosso compromisso é fornecer paz e evitar qualquer possível desastre. Existem valores que não são discutíveis, como unidade nacional, soberania nacional e integridade territorial”.

O governo americano mantém 14 mil soldados no Afeganistão desde outubro de 2001, um mês após os atentados de 11 de setembro. A intenção era derrubar o governo do Talibã, que havia abrigado o chefe da organização terrorista al-Qaeda, Osama Bin Laden. Desde então, os talibãs tem o apoio da população afegã e travaram uma guerra contra o governo americano.

Embora fontes do Talibã tenham relatado que o acordo para retirar as tropas americanas já tinha sido firmado, autoridades dos EUA garantiram que os detalhes ainda não foram fechados.

“As negociações de paz não são possíveis, a menos que os dois lados concordem em um cessar-fogo”, disse Khalilzad.

O enviado americano retornou ao Afeganistão para reportar ao governo, os resultados mais recentes sobre as conversas com a delegação do Talibã. Após a reunião com Khalilzad, o presidente Ghani revelou sua preocupação sobre o acordo de paz estar indo “rápido demais”.

Ghani citou que, em acordos anteriores, o final foi  o derramamento de sangue. Apesar de terem uma promessa de acordo de paz, o Afeganistão foi tomado pela anarquia e, alguns anos depois, o presidente que estava no comando foi enforcado em uma rotatória de tráfego.

“Nós queremos paz rápido, queremos logo, mas nós queremos paz com prudência”, declarou Ghani. “A prudência é importante para que não repetirmos erros passados”.

Khalilzad relatou que o Talibã estava firme e confiante sobre o compromisso de impedir que o território afegão se tornasse base de grupos como a al-Qaeda e outras organizações terroristas. Ele prometeu garantias de segurança para atingir ao objetivo. Até o momento, o governo talibã se negou a falar com o governo afegão por considerar que sejam “marionetes” dos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, 28, Ghani pediu que eles iniciem “negociações sérias”.

“Apelo aos talibãs que mostrem sua vontade afegã, para aceitar a exigência de paz dos afegãos e a iniciar negociações sérias com o governo afegão”, disse o presidente. Ghani completou que qualquer acordo precisa ser aprovado pelo governo de Cabul.

“Não esquecemos que as vítimas desta guerra são afegãos e que o processo de paz deve ser dirigido pelos afegãos”, reiterou Ghani.

Segundo o Talibã, os Estados Unidos concordaram em retirar as tropas dentro de 18 meses após a assinatura do pacto. Os Estados Unidos comunicaram que ainda não estabeleceram um prazo para a retirada das mesmas.

Fontes:
O Globo-EUA e Talibã chegam a esboço de acordo de paz no Afeganistão
The Guardian-US and Taliban agree to framework peace deal, envoy says

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