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EM EVENTO NA CASA BRANCA

Trump lança ofensiva contra redes sociais

Presidente americano se reúne com ativistas virtuais que partilham da ideia de que iniciativas para conter o discurso do ódio online são censura a vozes da direita

Trump lança ofensiva contra redes sociais
Trump acusou empresas do Vale do Silício de ‘desonestidade’ (Foto: Twitter/Donald J. Trump)

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sediou na última quinta-feira, 11, uma conferência na Casa Branca com militantes das redes sociais conservadores e apoiadores de seu governo.

Intitulada “Cúpula sobre Mídia Social na Casa Branca”, o evento, tinha – em teoria – a proposta de juntar ativistas virtuais de diferentes posições políticas para um debate sobre o advento das mídias sociais. Porém, segundo apontou o New York Times, o que ocorreu foi tudo, menos isso.

Foram convidados para o evento cerca de 200 ativistas conservadores das redes sociais, que partilham da visão de Trump de que empresas de tecnologia do Vale do Silício agem em conluio com a esquerda.

Entre eles, estavam membros da PragerU – que publica vídeos sob a perspectiva de direita -, da TurningPoint USA – organização que acusa universidades americanas de serem centros de propaganda esquerdista – e ativistas do movimento QAnon – uma teoria da conspiração de extrema-direita, na qual um perfil misterioso, chamado QAnon, que diz ter acesso a informações secretas do governo, afirma que todos os presidentes antes de Trump eram, malignos, criminosos e pedófilos. A teoria foi criada em 2017, sem qualquer fundamento concreto, e hoje se tornou uma forte base de apoio do presidente americano.

A conferência na Casa Branca foi uma resposta de Trump a iniciativas tomadas por empresas de tecnologia para conter o alastramento do discurso de ódio, fake news e perfis robôs nas redes sociais. Isso porque o presidente americano, bem como seus apoiadores, enxerga nas iniciativas uma censura ao discurso da direita.

Em discurso no evento, Trump acusou empresas do Vale do Silício de “desonestidade”, “parcialidade” e de “censurar vozes americanas”. “Os principais grupos tecnológicos não devem censurar as vozes dos americanos”, disse Trump, que, segundo informou a AFP, insinuou que vai impor novas regulações sobre empresas como Facebook, Twitter e Google – que não foram convidadas para o evento.

Segundo o New York Times, o evento também tinha como objetivo oferecer a Trump uma nova gama de ideias para sua busca pela reeleição em 2020. Isso porque Trump ascendeu em 2016 como uma figura de fora da política, que se orgulhava de subverter regras e normas e deseja manter essa imagem nas próximas eleições. Como muitos dos convidados presentes são autores de memes, postagens e vídeos que o presidente compartilha em suas redes sociais, o encontro poderia ser uma poderosa fonte de ideias para a próxima campanha.

No encontro, Trump disse ainda que vem se perguntando por que há uma queda no engajamento em suas postagens nas redes sociais e se haveria algo por trás disso. “Eu costumava ver [o alcance das postagens] como um foguete em lançamento”, disse Trump, se referindo às postagens que fazia logo no início de sua presidência.

A conferência foi alvo de críticas por parte de setores que defendem a liberdade de imprensa e expressão. Thomas Melia, diretor da PEN American Center – organização que defende a liberdade de expressão nos EUA por meio da literatura e dos direitos humanos – disse que os Estados Unidos precisam de um debate de alto nível sobre o papel das empresas de tecnologia na moderação e em políticas de termo de uso. Porém, segundo Melia, a Casa Branca não é lugar para isso.

“Infelizmente, a reunião de hoje perde totalmente o foco, com uma lista de convidados altamente politizada, que excluiu vozes importantes e incluiu propagadores de teoria da conspiração e provedores de informações falsas que mais são parte do problema”, lamentou Melia.

Fontes:
The New York Times-White House Hosts Conservative Internet Activists at a ‘Social Media Summit’

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