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CAMPANHA DO GOVERNO

Uganda gera furor ao fazer de mulheres um produto de turismo

Campanha de turismo apresenta ugandesas como produto a ser explorado, assim como a culinária. No passado, o Brasil também já investiu em campanhas do tipo

Uganda gera furor ao fazer de mulheres um produto de turismo
Indignadas, ugandesas querem a renúncia do ministro do Turismo, Godfrey Kiwanda (Foto: Pixabay)

Uma campanha do governo de Uganda para estimular o turismo no país despertou o furor de mulheres ugandesas.

A campanha exalta as curvas das mulheres ugandesas e as apresenta como “um produto turístico” típico do país. A peça foi divulgada na última quarta-feira, 6, pelo ministro do Turismo, Godfrey Kiwanda, em uma coletiva de imprensa.

“Uganda é dotada de mulheres bonitas. Sua beleza é única e diversificada. Por isso decidimos usar esta beleza única, as curvas, para fazer dela, um produto a ser comercializado, junto com o que já temos no país, como a natureza, a língua e a comida, para torná-la uma atração turística”, disse o ministro.

Parte do plano para comercializar as mulheres ugandesas será feita através de um concurso de beleza, que em junho elegerá a Miss Curvilínea de Uganda. “A vencedora deste concurso será parte da marca de nossa campanha, usando a beleza como mais um produto de turismo”, disse o ministro.

A proposta enfureceu a população feminina do país, e várias mulheres passaram a pedir a renúncia de Kiwanda. “Isso é perversão. Pensar que as mulheres podem ser usadas como objetos sexuais nesta época e neste tempo é um absurdo”, disse Rita Aciro, diretora executiva da Uganda Women’s Network, à AFP.

A empreendedora e ativista Primrose Nyonyozi Murungi lançou uma petição online para interromper a campanha que, segundo ela, é “totalmente inaceitável e humilhante para” as mulheres.

“As mulheres ugandesas são atacas enquanto caminham pela rua. Agora, o governo está confirmando este estereótipo de que as mulheres são objetos sexuais e podem ser tocadas e ainda serem feitas de produto de turismo”, disse Murungi.

Kiwanda rebateu as críticas e afirmou que a campanha não tinha intenção de humilhar as mulheres. “Diverso como somos como um país, temos uma mensagem para destacar as diferentes curvas de nossas mulheres, o que acreditamos ser uma atração turística”, disse o ministro.

Turismo no Brasil

Na década de 1980, o Brasil também foi cenário deste tipo de turismo. Muitas campanhas de turismo da década usavam corpos femininos para atrair turistas estrangeiros para o país.

Chanceladas pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) as campanhas usavam as mulheres como um grande atrativo em folhetos oficiais.

Ao longo dos anos, a prática foi abolida, conforme informou, em entrevista dada ao portal G1 em 2014, o então presidente da Embratur, Flávio Dino.

“Isso foi eliminado hoje. Há um cuidado de não haver a exposição do corpo, de moças de biquíni. As pessoas que aparecem nas peças publicitárias estão sempre vestidas, mesmo na praia ou no samba”, disse Dino.

 

Foto: Embratur

 

Outra forma de explorar as mulheres como atração turística era através de cartões-postais. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, conhecida mundialmente por suas praias, era comum encontrar em bancas de jornais cartões-postais, com mulheres, de costas, caminhando de biquíni pela praia.

A venda destes cartões somente foi banida em 2005, durante a gestão da então governadora Rosinha Matheus (Ex-MDB e atual Patriota), que aprovou um projeto de lei da deputada estadual Alice Tamborindeguy (Ex-PSDB e atual PP). Na época, a deputada afirmou que tais cartões-postais eram apelativos e estimulavam o turismo sexual. “É falta de respeito com as mulheres”, disse a deputada.

Fontes:
Aljazeera-Outcry after Uganda uses 'curvy women' to boost tourism
Folha de S.Paulo-Lei proíbe cartões-postais com mulheres seminuas no Rio

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