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MEDIDA INÉDITA

Vaticano estuda ordenar homens casados como padres na Amazônia

Documento com a recomendação inédita aponta a medida como forma de suprir a demanda de padres em áreas remotas

Vaticano estuda ordenar homens casados como padres na Amazônia
Medida se aplicaria, preferencialmente, àqueles com descendência indígena (Foto: Flickr/Presidencia de la República Mexicana)

O Vaticano emitiu uma nota nesta segunda-feira, 17, recomendando que a Igreja Católica comece a considerar ordenar homens mais velhos, casados e com famílias constituídas como padres na região da Amazônia.

A medida se aplicaria, preferencialmente, àqueles com descendência indígena. No mesmo documento, o Vaticano também solicita que seja identificado algum tipo de ministério oficial a ser conferido às mulheres.

“Afirmando que o celibato é uma dádiva para a Igreja, pede-se que, para as áreas mais remotas da região, se estude a possibilidade da ordenação sacerdotal de pessoas idosas, de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã”, diz o documento.

É a primeira vez que um documento do Vaticano traz recomendações do tipo. Trata-se da menção mais direta já vista em relação à possibilidade ordenar como padres homens casados. Atualmente, eles podem exercer a função de diáconos. Ademais, a recomendação do documento abre margem para que a medida seja estendida a outras áreas, onde o clero é escasso. Também é inédita a recomendação à presença ministerial de mulheres.

O texto menciona a ordenação dos viri probati (expressão em latim para designar homens de caráter atestado), para suprir a falta de sacerdotes na região. Eles seriam homens mais velhos, com destaque dentro das comunidades indígenas e na comunidade católica local.

O documento com a recomendação faz parte das preparações do Vaticano para o Sínodo para a Amazônia. Previsto para ocorrer de 6 a 27 de outubro deste ano, o sínodo foi convocado pelo Papa Francisco para discutir, ao longo de 23 dias, questões da Amazônia, como os impactos das mudanças climáticas no meio ambiente e a situação dos povos indígenas e quilombolas.

Participarão do sínodo bispos e outros representantes da Igreja Católica, além de membros de comunidades indígenas do Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Ao final, serão votados artigos para compor um documento final, que terá a aprovação final do papa.



Leia mais: Papa Francisco recebe líder indígena brasileiro no Vaticano

Fontes:
O Globo-Vaticano vai considerar sacerdotes casados para a região amazônica
G1-Vaticano cogita permitir que homens casados se tornem padres na Amazônia

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